quarta-feira, 13 de julho de 2011

ESQUECERAM DE... SONHO PROIBIDO

Franco Zefirelli é um cineasta que divide a crítica. Já foi muito elogiado pelas transposições para o cinema de peças de Shakespeare e até de famosas óperas, porém, também é muito execrado por causa do forte sentimentalismo presente em seus trabalhos. Ele não busca fazer uma obra de arte com seus filmes, apesar de que o resultado geralmente seja próximo, mas busca fazer um cinema explicitamente mais comercial. Partindo de histórias clássicas que permitam que os personagens transitem em cenários de encher os olhos e vistam belos figurinos, o diretor procura sempre se cercar de um elenco de fora do território italiano visando que suas produções obtenham êxito em qualquer lugar que forem exibidas. Várias delas são de fácil acesso em lojas e locadoras, desde uma antiguidade como Irmão Sol, Irmã Lua até mais recentes como Chá com Mussolini, mas, infelizmente, algumas foram esquecidas, como, por exemplo, Sonho Proibido (1993).


Baseado no romance "Storia de una Capinera", escrito no século 19 por Giovanni Verga, a história se passa na Sicília, na Itália, em uma época em que uma epidemia de cólera ameaçava as vidas de todos os habitantes do local. Por ordem superior, as noviças também são obrigadas a abandonar o convento e retornar para as casas de suas famílias até que não existisse mais o risco de ninguém contrair a doença. Maria (Angela Bettis) é uma destas jovens. Ela vive com as madres desde quando era criança. Para Mathilde (Sinead Cusack), sua madrasta, a volta repentina da enteada não é bem vista, pois ela teme que as tentações do mundo desviem as atenções da moça do caminho que ela estava seguindo até então. Realmente, é muito difícil alguém conseguir se manter afastado da rotina de uma região quando não se está enclausurado, assim, a noviça passa a viver intensamente o cotidiano do vilarejo onde sua família reside e acaba despertando a atenção de um rapaz, Nino (Jonathon Schaech). Com a convivência eles acabam se apaixonando, mas ela não se sente feliz. Sabendo que deverá voltar para o convento para honrar seu compromisso com a religião, ela fica angustiada, pois já não está certa se é isso que quer de verdade para sua vida ao mesmo tempo em que evitar encorajar os cortejos do jovem. De acordo com a educação que teve, ele deve ser a tentação colocada em sua vida para testá-la. 

Ao retornar para o convento quando o perigo da epidemia cessa, Maria recebe a incumbência de cuidar da Irmã Agatha (Vanessa Redgrave, em rápidas aparições), uma freira que enlouqueceu por causa do amor. Pouco tempo depois, ela presencia de longe o casamento de Nino com sua meia-irmã Giuditta (Mia Fothergill). Vendo o homem que ama construindo uma história de amor ao lado de outra e tendo como exemplo o triste destino da madre idosa, a moça se rebela contra o caminho que sua família lhe traçou e foge, indo pedir abrigo justamente na moradia do casal recém-formado.


O roteiro um tanto novelesco não foi um problema para Zeffirelli, já que ele sempre gostou de impor em seus trabalhos uma forte carga sentimental. Aqui o tema ganha um reforço pelo lado psicológico da história. Ao mesmo tempo em que a história é muito romântica também apresenta forte traços dramáticos ao impor à protagonista o dilema de escolher entre desonrar seu compromisso com Deus e ser feliz ou aceitar as imposições da vida na clausura simplesmente para não envergonhar seus parentes. Além do interessante viés, o roteiro ainda retrata o cotidiano do povo siciliano, um elemento muito importante na obra que originou o filme. A reconstituição de época, muito detalhista, prepara o terreno para o drama que é desenvolvido de forma previsível e ganha reforço com a bela fotografia e trilha sonora escolhida a dedo para tocar corações. Talvez se tivesse adotado um tom mais intimista e menos melodramático o diretor alcançaria um resultado mais interessante e consequentemente mais marcante.

Angela Bettis e Jonathon Schaech faziam suas estréias no cinema em grande estilo, mas o tempo passou e confirmou que ambos foram agraciados com um golpe de sorte de principiantes. Zeffirelli, apesar de um currículo repleto de grandes trabalhos, também não é um nome muito lembrado atualmente. Assim, não é de se estranhar que Sonho Proibido ficou esquecido lá nos tempos das fitas de vídeo, mas se o amor clássico de uma história como a de Romeu e Julieta nunca sai de moda, sempre há a esperança de que outros belos romances ganhem sobrevida.

Um comentário:

renatocinema disse...

Sou fã do diretor. Acho que mesmo nos erros ele merece aplausos.

Um mestre cinematográfico

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