sábado, 2 de julho de 2011

FESTIVAL DE FÉRIAS - A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA

Neste sábado, nada melhor que aproveitar o clima frio que faz a noite nessa época do ano para curtir um filme de terror, mas não qualquer título. Tem que ser um que tenha diversos elementos assustadores, como atmosfera e trilha sonora de arrepiar, e ainda conte com excelentes atores sendo comandados por um verdadeiro mestre em lidar com a fantasia e totalmente a vontade em um ambiente gótico. Assim a dica é ver A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça (1999), protagonizado por Johnny Depp e com a direção de Tim Burton. Não dá para imaginar outra dupla para ocupar tais vagas depois que você vê essa obra-prima do gênero. Sem precisar extirpar corpos a olhos nus, o cineasta conseguiu fazer um trabalho amedrontador e com classe.

Baseado no conto clássico de Washington Irving, logo no início você tem certeza que está vendo um trabalho legítimo de Burton e com um charme amedrontador que nos remete a produções antigas de terror, daquelas com castelos, nobres, plebeus e grandes mistérios do além. Muita neblina, árvores grandes secas e com galhos retorcidos e até uivos de coiotes ajudam a compor uma ambientação perfeita de uma cidade isolada, triste e misteriosa e, consequentemente, levar o espectador a uma viagem sobrenatural junto com o investigador Ichabod Crane (Johnny Depp). Cético e devotado completamente à ciência, ele não acredita na possibilidade de estarem ocorrendo crimes envolvendo uma entidade de outro plano que aparece a noite para decepar cabeças. Isso até ele ser enviado para a cidade de Sleepy Hollow.


A população do estranho vilarejo está sofrendo com a onda de mortes que vem ocorrendo e acreditam realmente na tal lenda do Cavaleiro sem Cabeça, o homem que volta da morte todas as noites em busca de seu crânio. A princípio, Crane tenta encontrar soluções lógicas para o caso estudando as relações existentes entre as vítimas, isso até que ele próprio se depara com a criatura de verdade. O investigador contará com a ajuda de Katrina Van Tessel (Christina Ricci), uma misteriosa jovem que tem uma ligação secreta com o sobrenatural, para desvendar tudo o que está acontecendo, mas, conforme avança no caso, descobre que a moça pode ser a peça-chave de tudo e ao mesmo tempo a próxima vítima.

Esta é mais uma produção impecável de Burton que recorreu a trucagens artesanais para criar as aparições do Cavaleiro e fez tudo com um padrão de qualidade similar ao da Hammer, uma produtora inglesa de filmes de terror baratos que fez história nos anos 70 e que tinha como uma das principais estrelas do seu casting o ator Christopher Lee, muito lembrado por dar vida muitas vezes ao Drácula. Aliás, ele próprio participa aqui abrilhantando ainda mais o excepcional elenco que reúne Michael Gambon, Casper Van Dien, Jeffrey Jones e Miranda Richardson, esta em um papel importante e crucial para o final. Christopher Walken, especialista em fazer tipos estranhos, assume aqui o papel do Cavaleiro, mas aparece em poucas cenas e sem falas, apenas grunhindo. Mesmo assim, de fundamental importância sua aparição, ainda mais contando com seu visual exótico. Como costuma fazer em suas obras, o cineasta acaba dando um jeito de jogar um olhar contemplativo em cima da figura do mal, reforçando a idéia de que o vilão seria um ser marginalizado, uma vítima da sociedade.


Na época de seu lançamento nos cinemas brasileiros, o filme recebeu indicação para ser liberado apenas para maiores de 18 anos, mas na realidade não apresenta nada demais perto de outros títulos do gênero de terror lançados nas duas últimas décadas. É quase um conto de fadas se compararmos a violência explícita e gratuita oferecida por Jogos Mortais, por exemplo. Talvez a cena mais chocante seja a do Cavaleiro indo em busca de sua cabeça e exterminando toda uma família, inclusive uma criança, mas tudo filmado de forma estilosa e com citações para a fácil compreensão, sem precisar apresentar os fatos de forma nua e crua. Assim é A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça: um terror elegante e artístico que assusta na medida certa e que leva em cada fotograma a inegável assinatura de seu criador. Quem acredita que só existe arte em dramas e romances europeus, eis a chance de rever os conceitos.

Um comentário:

Rafael W. disse...

Com certeza, um dos melhores de Tim Burton.

http://cinelupinha.blogspot.com/

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