quarta-feira, 15 de junho de 2011

ESQUECERAM DE... O MONGE E A FILHA DO CARRASCO

Durante a segunda metade dos anos 90, o cinema nacional começou a ressurgir a passos largos, mas muitas obras foram lançadas com pouca divulgação, passaram rapidamente pelos cinemas ou até mesmo só foram disponibilizados em vídeo. A exibição na televisão também é escassa. Somente a Rede Globo mantém certo calendário para as sessões brasileiras. Assim, muitos títulos da recente história da nossa cinematografia correm o risco de sumir das lembranças do público. O Monge e a Filha do Carrasco (1996) é um título curioso que atravessa os anos como uma obra desconhecida pelo grande público. Muito antes de Patrícia Pillar e Murilo Benício causarem frisson na pele dos vilões da novela "A Favorita", o caminho profissional dos dois já haviam se cruzado neste longa dirigido por Walter Lima Jr. que tem como particularidade ser inteiramente falado em inglês, já que é uma co-produção entre brasileiros e norte-americanos. Tal fato já deve soar com estranheza e muitos já devem acionar na mente o botão do preconceito, mas os atore não foram dublados, pelo contrário, eles se esforçaram para falar o outro idioma com desenvoltura e atingiram um resultado satisfatório, até porque todos já estavam familiarizados com a língua e as falas são relativamente simples.

A cidade de Ouro Preto em Minas Gerais foi o local escolhido para sediar as filmagens e foi transformada em uma aldeia européia do século XVII para contar a história da bela filha do carrasco da região, Benedicta (Karina Barum), que acaba sendo marginalizada devido ao trabalho de seu pai. Mesmo assim, ela consegue despertar a paixão do monge franciscano Ambrosius (Murilo Benício). Advertido pelo superior do monastério de que não poderia se aproximar da moça, o rapaz não resiste à atração. Como punição, ele é afastado do lugar e é obrigado a passar um período nas montanhas onde acaba sendo seduzido pela dona de uma taberna, Âmula (Patrícia Pillar). Assim, o jovem se vê dividido entre a religião e a vida pecaminosa.


Inspirado no romance homônimo de Ambrose Bierce, o enredo é bem simples, mas serve como estofo para um estudo acerca dos sentimentos e valores que regem a vida dos humanos. O visual também chama a atenção, pois o acabamento foi feito em solo americano com o que havia de mais sofisticado e a edição foi feita seguindo um padrão mais hollywoodiano, deixando o longa um pouco mais ágil, já que a montagem brasileira na época privilegiava a lentidão até mesmo para conseguir mais tempo de arte e evitar que ficasse clara a falta de recursos financeiros.

O Monge e a Filha do Carrasco é uma produção caprichada com elenco e técnica do Brasil que infelizmente não ganhou o respeito devido, apesar de ter tido lançamento mundial. O tempo passou e se encarregou de enterrá-lo, mas vale a pena alguma distribuidora tentar desenterrar este título e aproveitar a boa fase que o cinema brasileiro vive tanto de crítica quanto de público.

Um comentário:

renatocinema disse...

Não sei exatamente o motivo: eu não gostar de Murilo Benício, o poster fraco, mas a verdade é que esse filme nunca me animou.

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