quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

FESTIVAL DE FÉRIAS - EU, MEU IRMÃO E NOSSA NAMORADA

De tempos em tempos surge algum nome no mundo do cinema que chega para pegar o lugar, ou melhor, herdar a vaga deixada ou que será deixada por algum intérprete. Isso é natural e o próprio público trata de eleger os privilegiados. O problema é quando o provável substituto tem praticamente a mesma idade que o atual ocupante do posto. Este é o caso de Jim Carrey, sempre um sinônimo de comédia e alegria, que está longe de pensar em se aposentar, mas tem seu trono de rei do riso ameaçado pela grande popularidade que conquistou nos últimos anos o ator Steve Carell. Outrora conhecido por seu trabalho em seriados de TV, o cara foi descoberto tardiamente pelos diretores de cinema, mas vem emplacando consecutivos sucessos, embora alguns só ganhem a atenção dos espectadores quando lançados em DVD como é o caso de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (2007). 
Dan Burns (Carell) é um pai viúvo e escritor de uma coluna que dá conselhos familiares, mas ele mesmo tem uma vida familiar conturbada. Ele insiste na tentativa de colocar ordem na vida de suas três jovens filhas rebeldes enquanto tenta fugir de qualquer coisa inesperada que possa acontecer. Quando viaja para encontrar seus familiares, por um acaso ele conhece em uma livraria Marie (Juliette Binoche) e se apaixona imediatamente. A recíproca parece positiva também. Dan chega feliz da vida na casa de seus pais e todos desconfiam que o motivo de tanta alegria é um novo amor, que, aliás, é o motivo da tal reunião familiar. Seu irmão mais novo Mitch (Dane Cook) vai apresentar sua nova namorada que, para o espanto de Dan, é a própria Marie. Agora, os envolvidos nesse triângulo amoroso irão conviver durante um final de semana e colocar à prova os sentimentos de Marie.
 

Inicialmente o roteiro dá uma enganada no público fazendo-o pensar que esta é mais uma comédia sobre um pai solteiro tendo que se adaptar a vida moderninha e aos costumes de suas filhas adolescentes. Bem, não deixa de ser também. Porém, o foco principal é bem mais interessante. É colocado em discussão em meio a muitas piadas faladas e visuais se vale a pena abrir mão da própria felicidade em detrimento de outra pessoa que para você também é importante.  Equilibrando-se entre a comédia e o drama leve, Carell se sai muito bem na pele de um quarentão conformado com sua vida pacata, mas que deseja mudar isso a partir do momento que sente seu coração bater mais forte pela personagem de Juliette que surpreende no campo do humor, já que sua imagem está muito atrelada aos dramas e longas independentes. Se esse casal é totalmente crível, o mesmo não se pode dizer do segura velas da relação. Cook está muito exagerado, caricato e praticamente repetiu o papel que fez em outros filmes da mesma temporada (Maldita Sorte e Amigos, Amigos, Mulheres à Parte): o cara que se acha o gostosão e pega todas. Seria ele um ator com talento limitado? Até o momento é o que prova.
O diretor Peter Hedges estreou com Do Jeito Que Ela É e mais uma vez prova que sua praia é mesmo o gênero comédia romântica, porém, aqui ele se destaca por realizar um trabalho bem acima da média e livre para todos os públicos, coisa rara atualmente quando a idéia é unir humor e romance. Com piadas leves e sem apelar para cenas e falas constrangedoras, o longa é envolvente, divertido, emociona e deixa no ar um clima de fim de semana com a família muito legal. Claro que o filme também é repleto de clichês, a começar pelo viés do triângulo amoroso explicitado no título nacional que francamente dá uma outra idéia sobre a obra. Adolescentes podem se entusiasmar e já começar a pensar bobagens, mas podem se decepcionar com o conteúdo. Talvez se identifiquem com o irmão garanhão, podem até achar legal o quarentão, mas certamente irão se perguntar o que há de tão atraente na mocinha da trama para haver uma disputa pelo seu amor. Ela não tem uma beleza estonteante, tampouco um corpo esculpido em academia ou moldado em silicone, mas é carinhosa, tem uma fala doce e mansa, inteligente, enfim, o tipo ideal para se apresentar a família. Não é a toa que o namorador Mitch se decidiu por ela para finalmente sossegar da vida de curtição.
Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada é um grande exemplo de um novo subgênero que tem ganhado força nos últimos anos. Os produtores, estúdios, diretores e todos os demais envolvidos no ramo do cinema parecem que finalmente abriram os olhos e enxergaram que adultos também gostam de dar risada e estão fazendo produtos específicos para esse tipo de público, com tramas mais maduras e humor um pouco mais refinado. E Carell surge então como um expoente desse novo campo cinematográfico, atuando de forma verossímil e longe das caretas e trejeitos que fazem a fama de Carrey, embora vez ou outra até sentimos essa essência em suas interpretações. De qualquer forma, esta comédia é uma ótima pedida para ver com toda a família e sem constrangimentos.

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