quarta-feira, 29 de junho de 2011

ESQUECERAM DE... AS LOUCURAS DO REI GEORGE

É impressionante investigar a história do cinema e ver a quantidade de filmes que foram super elogiados e premiados no passado e que hoje se encontram no limbo, ninguém mais sabe deles (quer dizer, pelo menos aqueles que prezam pela qualidade e sempre buscam os produtos originais e de forma legalizada). Assim, grandes obras ficaram esquecidas no tempo, como As Loucuras do Rei George (1994), um título inglês muito pomposo e que deixou sua passagem registrada nas principais premiações e festivais da época, mas hoje é uma remota de lembrança de poucos cinéfilos. A história se baseia em ftos verídicos, em um determinado período conturbado da vida de um monarca, envolvendo inclusive a traição de seu próprio filho, algo que seu próprio avô já havia feito antes com o seu bisavô visando ocupar o trono. Um mal de família que parece se repetir e perseguir os clãs de linhagens nobre.

O enredo nos apresenta ao Rei da Grã-Bretanha que ocupa o cargo há quase 30 anos, George III (Nigel Hawthorne), no final do século XVIII. Ele é um homem que se comunica muito bem com seus súditos e leva uma vida pessoal irretocável, sendo muito feliz no casamento com Charlotte (Hellen Mirren). O casal tem nada mais nada menos que 15 filhos, entre eles o príncipe do País de Gales (Rupert Everett), o primeiro representante na linha de sucessão ao trono.

George era autoritário e isso acabou gerando a perda de algumas colônias americanas, o que provocou reações adversas de grupos políticos. Surpreendentemente, o seu principal opositor é o próprio filho mais velho, para quem o comportamento da família real deve ser um exemplo à população, apesar de ele mesmo viver de pernas para o ar. O grande ponto para o rapaz criticar o patriarca de seu clã é o fato de ele ser conhecido por suas excentricidades. Conforme o tempo passa, elas começam a gerar inquietações e as suspeitas de que o rei enlouqueceu aumentam e eis o momento em que a disputa pelo trono se acirra. Uma facção dos políticos se empenha para tentar minimizar os efeitos da doença e até chamam o doutor Willis (Ian Holm) para cuidar dele. Já o outro lado trama para que o primogênito deste homem perturbado passe a ser o governante.


O ator Nigel Hawthorne já havia interpretado durante um bom tempo o mesmo personagem do filme no espetáculo teatral e ganhou diversos prêmios, assim nada mais natural que ele fosse a melhor escolha para interpretar George III na versão cinematográfica do texto. O tempo passou, mas sua carreira no cinema não vingou, ao contrário do que aconteceu com Rupert Everett, que se tornou um nome de peso ao dividir os créditos de O Casamento do Meu Melhor Amigo com Julia Roberts, e com Helen Mirren, que com o papel de rainha da Grã Bretanha ganhou pela segunda vez o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Cannes. Mais de uma década depois, ela foi laureada em diversas premiações, curiosamente, mais uma vez vivendo uma mulher da realeza em A Rainha.

O diretor Nicholas Hytner também foi o responsável pela montagem teatral estrelada por Hawthorne e tomou o cuidado de limar do título do filme o numeral que segue o nome do personagem-título, temendo que o público pudesse imaginar que seria o terceiro episódio de uma saga e se desinteressar. Bem, a crítica certamente ele agradou em cheio. As Loucuras do Rei George é mais uma obra importante que aguarda ser resgatada de um passado não muito distante, mas como hoje em dia tudo fica velho em um piscar de olhos, parece que já faz uma eternidade.

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