domingo, 19 de fevereiro de 2012

RELEMBRANDO O OSCAR 2005

Assista nesta postagem um vídeo especial com os vencedores do Oscar 2005

Em uma festa onde não havia uma superprodução na jogada, essa foi a chance do Oscar surpreender já que não haviam quase franco-favoritos e as outras premiações que acontecem sempre antes da noitada da Academia de Cinema estavam pulverizando seus prêmios e quase todos os filmes da safra estavam sendo lembrados em ao menos uma categoria. Aliás, em 2005 foi a primeira vez depois de muitos anos que todos os candidatos a Melhor Filme saíram da maior festa do cinema com uma categoria para chamar de sua.
Este ano também foi uma das raras vezes que o Melhor Filme não ganhou o recorde de estatuetas. Menina de Ouro ficou com um Oscar a menos que O Aviador, mas na hora de colocar na balança o menos venceu o mais. O longa de Clint Eastwood sobre uma mulher no boxe ganhou prêmios importantes, entre eles o de direção, enquanto Scorsese perdeu mais uma vez a estatueta e viu sua biografia sobre um excêntrico milionário se dar bem nas categorias secundárias, mas ainda assim seu longa sagrou-se um dos grandes campeões da noite. 
O Brasil ficou de fora da disputa novamente por uma situação conflitante com o regulamento da premiação em relação ao nosso candidato de 2005, Diários de Motocicleta. Ainda assim, estávamos presentes na festa representados pelo cantor Caetano Veloso que cantou a música tema deste longa. O autor dela, Jorge Drexler, foi proibido de subir no palco e cantar, mas quando o anunciaram como o vencedor da categoria Melhor Canção ele trocou seu tempo de discurso para simplesmente cantar o refrão de sua criação. Uma leve alfinetada nos organizadores do evento.
O filme merecia uma atenção maior por parte da Academia e contava com a simpatia de boa parte do público era Em Busca da Terra do Nunca que só venceu uma das sete categorias as quais concorria. Qualidades ele tinha, mas o Oscar já estava na fase prefiro a atualidade que os longas com cara de clássicos do passado, uma tendência que prevalece até mesmo pela renovação dos grupos de votantes, de uns anos para cá bem mais jovens. 


Não deixe de assistir o vídeo especial com os vencedores do Oscar 2005. Basta clicar na imagem abaixo.

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O Oscar acertou premiando...

Jamie FoxxEncarnando o falecido músico Ray Charles, o ator se entrega totalmente ao papel, algo quase que sobrenatural. Imitando trejeitos, o modo de tocar piano e seus olhos fechados devido a deficiência visual ajudam a confundir o espectador. Os desatentos não sabem distinguir a homenagem do verdadeiro cantor. Ele já chegou na festa com pinta de campeão, pois foi um dos poucos que papou todos os prêmios anteriores ao Oscar pela sua interpretação em Ray.
Hilary SwankEmbora tivesse Kate Winslet e a veterana Imelda Staunton no páreo com atuações muito elogiadas, Hilary provou que tem força de vontade e não tem medo de mudar sua imagem. Depois de vencer seu primeiro Oscar em 2000, ela embarcou em uma maré de filmes furados e precisava de um grande papel para subir no topo novamente. Ele chegou em Menina de Ouro como a garçonete que decide tornar-se pugilista acreditando ser a única coisa que a faria sair da pobreza, mas outras coisas acontecem no caminho em busca da mudança de vida.
Cate BlanchettQuando surgiu em Elizabeth, a moça ruiva e de pele clara logo chamou a atenção e os convites não pararam mais. Muitos bons papéis ela interpretou entre 1999 e 2004, mas sempre bateu na trave na hora das indicações ao Oscar, embora seu nome fosse constante em outras premiações. Seu prêmio veio em boa hora. Além de corrigir o erro de não tê-la indicado em anos anteriores, a Academia aproveitou para homenagear a intérprete que mais ganhou Oscar na história. Em O Aviador Cate interpreta Katharine Hepburn. 
Morgan FreemanProvando que 2004 foi um ano de grandes interpretações, a Academia resolveu finalmente laurear o veterano ator negro que conquistou sua quarta indicação por seu papel de um faxineiro em Menina de Ouro. Parecendo que esta criação não exigiu muito do ator, o prêmio foi merecido ao mesmo tempo em que serviu como homenagem a sua longa trajetória no cinema.
Merecia ter ganhado...
Martin Scorsese e seu O AviadorMoldado para ser premiado, o longa de época de quase três horas de duração reúne tudo que a Academia adora: história baseada em fatos reais, parte visual e técnica caprichadas e intérpretes inspirados. Ganhou cinco prêmios, mas merecia também de Melhor Filme e Melhor Direção. Coordenar uma mega produção que atravessa décadas provavelmente deu muito mais trabalho a Scorsese do que a trama contemporânea de Eastwood.
Leonardo DiCaprioOnze anos depois de ser indicado como coadjuvante por Gilbert Grape (é bom lembrar que ele não concorreu por Titanic), DiCaprio continuou sentindo as reservas que a Academia tinha dele. Bem, dessa vez não tinha como mesmo. Sua interpretação é excelente, mas o mito Ray Charles é muito maior do que o milionário cheio de manias Howard Hughes.
Em Busca da Terra do NuncaO segundo título com jeito de oscarizável do Oscar 2005 era também um tanto simplesinho no conjunto. Vencedor de Melhor Trilha Sonora, o longa conta com fotografia, figurinos e cenários muito bonitos, mas ao menos as indicações já serviram como prêmios.
Desventuras em SérieGanhador do prêmio de Melhor Maquiagem, a aventura infanto-juvenil tem um visual que chama a atenção pelo uso de cores escuras e sombras, mas ainda assim consegue transmitir algo que chama a atenção de platéias mais novas. Figurinos e direção de arte ficaram apenas nas indicações.
Estava perdido na festa...
Annette BeningOcupando uma das cinco vagas de Melhor Atriz pela terceira vez, Annette estava solitária representando Adorável Júlia. Mesmo assim poderia ter sido a zebra da noite, já que sua atuação foi bastante elogiada como uma diva do teatro de décadas passadas.
Catalina Sandino MorenoOutra que representou seu longa sozinha. Protagonista de Maria Cheia de Graça, a atriz arrancou elogios em vários festivais na pele da adolescente grávida que aceita transportar drogas no estômago para conseguir dinheiro. Colombiana e muito jovem, só sua indicação já pode ser considerada um prêmio.
O Clã das Adagas VoadorasUma das produções orientais mais bonitas dos últimos tempos foi lembrada pela Academia apenas para concorrer por sua fotografia, diga-se de passagem, espetacular, mas merecia mais. O corte na seleção dos filmes estrangeiros é algo inexplicável, além de ter fôlego para concorrer por sua direção de arte, figurinos e efeitos sonoros.
O Expresso PolarCandidato a canção, som e edição de som, esperava-se mais desta animação realizada com técnicas de última geração que captura movimentos de atores de verdade que depois ganham cores e formas diferentes no computador. Saiu sem nenhum troféu, mas sua ausência na categoria Melhor Filme de Animação também foi algo reprovável.
O Oscar esnobou...
Brilho Eterno de Uma Mente Sem LembrançasEmbora tenha ganhado o Oscar de roteiro original e tenha concorrido em outras categorias, a Academia derrapou feio ao não indicar o longa para Melhor Filme e seu diretor Michel Gondry para Melhor Diretor, já que este misto de comédia, drama e romance seria um respiro de novidade entre os candidatos.
Jim CarreyRealmente a Academia não gosta deste comediante que vira e mexe tenta provar que é um ator sério. Colecionando prêmios em outras premiações desde 1998, quando experimentou pela primeira vez o campo dramático, mais uma vez ele foi preterido no Oscar. Embora se desdobre em vários personagens em Desventuras em Série, ele merecia ser indicado por Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças no qual interpreta um homem comum e apaixonado que vê seu mundo ruir, toma uma atitude extrema e depois se arrepende.
Diários de MotocicletaO longa que reuniu a produção e o apoio financeiro de diversos países, mas tudo sob a batuta do brasileiro Walter Salles, foi limado da disputa antes mesmo de serem anunciados os indicados. Não concorreu a vaga de Melhor Filme Estrangeiro devido a pluralidade de nações unidas para a realização do projeto, o que automaticamente o desclassificou. Embora tenha surpreendido e vencido na categoria de Melhor Canção, as indicações de Gael Garcia Bernal e Rodrigo de La Serna, respectivamente como ator principal e coadjuvante, eram esperadas e não vingaram.
Javier BardenO longa Mar Adentro certamente derrotaria nosso candidato, não teria jeito. Era o estrangeiro mais comentado da safra e o que mais recolhia prêmios e elogios por anda passava. O Oscar de Melhor Filme Estrangeiro só veio confirmar seu sucesso, porém, o protagonista não ter sido indicado pelo papel de um homem que luta pelo direito de acabar com a própria vida que se encontra em estágio vegetativo é um crime. E pensar que hoje ele é queridinho em Hollywood.

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