quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O CINEMA REDESCOBRE GLENN CLOSE


Ela é lembrada como uma das maiores atrizes que o cinema já teve, por suas atuações de mulheres más ou amarguradas e também por ser figurinha fácil entre as candidatas ao Oscar e a outras premiações na década de 1980, mas, depois de muitos anos de lançamentos de filmes seguidos, Glenn Close foi pouco a pouco diminuindo seu ritmo de trabalho até que suas aparições se tornaram muito raras. Por vontade própria ela tomou essa decisão, mas provável que a falta de oferta de bons papéis para mulheres maduras também a tenha influenciado. Felizmente, em 2011 ela voltou aos holofotes com um papel atípico em seu currículo e sua carreira ganhou novo ânimo.


Nascida em Greenwich nos EUA em 19 de março de 1947, a atriz até hoje usa seu próprio nome de batismo. Muito discreta, apesar de ter tido vários romances em sua vida, não há grandes registros sobre sua vida antes da fama e muito menos de seus familiares. Sabe-se que ela é filha de Bettine Fechar Moore e William T. Fechar, viveu em uma fazenda nos primeiros anos de vida, mas também passou boa da infância e do início da adolescência no Congo Belga, o atual país Zaire, onde seu pai trabalhava como médico. Apesar disso, sua elegância e modos refinados que tanto lhe rendem elogios atualmente foram adquiridos em escolas famosas e certamente o que aprendeu ela levou para diversos de seus personagens.

A sua carreira de atriz foi iniciada no teatro no início da década de 1970 e logo vieram os convites para atuar na TV em participações em seriados e telefilmes. O cinema só chegou em sua vida em 1982, porém, ao contrário de outros colegas de trabalho, Glenn estreou na tela grande com o pé direito e já conquistando uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Curiosamente, em O Mundo Segundo Garp, a atriz já tinha pouco mais de 30 anos de idade e foi escalada para viver a mãe do personagem de Robin Williams nesta adaptação de um romance do conceituado escritor John Irving. O detalhe é que a diferença de idade entre eles na vida real é de apenas quatro anos.

Já não bastasse o bom início que teve na carreira cinematográfica, Glenn conseguiu outras duas indicações consecutivas ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Foi lembrada por seu desempenho em O Reencontro (1983), hoje considerado um clássico que trata do balanço de vidas que um grupo de amigos faz quando se reencontram para o funeral de um colega, e por seu papel secundário em Um Homem Fora de Série (1984), ainda considerado um dos melhores longas-metragens sobre esportes já realizado.

Embora nunca tenha vencido os principais prêmios de cinema aos quais concorreu, é fato que a consagração de Glenn por parte de público e crítica veio em 1987 e 1988, respectivamente pelas protagonistas que viveu em Atração Fatal e Ligações Perigosas, dois filmes ícones da década de 1980  e que causaram muito barulho por causa de seus conteúdos. No primeiro ela vive uma desequilibrada executiva que vive um romance rápido com o advogado interpretado por Michael Douglas. Ele é casado e não quer mais que uma aventura, porém, para ela, o relacionamento entre eles é sério e está disposta a realizar loucuras para entrar definitivamente na vida do amado. No projeto seguinte, a atriz interpretou uma nobre tão perversa quanto fina que deseja se vingar do ex-marido armando conspirações que envolvem pessoas inocentes e outras devassas.



Pé no breque

Praticamente um sinônimo do cinema produzido na década de 1980, os anos seguintes não foram tão felizes para Glenn. Os bons projetos que ofereciam papéis dignos a uma mulher mais madura tornaram-se raridade (ou foram entregues a Meryl Streep) e assim pouco a pouco a atriz foi se afastando do cinema e se dedicando ao teatro e a televisão. Sua atuação no cinema se restringiu a personagens secundários, breves participações e dublagens, chegando também a fazer a narração do bem avaliado O Reverso da Fortuna (1990). Entre seus poucos papéis principais no período teve o de uma executiva do ramo da mídia na comédia O Jornal (1994), longa no qual estava cercada por um elenco de grandes nomes.

Em 1993, Glenn participou do sucesso A Casa dos Espíritos vivendo mais uma vez uma mulher amarga. Neste caso chamou a atenção que seu papel é o de cunhada de Meryl Streep, assim essa era a grande chance de ver duas grandes estrelas juntas, embora o restante do elenco principal também servisse de chamariz. Mas sem dúvida seu grande marco na década de 1990 foi a surpresa que causou ao aceitar viver a vilã Cruella Devil na adaptação live-action do desenho da Disney 101 Dálmatas (1996). Com sua risada assustadora e figurinos espalhafatosos, a atriz compôs uma das melhores personagens femininas que um filme infantil já teve. O mesmo não se pode dizer da continuação lançada em 2000. Em 102 Dálmatas, Glenn continua deliciosamente perversa e se divertindo no papel, mas quem escreveu o roteiro deve ter se esquecido da grande atriz que vivia a malvada da história e redigiu um final vexatório.

Em A Fortuna de Cookie (1998) ela vive a sobrinha de um milionário que é assassinado, mas ela tenta encobrir as pistas por não admitir um escândalo dentro da família. O curioso desta produção é que ela se passa no final do século 20 em uma pequena cidade em que a população vive o cotidiano como se estivesse em um bucólico ambiente de décadas atrás. Esta ambientação e contexto são similares ao de Mulheres Perfeitas (2004), comédia na qual Glenn vive uma mulher que toma conta de uma cidade que parece um sonho para qualquer homem, pois eles têm total liberdade enquanto as suas esposas são obrigadas a cuidarem da casa e dos filhos com perfeição e se mostram totalmente de acordo com tal situação levantando suspeitas de novos habitantes.

A primeira década dos anos 2000 continuou não sendo muito produtiva no cinema para a atriz que acabou se mantendo na mídia graças ao seriado televisivo “Damages”, porém, em 2011, ela surpreendeu retornando as telonas com um papel atípico em sua carreira. Em Albert Nobbs ela vive uma mulher que no início do preconceituoso século 19 decide viver vestindo roupas masculinas e trabalhando como mordomo até poder juntar o dinheiro necessário para abrir seu próprio comércio. Despontando como o primeiro nome feminino que estaria concorrendo aos principais prêmios de 2012, Glenn Close mais uma vez viu os holofotes lhe iluminando, mas ao que tudo indica novamente o Oscar não será seu, só se a zebra estiver solta na noite da festa. De qualquer forma, é muito bom ver que esta atriz de talento foi resgatada do limbo em que se encontrava. Vamos torcer para que seu retorno não seja passageiro e que ela continue abrilhantando ainda mais o mundo da sétima arte.

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