quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

BEN AFFLECK, UM TALENTO A SER (RE)DESCOBERTO


Ele já se dedica a carreira de ator desde a década de 1980, mas até hoje ainda não tem o seu trabalho reconhecido de forma digna. É certo que Ben Affleck tem um currículo extenso, mantém uma média de três lançamentos anuais, alterna trabalhos alternativos com outros estritamente comerciais, além de se dedicar a dublagens vez ou outra. Seria seu excesso de trabalho seu pecado? O mais aceitável é que ele surgiu para o grande público sendo aplaudido e premiado pelo seu talento como roteirista e assim criou-se expectativa demais quanto a seus dotes para as artes cênicas. Nos últimos tempos nessa parte ele melhorou bastante ao mesmo tempo em que passou a se dedicar com sucesso a direção de longas-metragens. 
 

Benjamin Geza Affleck-Boldt nasceu no dia 15 de agosto de 1972 em Berkeley na Califórnia. De origem judaica, ele é filho de Chris e Tim Affleck, ela uma professora e ele também ator. O casal também tem outro filho que se dedica a interpretação, Casey Affleck, irmão mais novo de Ben e que já está construindo uma promissora carreira certamente ajudado pelo sobrenome famoso. Já para o primogênito do clã as coisas não foram tão rápidas e com certa facilidade. Aos oito anos de idade participou da série de TV “The Voyage of the Mimi”, programa ao qual se dedicou por cerca de quatro anos. Na mesma época se dedicou a fazer comerciais e foi assim que conheceu Matt Damon que se tornou seu melhor amigo desde então.

Sua estréia nos cinemas, segundo registros, aconteceu em 1981 fazendo pontas, mas ainda ele tinha melhores chances na TV até que foi notado como um torcedor de um time de beisebol no drama Campo dos Sonhos (1989). Então os convites para atuar em longas-metragens foram surgindo cada vez mais, porém, as produções interessantes só chegaram a partir de 1997, um ano marcante para a carreira do ator. Fez os independentes Procura-se Amy e Indo Até o Fim, respectivamente vivendo um rapaz que se apaixona por uma lésbica e no outro um ex-combatente da Guerra da Coréia que se apaixona por uma judia, mas o romance é reprovado por sua mãe. Foi no período entre estes dois filmes que ele entrou em contato e tornou-se amigo do cineasta Kevin Smith que o ajudou a dar um salto na sua carreira.

Affleck e seu fiel amigo Damon há anos trabalhavam em um roteiro próprio, já que não conseguiam boas chances de trabalho no cinema. Smith leu, aprovou e ajudou os jovens a negociá-lo com uma produtora independente e assim nasceu Gênio Indomável (1997), um dos mais aclamados títulos da década de 1990. O mundo conheceu então o talento dos dois rapazes com futuro promissor e até o Oscar se rendeu premiando-os com o troféu de Melhor Roteiro Original. Ambos também atuam nesta produção, mas Damon é que é o protagonista e essa também foi a posição que passou a ocupar daí por diante em relação a seu amigo. Embora Affleck tenha protagonizado o arrasa quarteirão Armageddon e tenha ganhado um papel coadjuvante no oscarizado Shakespeare Apaixonado, ambos de 1998, o ator não voltou a ser aclamado pela crítica e público nos anos seguintes ao contrário do que aconteceu com Damon.

Alternando trabalhos comerciais, como Forças do Destino com Sandra Bullock, projetos alternativos, como 200 Cigarros, e diversas colaborações atuando em produções do seu anjo protetor Smith, como Dogma, todos datados de 1999, esta situação se estendeu por anos. Seus únicos projetos de maior projeção e bilheterias foram Pearl Harbor (2001), épico enfocando mais um triste episódio da Segunda Guerra Mundial, e Demolidor – O Homem Sem Medo (2003), onde viveu o protagonista, um super-herói que tem deficiência visual, mas que aprendeu a utilizar todos os seus outros sentidos para fazer justiça por sua própria conta. O drama de guerra foi bastante criticado e tachado de piegas e repetitivo e a aventura baseada em quadrinhos não rendeu o esperado e uma continuação jamais saiu do papel, mas Affleck saiu bem desta história. Conheceu nas filmagens sua futura esposa, Jennifer Garner, que viveu Elektra, a aliada do herói. Casados desde 2005, o casal tem duas filhas.


Novos tempos

O casamento veio em boa hora e parece ter dado um estalo na consciência do ator. Após vários projetos comerciais de sucesso mediano, alguns independentes pouco vistos e de ver seu nome virar piada quando Contato de Risco (2003), filme que estrelou ao lado de Jennifer Lopez, se tornar uma das piores bilheterias daquele ano, Affleck surpreendeu e saiu vencedor do Festival de Veneza algum tempo depois.  Interpretando o ator George Reeves, o intérprete do Super-Homem em um antigo seriado de TV, ele iniciou uma guinada na carreira. Hollywoodland – Bastidores da Fama (2006) investiga a morte misteriosa desse popular artista da década de 1950. O papel lhe rendeu também uma indicação ao Globo de Ouro, mas o Oscar o esnobou.

Depois disso, continuou com projetos de variados gêneros com repercussões modestas, mas o ator não estava conformado com a situação e deixando as coisas rolarem como a vida desejasse. Em 2007, surpreendeu os críticos assumindo a direção e o roteiro de um suspense de primeira. Medo da Verdade é uma obra investigativa a respeito do desaparecimento de uma garotinha onde todos os envolvidos parecem saber muito mais sobre o caso do que relataram à polícia. Provando ter habilidades com a câmera e sensibilidade para lidar com atores e arrancar deles interpretações convincentes e fortes, a crítica se rendeu e cobriu Affleck de elogios. Assim, em 2010, ele voltou a atuar como diretor em Atração Perigosa, uma excelente produção sobre uma gangue de assaltantes. Poderia ser apenas mais um filme sobre assaltos a bancos, mas a trama agrega elementos que dão cara nova a situações batidas, como a encruzilhada que o protagonista, o próprio Affleck, se encontra ao precisar decidir entre um grande amor ou a lealdade aos amigos que o acompanham há anos na vida de crimes e agora o pressionam. De quebra, ele conseguiu oferecer uma sequência de perseguição de polícia a bandidos repleta de adrenalina e angulações espetaculares.

Affleck prova com sua trajetória que não adianta abaixar a cabeça quando criticado ou se as coisas não acontecem conforme o planejado. O jeito é arregaçar as mangar e correr atrás do prejuízo. Mesmo na época em que via seu nome no olho do furacão quando a imprensa lhe abria espaço muito mais por causa de sua vida pessoal ele não se deixava abater. Seja como ator, roteirista ou diretor, está na hora da indústria cinematográfica passar a enxergar o mais novo quarentão de Hollywood com olhos mais atentos e menos preconceituosos. Se Mel Gibson e Kevin Costner conseguiram chegar ao topo na frente e atrás das câmeras, por que não poderia acontecer o mesmo com Affleck? Só espera-se que se isso acontecer com ele a sorte também o acompanhe e seu declínio chegue tardiamente, ao contrário do que aconteceu com os ex-astros citados. O mundo do cinema da voltas e com uma rapidez assustadora.

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