quinta-feira, 9 de junho de 2011

COLIN FIRTH, O TALENTO INGLÊS EM CENA


Quando assistimos a filmes antigos certamente nos deparamos com atores hoje famosos, mas na época fazendo pequenas pontas ou até mesmo com um personagem respeitável, porém sem brilho, apenas um coadjuvante de luxo que acabou tendo seu talento apagado diante ao apelo dos protagonistas junto ao público. Alguns artistas se sentem péssimos nessa situação enquanto outros aproveitam para fazer seu trabalho com vontade e dignidade e acabam conquistando seu espaço e mesmo quando tem em mãos papéis secundários eles não deixam se abater. O talentoso inglês Colin Firth se encaixa perfeitamente nesta situação. Com um currículo repleto de excelentes trabalhos, ele é aquele intérprete que você tem certeza que já o viu em algum lugar, sabe que trabalha bem, porém pode lhe fugir os nomes dos filmes que fez.

Firth viu sua carreira dar uma guinada nos últimos anos, quando começou a realizar trabalhos que conquistaram a atenção do público e da crítica. Com pouco mais de cinquenta anos de idade, o ator mantém um ar de jovialidade, mas ao mesmo tempo um porte de galã de meia idade, assim ele consegue transitar muito bem em diversos papéis, apesar de que seu território seguro são os gêneros mais românticos. Não por acaso, a rosto de bom moço faz com que ele seja escalado geralmente para ser o mocinho das histórias ou o cara boa praça.

Ator com formação teatral, Firth é um veterano nas telas de cinema, televisão e nos palcos. Sua versatilidade tem sido reconhecida em diversas premiações e festivais e sua agenda andou bem ocupada nos últimos tempos. A carreira começou a deslanchar quando participou da série de TV "Orgulho e Preconceito" em 1995. Porém, ele estreou nos cinemas com o filme Another Day (1984) ao lado de Rupert Everett, com quem voltou a contracenar quase vinte anos depois em Armadilhas do Coração (2002), onde os dois disputavam o amor de Reese Witherspoon. Outro repeteco foi com o ator Hugh Grant nas comédias O Diário de Bridget Jones (2001) e sua sequência, novamente tentando conquistar a protagonista, desta vez vivida por uma rechonchuda, propositalmente, Renée Zellweger. Na época destes longas, o inglês já era reconhecido por seus papéis em comédias românticas, após passar por papéis secundários em O Paciente Inglês (1996) e Shakespeare Apaixonado (1998).

Muito versátil, em 2005, o ator atuou em duas produções bem distintas. Interpretou um viúvo com uma prole de filhos endiabrados e a procura de uma nova mulher no infantil Nanny McPhee - A Babá Encantada. Também participou de Verdade Nua, dividindo a cena com Kevin Bacon, onde eles incorporaram personagens que poderiam revelar segredos sobre a briga entre dois famosos comediantes das décadas de 50 e 60, um fato verídico envolvendo Dean Martin e Jerry Lewis.

Mudar o visual também não é problemas para quem é um grande ator e ama o que faz. Em Moça Com Brinco de Pérola (2003), Firth está praticamente irreconhecível como o artista Johannes Vermeer, o pintor do quadro que leva o mesmo nome do filme. Firth está ótimo e a produção é de primeira, mas o longa é mais lembrado por causa de Scarlett Johansson que vivia a tal moça que serviu de inspiração para obra. Com visual de época, também ganhou o papel principal masculino em Valmont - Uma História de Seduções (1989), um jogo de sedução envolvendo um clã da aristocracia européia, um tema muito parecido com a espinha dorsal de seu contemporâneo Ligações Perigosas, e em A Última Legião (2007), um épico dos tempos áureos de Roma no qual viveu um herói envolvendo-se em grandes batalhas.


Reconhecimento da crítica

Em 2008, com Mamma Mia!, o sucesso veio com tudo e uma guinada foi dada na carreira de Firth. Soltando a voz neste musical, o ator chegou mais próximo ainda do público, mesmo com um personagem coadjuvante. Tudo bem que a presença de Meryl Streep ofusca qualquer um, mas não há como negar que o personagem do inglês é simpático e tem sua função no longa. 

De coadjuvante para protagonista foi em um estalar de dedo após o sucesso do musical. Porém, não foi qualquer papel principal que lhe foi entregue, mas sim um personagem que lhe exigiu muita densidade dramática. Em 2009, Firth aceitou um convite que pedia muita concentração e uma maquiagem para deixá-lo mais envelhecido. Em Direito de Amar ele vive um professor homossexual que cai em depressão após a perda de seu companheiro de muitos anos e tirar a própria vida parece ser a sua única vontade, mas falta coragem para tanto. Através de longas sequências de silêncio e pequenos gestos e expressões faciais o ator consegue passar toda a dor e dúvida desse homem triste. Indicado ao Oscar, o prêmio não chegou naquela ocasião, mas sim no ano seguinte por O Discurso do Rei (2010) no qual interpreta um governante que precisa lidar com seu problema de gagueira, que lhe causa momentos embaraçosos, e ainda tem de enfrentar um período conturbado na história política da Inglaterra. Quase uma unanimidade entre os críticos por sua excelência, a repercussão de seu papel acabou aquecendo a corrida do longa em busca do Oscar, prêmio que acabou arrematando.

Com indicações a diversos prêmios, um Oscar, um Globo de Ouro de dois troféus do BAFTA na estante, Firth chegou ao ápice de sua carreira, como ele mesmo disse em uma premiação, mas não deve para por aí. Convites não devem lhe faltar para os próximos anos e quem sabe ainda o veremos muitas vezes subindo nos palcos para discursar, mas sem gaguejar, em agradecimento a novas estatuetas. 

Nenhum comentário:

Você também pode gostar de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...