quinta-feira, 28 de julho de 2011

FESTIVAL DE FÉRIAS - 15 MINUTOS

A imprensa a favor do espetáculo. O criminoso se transformando em artista. Esses temas são recorrentes na atualidade, mas o cinema prova que eles já estão presentes na cultura mundial há anos. Certamente a exploração da imagem de um bandido a ponto dele ser elevado a posição de celebridade ou ainda há maneira como os jornalistas assediam os envolvidos a favor da lei e da ordem, como os policiais e investigadores, causam repúdio em muita gente e isso deve ter levado o diretor a escolher o assunto para enfocar no thriller de ação 15 Minutos (2001). Cheio de boas intenções, ele conseguiu construir um longa que prende a atenção com um roteiro com boas idéias, mas que não se aprofunda na discussão do tema principal, mas nada que atrapalhe o espetáculo, afinal o longa foi projetado para atender as grandes platéias e tem caráter estritamente comercial.

A história começa com dois corpos encontrados em um edifício incendiado e segundo Jordy Warsaw (Ed Burns), o jovem investigador do Corpo de Bombeiros, o fogo foi estratégico para camuflar um duplo assassinato. Destacado para o caso, Eddie Flemming (Robert De Niro), famoso detetive de homicídios, une-se ao jovem investigador para juntos solucionarem o crime, porém, enquanto o veterano há tempos aprendeu a lidar com a forma que a mídia trata as tragédias, o novato detesta a presença de câmeras e microfones nas áreas dos crimes. Um tanto convencido, o tira aproveita seu contato próximo com os jornalistas, principalmente com o sensacionalista Robert Hawlings (Kelsey Grammer), para aparecer nas situações como o mocinho.


As investigações do incêndio levam a crer que ele foi provocado por Emil (Karel Rodes) e Oleg (Oleg Taktarov), um de origem tcheca e o outro russa, que chegam aos EUA a fim de receber uma quantia em dinheiro deixada com um amigo na última vez em que tinham se encontrado. Quando descobrem que ele gastou todo o dinheiro, um deles o mata enquanto o outro filma tudo com uma câmera portátil, roubada, é claro. Percebendo a repercussão do caso, a dupla de criminosos passa a filmar suas ações e mandar as fitas para um programa de TV, assim conquistando seus minutos de fama. Dessa forma, o desenrolar dos fatos ocorre conforme as decisões deles e os investigadores ficam praticamente reféns e esperando alguma brecha de descuido para contra atacá-los.

Mesmo costurando vários clichês, o cineasta Herzfeld conseguiu um bom resultado realizando cenas com altas doses de ação e violência, além de uma morte inesperada na metade do filme, uma ousadia que beneficia um roteiro que tinha tudo para ser mais do mesmo. O próprio tema mídia versus fatos já rendeu obras como Assassinos por Natureza O Quarto Poder. Com a desculpa de que estão fazendo apenas as suas obrigações, os membros da imprensa muitas vezes atuam de forma equivocada e podem mudar histórias tanto para o bem quanto para o mal. No Brasil é muito comum apresentadores de programas sensacionalistas meterem demais o bedelho e realmente muito bandido ganha status de celebridade. Pior ainda quando o criminoso em questão já é famoso. São colocados panos quentes e em pouco tempo eles já estão absolvidos tanto pelo público quanto pela justiça. Chegamos ao ponto de investigadores, policiais, advogados e psicólogos especializados em mentes perturbadas largarem seus habituais lugares de trabalho para assumirem lugar cativo na TV para debaterem tais temas. Aliás, alguns fazem malabarismos e conseguem fazer o mesmo assunto render por mais de um ano, até porque a própria justiça caminha a passos de tartaruga para apresentar soluções. Boa parte do público, por sua vez, é um tanto sugestionável e aceita todas as informações que recebe sem questionamentos e a mídia deita e rola em cima de seus membros.


O filme 15 Minutos peca justamente por não se aprofundar na questão da influência da imprensa sensacionalista e seus desdobramentos, apesar do diretor pretender fazer um retrato realista de como as coisas acontecem. Infelizmente ele ficou no meio do caminho, mas nada que enfraqueça seu trabalho. Obviamente, do ponto de vista mais crítico, o longa pode ser considerado ruim ou regular, já que não traz nada de original tanto no enredo quanto tecnicamente. Porém, como cinema comercial, é uma excelente opção, bem acima da média, mas que não teve a devida atenção quando lançado. Culpa da crítica que malhou o filme injustamente analisando-o como se ele tivesse a obrigação de mudar o mundo. Vejam só, mais uma vez a imprensa dando seus pitacos e influenciando opiniões. No caso, influenciou de forma negativa para o produto. Assista e tire suas próprias conclusões.

Um comentário:

renatocinema disse...

A ousadia da morte que acontece na metade do filme, em minha visão, foi o único lance que merece elogios no filme.

No resto.....achei meio comum.

Mas, um bom passatempo.

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