sábado, 9 de julho de 2011

FESTIVAL DE FÉRIAS - 127 HORAS

Sábado é um excelente dia para assistir a um lançamento. Independente de ver agora ou só mais para frente, a dica de hoje é uma boa opção para qualquer momento, até porque o seu enredo é atemporal. O longa está sendo sugerido por causa de sua narrativa e proposta estética diferenciadas. 127 Horas (2010) é um pequeno drama que galgou os degraus do sucesso e chegou a concorrer aos principais prêmios da temporada, inclusive o Oscar. O cineasta Danny Boyle, que faturou diversos prêmios com Quem Quer Ser um Milionário?, se baseou na história verídica de um rapaz que virou assunto jornalístico no mundo todo ao ficar preso durante cinco dias entre os rochedos do Grand Canyon e ver como única saída amputar o próprio braço. A façanha de sair vivo correu o mundo e era apenas questão de tempo essa lição de superação se tornar roteiro de cinema. E o melhor de tudo, você não vai se debulhar em lágrimas.

Aron Ralston (James Franco) sempre foi apaixonado por esportes radicais e atividades ao ar livre. Em maio de 2003, quando curtia mais um de seus passeios fazendo uma escalada nas montanhas, por um descuido, acaba pisando em falso e cai em uma fenda existente entre os rochedos. Sem ninguém por perto e para piorar com uma rocha prendendo seu braço contra a parede do desfiladeiro, Ralston precisa usar o que tem em sua mochila para conseguir escapar. Quanto mais tenta raspar a pedra, mais parece que ela esmaga seu membro. As horas, os dias passam e sem ter como comunicar a alguém o seu paradeiro e contando com pouca água e apenas algumas bugigangas, a morte parece eminente e o aventureiro passa a fazer uma espécie de diário dos seus últimos momentos com o auxílio de uma câmera.


Durante esse tempo ocioso, Ralston começa a ficar psicologicamente perturbado, passando a lembrar de boas passagens que viveu com a família e amigos e até delirando sobre coisas para o futuro. Quem não se concentrar aqui logo estará considerando o longa uma verdadeira viagem sem nexo algum, pois perderá o fio da meada. A luta do rapaz pela sobrevivência durante mais de cinco dias, ou respectivamente 127 horas, se transforma em uma angustiante e admirável lição de amor à vida, mas ele não saiu ileso da situação.

Franco é um ator jovem cujo trabalho mais lembrado é no filme Homem-Aranha, mas aqui ele prova que é bom ator e que pode segurar bem um filme sozinho, literalmente. O ator aparece solitário em praticamente todo o filme, dividindo seu espaço apenas com a apurada parte técnica, como a colorida fotografia que expõe a imensidão daquele afastado ponto turístico e a frenética edição aliada a um potente som. Tudo no início é pensado minuciosamente para vender adrenalina ao público, que mais tarde acaba contrastando com o silêncio perturbador e as cores sombrias das passagens mais densas. Até um urubu dá o ar da graça para estigmatizar o sofrido momento. Curioso também que as inserções de merchandisings não dão trela nem mesmo quando tudo está dando errado. Chega a ser engraçado ver o esportista lembrando-se de sua garrafinha de isotônico esquecida no carro quando ele tem pouca água para saciar sua sede.


Apesar de parecer trágico, o roteiro nos surpreende com uma visão bem humorada de tal situação. Claro que o protagonista está sofrendo, mas ele transforma a dor em forças para aguentar e seus delírios e pensamentos acabam dando um alívio ao espectador e reafirmando a idéia de que é preciso pensar positivo para sair de dificuldades. Claro que a produção divide opiniões, mas Boyle achou uma maneira alternativa para contar uma história que poderia cair facilmente no dramalhão, porém preocupou-se mais com os detalhes visuais que poderiam ajudar a narrativa do que com a própria profundidade do texto, o que acaba dispersando a atenção. 127 Horas está longe de ser um filme excelente, tem algumas situações que incomodam, mas com certeza ele deve ser lembrado como um belo projeto experimental, afinal de contas não é qualquer um que consegue segurar um longa com praticamente um único ator em cena o tempo todo, extrair dele uma de suas melhores interpretações e ainda transformar recursos técnicos em peças importantes para a construção do enredo. Com a publicidade do Oscar, uma opção certeira para as férias.

Um comentário:

renatocinema disse...

Adorei o filme e sua intensidade.


Por não cair no dramalhão barato é que mais me encantou.

Filme começa com super energia, com belas imagens, segue para o sofrimento e o vazio, até concluir com a luta pela sobrevivência.

Costumo apreciar tudo do diretor e aqui não foi diferente.

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