terça-feira, 19 de julho de 2011

FESTIVAL DE FÉRIAS - DON JUAN DEMARCO

Mais uma terça-feira e hoje a dica é assistir o filme que aumentou a fama de galã do ator Johnny Depp. Don Juan DeMarco (1995) atravessa os anos em bom estado, assim como a figura lendária do eterno sedutor, um personagem real que viveu na Espanha. Um dramaturgo oriundo do mesmo país que o conquistador, Tirso de Molina, se inspirou em sua lenda para escrever o drama em versos "O Trapaceiro de Sevilha e o Convidado da Pedra", datado de 1630. A partir deste momento, o don Juan se inseriu definitivamente na cultura européia e a versão cinematográfica tratou de levar sua fama para todo o mundo, apesar de muitos outros títulos terem destacado e perpetuado a imagem dos conquistadores com sangue quente, como a ópera Don Giovanni composta por Mozart e que teve sua versão de cinema produzida no final dos anos 70 explorando o mito de Don Juan Tenório.

O roteiro nos apresenta a um estranho rapaz (Johnny Depp) que insiste em ser chamado de Don Juan DeMarco. Trajando roupas de época e uma máscara negra, ele ameaça se jogar de um edifício, mas a polícia chega a tempo para evitar uma tragédia trazendo a tiracolo o Dr. Jack Mickler (Marlon Brando). O psiquiatra convence o rapaz a lhe contar quais eram os problemas que o levaram a tomar a decisão de acabar com a própria vida. A depressão por perder o seu grande amor é o motivo confessado. Durante dez dias, médico e paciente mantêm contato para decidirem como encaminhar o caso.


No período em que passam juntos, Juan conta ao doutor sua história. Ele nasceu em um povoado no México e, predestinado ao amor, seduziu sua tutora e partiu para uma viagem em seguida. Durante o trajeto, afirma que foi seqüestrado por um bando de piratas, comprado como escravo e trancafiado no palácio de um sultão, onde havia milhares de mulheres a seu dispor. O parecer de Mickler, em um primeiro momento, é de que o rapaz sofre de uma leve insanidade mental, mas à medida que o intenso sentimento romântico do jovem passa a interferir em sua vida, ele já não sabe mais distinguir o que é falso ou real. O contato acaba fazendo com que o médico reaprenda a amar sua esposa Marilyn (Faye Dunaway).


Na época do lançamento, gerou expectativa o encontro entre os atores Johnny Depp e Marlon Brando. O símbolo de homem perfeito do passado dividindo a cena com a figura masculina ideal daqueles tempos chamou muito a atenção. Aliás, foi o próprio Depp quem deu a idéia de Brando fazer o papel do Dr. Micker. A amizade com Francis Ford Coppola, um dos produtores do longa, facilitou a contratação do veterano ator que surpreendeu o público com sua obesidade.


O diretor Jeremy Leven queria fazer um filme envolvendo mulheres e romance, mas com uma pitada de sensualidade. Para tanto ele recorreu ao poema satírico que lorde George Gordon Byron deixou incompleto no século 19. Nesse texto, don Juan, depois de fugir do palácio do sultão, junta-se ao exército russo e é enviado a São Petersburgo para cair nos braços da czarina e depois ser enviado de volta à Inglaterra. Muitos estudiosos consideram este enigmático personagem, que dedicou sua vida às aventuras amorosas, a personificação do desejo e da frustração em relação ao romantismo. Don Juan DeMarco é uma curiosa opção para curtir nas férias, rever ou assistir pela primeira vez o grande Brando em cena e ainda conferir Depp em um dos poucos trabalhos em que aparece de cara limpa, ou quase, já que aqui aparece mascarado.

2 comentários:

M. disse...

Esse filme é lindíssimo! Um dos meus preferidos. Excelente texto.

renatocinema disse...

Um filme meloso, romântico, banal.......e ao mesmo tempo delicioso.

Adoro, apesar dos exageros

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