quinta-feira, 14 de julho de 2011

FESTIVAL DE FÉRIAS - LOUCA OBSESSÃO

A semana está quase chegando ao fim e hoje a dica é assistir Louca Obsessão (1990), um ótimo suspense que ajudou a popularizar o nome de Kathy Bates. Hoje uma atriz muito conceituada, na época ela acumulava trabalhos pequenos em sua carreira no cinema, mas encontrou no papel de uma ex-enfermeira que sofre de desequilíbrio mental a grande chance para aparecer e aproveitou muito bem a oportunidade, tanto é que foi super premiada pela atuação, incluindo a conquista do Oscar. Para muitos as cenas entre ela e seu companheiro no longa James Caan são memoráveis e talvez nem o diretor Rob Reiner soubesse a repercussão que seu filme teria, já que ele é detentor de uma filmografia irregular e com incursões em diversos gêneros, como a aventura A Princesa Prometida, a comédia com temática infantil O Anjo da Guarda e o tocante Conta Comigo, seu mais famoso trabalho até então.

O longa conta a história curiosa do escritor Paul Sheldon (James Caan). Ele criou a personagem Misery Chastain, mas, para ele, ao mesmo tempo que ela representa sucesso também é um fardo que carrega. A série de livros que escreveu lhe trouxe muita fama e dinheiro, porém também impôs limitações criativas. Por esse motivo, ele fica muito satisfeito quando consegue concluir um novo romance sem nenhum vínculo com a sua mais famosa criação. Para tanto, ele precisou se isolar em um hotel para se inspirar sem interferências, mas, sem que percebesse, alguém o seguiu passo a passo. A ex-enfermeira Annie Wilkes (Kathy Bates) se considera a fã número 1 do autor e mora na região onde ele se hospedou, o que facilitou para espioná-lo.


Quando Sheldon decide voltar para a casa, a estrada está coberta de neve e ele acaba se distraindo e o carro sai da pista ocasionando um acidente. Annie, que o seguia, vê tudo e o ajuda. Ela o leva para casa, presta os primeiros socorros de praxe e quando ele acorda diz que está aguardando a rodovia ser liberada para encaminhá-lo ao hospital. Tudo poderia estar bem até então, isso se o escritor não estivesse imobilizado em uma cama. A princípio, a estranha mulher se mostra muito bondosa, porém ela muda radicalmente quando descobre que Misery, sua personagem favorita, irá morrer no último livro da série. Aos poucos, o autor percebe que sua grande fã na realidade sofre de graves distúrbios mentais. Por viver extremamente sozinha, a mulher do livro é como uma pessoa de carne e osso para ela, a sua única companhia.

Totalmente dependente de Annie neste momento, Sheldon é obrigado a fazer todas as vontades dela, inclusive queimar o manuscrito de seu novo livro e começar a escrever uma nova edição da série "Misery" de acordo com o que ela deseja. O descontrole emocional desta mulher vai aumentando gradativamente e o desfecho desta história nem mesmo o criativo escritor consegue prever. Praticamente é a cultura a serviço da loucura.  As tentativas frustradas do autor tentar fugir do cativeiro são de fazer roer as unhas, assim como as aparições da insandecida mulher que ora é um anjo e em poucos instantes é o demônio em pessoa. Histórias como esta, da admiração de um fã extrapolando limites, já renderam outros títulos de cinema nos mais diversos gêneros e fatos idênticos também ocorrem na vida real envolvendo celebridades. De pessoas simplesmente inconvenientes até outras extremamente violentas que podem até matar por ódio ou amor àquele que tanto idolatra, os históricos dos noticiários estão cheios.


O cultuado Stephen King é o autor de "Angústia", o livro que deu origem à Louca Obsessão e, felizmente, sua obra foi respeitada e seguida ao máximo. Só o nome dele envolvido em uma produção já chama muito a atenção e garante sobrevida a qualquer filme, mas o tempo ajudou e muito este título. Até hoje ele é lembrado como uma das experiências mais angustiantes de todos os tempos do cinema e a interpretação de Kathy Bates é considerada uma das mais viscerais que o Oscar já premiou. Aliás, a longa vida do filme se deve sem dúvidas ao trabalho magnífico desta intérprete que deu a sorte de ficar com um papel antes oferecidos para as experientes e já famosas na época Anjelica Huston e Bette Midler.Vale a pena rever ou viver pela primeira vez esta gratificante e amedrontadora experiência. Este filme é a prova que histórias boas e bem interpretadas são eternas e podem provocar as mesmas reações de outrora.

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