sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

FESTIVAL DE FÉRIAS - UMA NOITE FORA DE SÉRIE

Hoje é sexta-feira e muita gente certamente pensa em sair da rotina e fazer alguma coisa diferente, como jantar em um restaurante, mas nem sempre essa idéia pode funcionar. Isso é o que provam Steve Carell e Tina Fey com a comédia Uma Noite Fora de Série (2010), uma produção muito agradável e que sabe fazer piadas mais picantes sem deixar o espectador constrangido. O diretor Shawn Levy certamente recrutou seus protagonistas influenciado pelo bom desempenho deles em seriados de TV, respectivamente "The Office" e "30 Rock". Escolados em humor estilo nonsense, ele já é velho conhecido no Brasil pelo seu desempenho em longas metragens, mas a sua parceira precisava de alguma comédia boa no currículo de cinema para fixar seu nome e aqui ela tem a chance. Eles formam um casal com muita química e são capazes de provocar risadas apenas pelas trocas de olhares, mas felizmente o texto os ajuda a divertir o público com uma premissa bem interessante e até bem desenvolvida, fora algumas cenas de humor mais forçadas ou um momento vamos discutir a relação quando a confusão está armada e pegando fogo, o que acaba dando uma quebrada de ritmo considerável.
 
Os títulos dados no Brasil aos filmes estrangeiros costumam não agradar, mas neste caso cai como uma luva. Phil (Carell) e Claire Foster (Tina) formam um casal que ainda são muito apaixonados, mas há muito tempo vivem na rotina e só pensam em trabalho e nos filhos. Certa noite eles decidem fazer um programa diferente numa sexta-feira e ir jantar em um badalado restaurante de Nova York onde é preciso fazer reserva com antecedência, um detalhe que eles se esqueceram. Porém, como existe jeito para tudo, eles decidem dizer que são os Triplehorn, um casal que fez reserva de mesa, mas não apareceu no horário marcado. Eles aproveitam um bom jantar até que são interrompidos por dois misteriosos homens que os levam para fora do local. Inicialmente eles pensam que vão levar alguma bronca por terem pegado a mesa de outros, mas descobrem que eles acabaram assumindo a identidade de chantagistas que estão metidos em uma encrenca por possuírem um pen drive com fotos comprometedoras de uma pessoa influente. Tentando se livrar da situação, eles afirmam que estão com o tal objeto escondido em um ponto turístico e quando chegam lá dão um jeito de fugir, mas a cada novo passo eles se complicam ainda mais. A partir daí tiroteios, perseguições e planejamentos estratégicos entram em cena.
 
O filme realmente é bem engraçado tanto nos diálogos quanto em gags visuais, mas é certo que o roteiro parece não saber direito qual tipo de tom seguir. No início parece que temos uma comédia bem estilo família pela frente, mas nas cenas passadas no restaurante já percebemos que a coisa é um pouco mais picante. Ora eles parecem dois cegos perdidos em um tiroteio sem saber como agir e ora aparentam ser verdadeiros detetives particulares com habilidade para disfarces e tudo o mais. Para quem embarca facilmente no clima, são pontos até imperceptíveis, afinal o importante aqui é dar risada, mas não deixa de ser incômodo o velho clichê dos vilões patéticos batendo ponto, tendo o ápice em uma sequência em uma casa noturna daquelas que adolescente não pode entrar. Tina e Carell protagonizam uma cena bizarra de show erótico para o deleite de um canalhão com cara e jeito de bocó. Bem, humor visual e caras e bocas dos intérpretes já são esperado da direção de Levy, o mesmo que comandou Steve Martin em Doze é Demais e Ben Stiller em Uma Noite no Museu, assim também não é de se espantar que as sequências que tentam dar uma dramaticidade a história do casal estejam jogadas durante todo o longa e separadas por cenas de ação e piadas, sendo a mais frequente a falta de camisa de Holbrooke, vivido por um malhado Mark Wahlberg que tira o fôlego da recatada mãe de família e desperta o ciúmes de seu marido. É até espantoso que o ator depois de estrelar tantas produções importantes de ação e aventura tenha aceitado um papel coadjuvante nesta comédia, mas vamos encarar isso como humildade de sua parte.
Quem também faz uma ponta no longa, mas praticamente está irreconhecível, é James Franco como o verdadeiro senhor Triplehorn. Quem esperava ver um homem de idade com pinta de mafioso se surpreende ao ver que o tal chantagista é um rapaz que adora gírias e se vestir como adolescente, o mesmo estilo de sua senhora vivida por Mila Kunis. Mas sem dúvida é Carell e Tina que carregam o filme nas costas com muita naturalidade e piadas que até parecem improvisadas algumas vezes, como na cena em que estão jantando no restaurante e criticando e se divertindo à custa de outros casais. Porém, é óbvio que não há talento no mundo que nos faça crer em certas passagens inverossímeis. Por que cargas d'águas os Forbes resolveram ir procurar os verdadeiros Triplehorn ao invés de darem no pé na primeira oportunidade e voltarem para casa? Bem, analisar desse jeito é ser muito chato mesmo. É comédia e esses absurdos são perfeitamente aceitáveis, mas trabalham negativamente em favor do trabalho quando ele passa pelo crivo dos críticos.
No conjunto, os diálogos rápidos, muita adrenalina e as piadas de duplo sentido funcionam bem, ainda que o longa possa decepcionar aqueles que já viram o trailer. É muito comum o erro das distribuidoras em selecionar o que há de melhor nas comédias e entregar de bandeja no material publicitário. Assim, resta ao espectador ficar na expectativa de ver quando a sua cena preferida vai aparecer e em poucos segundos ela desaparece na tela. Mesmo assim, esse é um detalhe que não compromete uma sessão-pipoca em família ou com amigos, afinal desde o momento que lemos a sinopse já sabemos como tudo irá acabar. Uma Noite Fora de Série não é uma coisa de outro mundo como o título sugere, mas cumpre seu papel de divertir, é mais um destaque para o currículo bem humorado de Carell e apresenta de forma digna mais uma comediante para os brasileiros e o mundo todo virar fã. Fique atento: para quem quer prolongar o riso, não perca os créditos finais que incluem algumas cenas deletadas. Por elas dá para perceber que improviso é a alma deste negócio. Seguir literalmente um roteiro mirabolante é para quem deseja conquistar críticos e prêmios e isso os protagonistas já conseguiram com seus trabalhos na TV. Cinema para eles é para relaxar. Siga o exemplo e viva também esta noite fora de série.

Um comentário:

Luís disse...

Eu realmente quero assistir a esse filme, embora eu fique levemente descontente com as obras de Steve Carell, sendo a única exceção, até o momento, Crazy, Stupid, Love. Alguma coisa me diz que esse filme é bem divertido, talvez seja Tina Fey, ainda que eu não conheça muito do trabalho dela.

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