quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

FESTIVAL DE FÉRIAS - O SOM DO CORAÇÃO

Todo o fim de ano é inevitável sentirmos algumas vezes, principalmente perto das datas festivas, uma certa melancolia e tristeza. É normal já que estamos mais propícios a lembrar do passado, da família e dos amigos. Dessa forma fica quase impossível não recorrermos aos filmes com temáticas parecidas para manter o clima de emoção. Nos últimos anos surgiram vários títulos que são fortes candidatos a se tornarem clássicos para serem assistidos nesta época. O Som do Coração (2007) pode ser um deles. Apreciado pelo público, mas rejeitado pela maioria dos críticos por acharem uma história repleta de clichês e desnecessária, o longa era um dos cavaleiros solitários do Oscar 2008 que saiu vitorioso. Concorrendo apenas ao prêmio de Melhor Canção, a produção não levou a estatueta, mas consagrou-se como a obra de maior e melhor repercussão entre os espectadores comuns daquela safra e até hoje é procurado em locadoras e para venda. Ele faz parte de um seleto grupo de filmes que todos os anos lança pelo menos um expoente que chega tímido às premiações, mas surpreende e se torna tão ou mais famoso que os grandes vencedores da temporada.


A história é muito simples e não esconde o objetivo de querer emocionar o espectador do início ao fim, tanto é que o protagonista é uma criança, artifício infalível para tocar os corações das platéias. Evan (Freddie Highmore) foi criado em um orfanato e possui um dom para lidar com música impressionante. Tal habilidade está em sua genética. Ele é filho da violoncelista Lyla Novacek (Keri Russell) e do roqueiro Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers), porém, nunca os conheceu. O casal se apaixonou a primeira vista, mas o romance foi interrompido pelos pais da moça. Cada um seguiu seu caminho, mas sem se esquecer um do outro. Evan nunca perdeu as esperanças de encontrá-los e por isso foge do abrigo em que vive e parte para Nova York. Na cidade grande e agitada, ele acaba conhecendo Wizard (Robin Willians), ou simplesmente O Mago, um homem que vive de explorar o talento musical de menores e que decide investir neste seu novo achado. O garoto é rebatizado de August Rush e parece ter um futuro promissor tanto na vida pessoal quanto na profissional. A própria música é que vai se encarregar de unir o destino desta criança com os de seus pais.


Justamente pelo eminente final feliz indicado por situações previsíveis e esquemáticas, este filme não ganhou a atenção da crítica, mas no boca-a-boca fez sua fama. Baseado em uma história de Paul Castro e Nick Castle, obviamente esta não é uma obra para quem curte adrenalina ou morrer de rir. É um drama que também não foi feito para aqueles que gostam de quebrar a cabeça para compreender uma história ou que apreciam acompanhar personagens em longos momentos de contemplação ou lamento. Simplesmente, foi feito para agradar as pessoas que buscam mensagens positivas e de esperança. Por mais raso que seja o enredo e seu desenvolvimento, é uma obra que dá um sopro de esperança para aqueles que estão entristecidos ou serve para reunir a família no sofá e fortalecer estes laços, ainda mais nesta época natalina. Um pouco mais de empenho na construção do roteiro para alinhavar as situações poderia ter elevado esta obra a um patamar mais confortável. As quase duas horas de duração são bem recheadas, sem o famoso "encher linguiça", mas é nítido que algumas passagens são rápidas demais, como o envolvimento relâmpago do jovem casal de músicos, e outras inverossímeis, como o fato de uma criança ser aceita em uma conceituada escola de música até chegar a ter a honra de reger uma orquestra. Mas esses são detalhes mínimos quando a atenção e o coração já foram fisgados, principalmente pela atuação sincera e vigorosa do menino prodígio Freddie Highmore que deixa transparecer em seus olhos claros o fascínio de seu personagem pelas melodias.

A diretora irlandesa Kirsten Sheridan não arrisca muito em seu trabalho. Ela usa a câmera de maneira comum e em alguns momentos usa ângulos que se casam perfeitamente com os momentos mais estridentes da trilha sonora, esta sem dúvida bem empregada e responsável por momentos marcantes. É impossível não se lembrar do talentoso Jonathan Rhys Meyers soltando a voz ao som de uma balada romântica ou se emocionar com uma garotinha cantando uma bela canção com o coral da igreja justamente na hora em que o protagonista está precisando de uma palavra de apoio para ter forças para ir atrás de seus objetivos. Aliás, não menosprezando o trabalho dos atores, valendo um destaque para Robin Willians que aqui está menos caricato que de costume e até deixa no ar uma dúvida se ele é do bem ou do mal, o personagem principal deste longa é sem dúvida a música. Ela está presente todo o tempo e qualquer barulho é transformado em melodia, já que a certa altura acabamos acompanhando a história com os olhos atentos de Evan.


Podem dizer que O Som do Coração é piegas e totalmente esquecível, mas para o público a quem ele se destina é uma obra excelente, com romantismo, simplicidade e certa ingenuidade. É a prova que uma sinopse envolvente, atores competentes e até mesmo uma direção um tanto convencional são os ingredientes necessários para uma produção de sucesso. A história batida e manjada torna-se tão gostosa quanto uma receita que mesmo estando cansados de saber o sabor não resistimos em provar mais e mais. Um filme perfeito para o Natal e que reforça a idéia de que família unida ou ao menos os sentimentos que as une, ainda que a distância, são as coisas mais importantes para fazer um ser humano feliz. Se você é do tipo durão, que não dá o braço a torcer e foge de títulos melosos e com a palavra coração, aproveite que é tempo de se emocionar e permita-se a viver essa experiência que renova as esperanças de qualquer um e aproveite e inspire-se para conquistar seus objetivos no próximo ano.

Um comentário:

Luís disse...

Eu honestamente acho que esse é um dos filmes mais pedantes e apelativos a que eu já assisti. Não consigo engolir essa de nos querer fazer chorar o tempo todo com atores e enredo que não são capaz de criar drama.

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