quinta-feira, 2 de junho de 2011

MERYL STREEP, SINÔNIMO DE SUCESSO


Não há como falar de Oscar sem lembrar-se dela, a grande dama Meryl Streep. Simplesmente ela é um exemplo de dedicação à carreira e com um currículo invejável com grandes sucessos, produções cults e alguns poucos fracassos. Ela já não é mais jovenzinha na caretira de identidade, mas no aspecto físico e no espírito alegre engana muito bem e parece ter alguns bons anos a menos. Criada em Nova Jersey, sempre gostou de artes e direcionou seus estudos para esta área. Sua carreira começou nos palcos onde rapidamente teve seu trabalho reconhecido e premiado.

Estreou na televisão em 1978 na série Holocausto, pela qual ganhou o Emmy de Melhor Atriz. Um ano antes ela fez sua estréia cinematográfica em Julia e demonstrou empatia imediata com as câmeras e trabalhou com grandes atores e atrizes como Robert De Niro em Amor à Primeira Vista (1984), Shirley Maclaine em Lembranças de Hollywood (1990), Diane Keaton em As Filhas de Marvin, entre tantos outros. No seu currículo também há trabalhos de conceituados diretores como Woody Allen em Manhattan (1979), Sidney Pollack em Entre Dois Amores (1985), Hector Babenco em Ironeweed (1987) e teve a honra de ser escalada para o último filme de Robert Altman com título sugestivo de A Última Noite (2006).

Conhecida por ser muito rigorosa nas composições de seus personagens, em todas as produções que participa Meryl consegue deixar sua inegável marca de talento e nunca precisou se despir para fazer sucesso. Desde o início da carreira no cinema ela concorreu e ganhou diversos prêmios interpretando mulheres fortes enfrentando problemas em família ou amorosos. Foi premiada no Festival de Berlim por As Horas (2002), onde viveu uma homossexual. Consagrou-se no Festival de Cannes por Um Grito no Escuro (1988) como uma mulher acusada e perseguida por causa de um assassinato. Ganhou o BAFTA com A Mulher do Tenente Francês (1981), interpretando uma atriz e sua personagem dentro de uma produção fictícia, além de receber outras onze indicações. No Globo de Ouro foram sete prêmios e mais dezessete menções. Em 2002 ganhou um prêmio honorário no César, famosa premiação francesa, um reconhecimento pelo conjunto de sua obra.

Meryl também é a recordista de indicações no Oscar tanto entre as mulheres quanto entre os homens e nunca ficou mais que cinco anos sem figurar na lista das indicadas ao prêmio.  Foram dezesseis indicações que renderam duas estatuetas. Foi a Melhor Atriz Coadjuvante por Kramer vs. Kramer (1979), no qual deu vida a uma mulher que abandona a família e algum tempo depois reaparece reivindicando os filhos. É tão protagonista quanto Dustin Hoffman, mas acabou na categoria secundária nas premiações para aumentar suas chances de ser premiada. Três anos depois, subiu ao palco da festa novamente para agradecer o Oscar de Melhor Atriz por A Escolha de Sofia (1982) em que interpretou uma polonesa dividida entre dois amores e cheia de segredos. Aliás, ela é a única mulher até hoje que conseguiu ganhar os quatro maiores prêmios de cinema e TV, mas exala simplicidade e alegria, algo que não se espera de alguém na sua posição. É perceptível que ela aprendeu a lidar com a fama e com seu status. No início da carreira ela evitava exageros nas premiações e hoje se comporta praticamente como uma anfitriã e distribui beijos aos montes.

Momentos difíceis ela também passou. A comédia Ela é o Diabo (1989) é considerado seu pior filme, mas não é culpa da atriz. O roteiro muito escrachado talvez não combine com seu poder de interpretação e na verdade ela acabou rivalizando com sua companheira de cena Roseanne Barr, uma famosa comediante dos EUA na década de 80. Na mesma época, se envolveu em polêmicas por evitar encontros com a cantora e atriz Madonna. Figurinha fácil no Oscar, ela não compareceu na festa em que estava concorrendo mais uma vez em 1991 e dizem que o motivo foi a presença da loira do pop que ia cantar uma das canções concorrentes. Meryl tentava conquistar o papel de Evita Perón em um musical. Anos mais tarde o filme foi feito com outro diretor e a cantora assumiu o papel título. Também no início da década de 90 a atriz desejava viver o papel de Samantha na versão cinematográfica do seriado A Feiticeira. Mais de uma década passou e a produção acabou sendo protagonizada por Nicole Kidman.


Bons papéis

Enquanto muitas jovens que fizeram sucesso entre as décadas de 70 e 80 hoje vivem de pequenos papéis em seriados de TV, pontas no cinema ou até mesmo abandonaram a carreira, Meryl já passa da casa dos 60 anos e continua firme e conseguindo papéis desafiadores e importantes. Sem preocupação com vaidade, ela encarnou diversos personagens nos últimos anos e se empenhou para entregar excelentes trabalhos.

Ela foi uma professora em Música do Coração (1999), viveu um papel atípico em sua filmografia e cômico em Adaptação (2002), gostou da comédia e investiu no papel de psicóloga problemática em Terapia do Amor (2005), foi uma freira rancorosa em Dúvida (2009) e recriou a excêntrica cozinheira Julia Child em Julie e Julia (2010). Meryl também renovou seu público ao encantar as platéias mais novas como a carrasca editora de moda Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada (2006) e ao soltar a voz e dançar na pele de Donna em Mamma Mia! (2008), uma divertida moradora da Grécia as voltas com os preparativos do casamento da filha e as lembranças do passado.

Com seu nome atrelado aos papéis dramáticos, ela teve coragem para ir em busca de personagens mais desafiadores e até mesmo caricatos muito tempo antes destes citados. Viveu momentos hilários ao lado de Goldie Hawn em busca da juventude em A Morte lhe Cai Bem (1993), encarou a força da natureza nas águas em Rio Selvagem (1994) e caprichou no figurino e na paranóia da tia cheia de preocupações em Desventuras em Série (2004).

Em 2011 seu desafio foi interpretar a ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher em A Dama de Ferro. Antes mesmo do lançamento do filme, muitos já apostavam que Meryl poderia conquistar sua 17º indicação ao Oscar. Quando até mesmo a própria deveria acreditar que a Academia de Cinema no máximo iria premiá-la com um troféu pelo conjunto da obra, eis que ela sobe mais uma vez no palco para colocar as mãos em sua terceira estatueta dourada disputando como nomes de peso. Será que ela irá ainda se igualar ao recorde de Oscars da super premiada Katharine Hepburn. Falta apenas mais um troféu, e olha que ela não pensa em se aposentar tão cedo. Ainda bem.

2 comentários:

Ana disse...

Admiro muito o trabalho da Meryl Streep... Já vi muitos filmes com ela, e em todos me surpreendo com sua capacidade de interpretar a personagem como se fosse mesmo real.
É uma atriz completa: que faz tanto drama como comédia muito bem.
Pra mim, o melhor filme e a melhor atuação dela foi em "A Casa dos Espíritos".
Ela realmente me convenceu com aquele jeito especial da Clara.
Se vc não viu esse filme ainda, Guilherme, assita!! É imperdível. :D
Bjs ;)

renatocinema disse...

Parabéns.....se alguém merecia um texto desse era essa atriz diferente, talentosa e que preenche todos os requisitos para estar entre as maiores de todos os tempos.

Meryl Streep é sinônimo de qualidade e perfeição.

Amo seu trabalho em A Escolha de Sofia. Filme tenso, duro, sofrido e emocionante.

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