quinta-feira, 21 de julho de 2011

RALPH FIENNES, UM NOME DE PESO E TALENTO


Ele é mais conhecido por suas interpretações fortes e dramáticas, tem vários longas premiados e muito elogiados em seu currículo e é dono de expressões e gestos mais contidos e sisudos. Apesar disso, como deve fazer um bom ator, vez ou outra ele faz alguma comédia ou projeto mais leve para descansar e mostrar um outro lado seu. Ralph Fiennes é um inglês muito talentoso que se equilibra muito bem entre o cinema comercial e o cabeça e, curiosamente, é comum que seus trabalhos destinados ao grande público também ganhem reconhecimento da crítica, uma mostra de que ele tem bom faro para escolher os produtos que vão ostentar seu nome nos cartazes. Assim, ele trabalhou com cineastas cultuados como Steven Spielberg, Neil Jordan, David Cronenberg e até o brasileiro Fernando Meirelles.

Oriundo de uma família aristocrática inglesa, filho do fotógrafo Mark Fiennes e da escritora Jennifer Lash, o intérprete nasceu em 22 de dezembro de 1962 em um ambiente onde a arte reinava absoluta. Ele é o mais velhos dos sete filhos do casal e quatro de seus irmãos também seguiram carreiras artísticas, sendo o mais famoso o também ator Joseph Fiennes. Depois de se formar em artes plásticas, o primogênito do clã juntou-se à Royal Shakespeare Company, a mais importante companhia de teatro inglesa, onde interpretou praticamente todos os papéis principais das obras de Shakespeare, aí nascia sua predileção pelos trabalhos de época e dramáticos.

Fiennes tornou-se conhecido fora do meio teatral em 1990 ao estrelar a caprichada e elogiada produção da TV britânica Um Homem Perigoso, uma visão documental da vida de T. E. Lawrence, o explorador protagonista do clássico dos anos 60 Lawrence da Arábia. Aliás, este primeiro trabalho do ator foi vendido no Brasil equivocadamente como uma continuação do antigo filme. Com o sucesso do épico, veio o convite para participar da refilmagem de O Morro dos Ventos Uivantes (1992), onde viveu um homem apaixonado por sua irmã de criação. Ele enriquece e retorna para vingar-se do abandono que sofreu quando ela decidiu se casar com outro. Porém, o grande papel de sua vida viria no ano seguinte quando foi convidado para interpretar o comandante alemão Amon Goeth no super premiado A Lista de Schindler que narra uma triste história verídica onde ele era o responsável por chefiar um campo de extermínio de judeus.

O Oscar não o agraciou naquela ocasião e até hoje ele não tem sua famigerada estatueta, mas seu nome vira e mexe aparece na lista dos prováveis indicados da Academia de Cinema. Ele era um dos intérpretes mais cotados ao prêmio pelo drama Quiz Show - A Verdade dos Bastidores (1994) que também figurou entre os grandes títulos da festa. No longa ele interpreta um professor universitário que participa de um programa de TV de perguntas e respostas e recebe as questões com antecedência antes da atração ir ao ar, uma armação da produção para evitar que ele saia da disputa e audiência caia. A indicação ficou só na intenção.

Dois anos depois, lá estava ele de novo entre os figurões da maior premiação de cinema com o épico O Paciente Inglês, uma trágica história de amor passada durante a Segunda Guerra entre os personagens de Fiennes e de Kristin Scott Thomas. Novamente indicado ao Oscar, acabou saindo de mãos abanando, mas o filme assegurou nove estatuetas para enfeitar seu cartaz. A partir daí, o nome do ator ficou popular e seus trabalhos sinônimos de sucesso tanto de público quanto de crítica.


Cinema comercial

Sem ser radical, Fiennes abraçou o cinema de estilo comercial no final da década de 90. Após Oscar e Lucinda (1997), filme de época no qual interpretou um padre com compulsão por jogatinas, porém mais lembrado como a primeira grande chance de Cate Blanchett com quem divide os holofotes, o ator aceitou participar da aventura Os Vingadores (1998) ao lado de Uma Thurman. Baseado em uma série de TV dos anos 60, o resultado foi um fiasco e rendeu ao ator a sua única indicação ao Framboesa de Ouro de sua carreira, um prêmio para reconhecer o trabalho dos piores do ano, um avesso das premiações tradicionais. No mesmo ano, ele emprestou sua voz ao personagem Ramsés no desenho com pegada bíblica O Príncipe do Egito.

Em 1999, o intérprete fez as pazes com a crítica ao viver um romance com Julianne Moore em Fim de Caso, mais um drama que tem como pano de fundo a Segunda Guerra no qual Fiennes contrata um detetive particular para investigar a amante quando ela rompe o relacionamento. A mesma época triste que é tema constante em sua filmografia volta a ser destacada na pretensiosa produção Sunshine - O Despertar de Um Século (2000), um longa, literalmente, que acompanha a saga de uma família judeu-húngara por três gerações. Ele interpreta o narrador dessa história que traça um paralelo histórico com a ajuda de imagens de documentários.

Dois anos depois, Fiennes embarca em dois filmes assumidamente comerciais, Dragão Vermelho, o terceiro filme do famoso e amedrontador Hannibal Lecter, e Encontro de Amor, onde vive um romance no melhor estilo gata borralheira com Jennifer Lopez. Para finalizar 2002, aceita o convite para estrelar Spider - Desafie Sua Mente, um drama psicológico onde vive um homem atormentado por lembranças e ilusões do passado. O longa fez muito sucesso nos circuitos alternativos de cinema de todo o mundo.

Conhecido pelo público adulto, a partir de 2005 o ator passou a trabalhar em obras voltadas ao público infantil e adolescente. Dublou o arrogante Victor Quartermaine na animação Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais e surpreendeu ao aceitar viver o vilão Voldemort em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Desde então, ele interpretou o personagem nos quatro longas seguintes da franquia, incluindo o último. Aliás, seu sobrinho, Hero Fiennes-Tiffin, desempenhou o papel do tio quando jovem em Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009). A aceitação no gênero mais fantasioso o levou também a ser escalado para viver mais um vilão, mas desta vez em terras gregas no remake de Fúria de Titãs (2010) na pele do vingativo deus do submundo Hades.

Nos últimos anos, o ator tem conquistado excelentes interpretações em produções que preenchem os requisitos para figurarem entre as indicadas a prêmios, porém o Oscar o esqueceu. O Jardineiro Fiel (2005), A Duquesa (2008) e O Leitor (2008) chegaram a figurar em algumas categorias das premiações, mas o intérprete acabou tendo seu talento encoberto pelas atuações de Rachel Weiz, Keira knightley e Kate Winslet respectivamente. Atuou também no oscarizado Guerra ao Terror (2009), mas em meio a um elenco cheio de nomes masculinos, quem se destacou foi a diretora Kathryn Bigelow.

Com um currículo invejável repleto de obras consideradas cults e interpretações inspiradas, Ralph Fiennes é um dos artistas mais requisitados por Hollywood e por cineastas alternativos e estúdios independentes. O que o destaca entre os tantos artistas que adotam os filmes de arte como seu terreno seguro, é que ele não condena o cinema pipoca e participa dele com muito gosto, o que acaba também beneficiando seus projetos menores, já que sua lista de fãs não fica restrita a um determinado tipo de público. Para sua vida profissional ser completa, só falta mesmo um Oscar para escrever seu nome definitivamente na história do cinema, ou melhor, colocá-lo em negrito, pois ele já faz parte dela há muito tempo. Quem sabe um dia, mais cedo ou mais tarde, a estatueta dourada chega e contempla este nome de peso e muito talento.

Um comentário:

Rafael W. disse...

Grande ator, um dos meus favoritos!

http://cinelupinha.blogspot.com/

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