terça-feira, 6 de março de 2012

UM SUCESSO DE OUTRO MUNDO


Há muitos anos os filmes com temática espírita chamam a atenção dos espectadores, afinal as discussões e dúvidas sobre a existência ou não de vida após a morte acabam chamando a atenção das mais distintas platéias e religiões. Não é a toa que Ghost – Do Outro lado da Vida acabou se tornando um fenômeno mundial em 1990 e até o Oscar se rendeu ao seu apelo irresistível. Dando um baita de um empurrão nas carreiras de Demi Moore, na época mais conhecida como a esposa de Bruce Willis, e do saudoso Patrick Swayze, o longa na época fez milhões de pessoas se emocionarem e derrubarem baldes de lágrimas com a história de um amor que foi interrompido por um fato inesperado e covarde. Sam (Swayze) é um jovem bancário que descobre que na empresa em que trabalha algumas fraudes estão ocorrendo. Decidido a investigar o caso, o rapaz acaba sofrendo uma tentativa de assalto junto com sua mulher, Molly (Demi), mas ele é atingido por um tiro e não resiste. Porém, Sam passa no mesmo instante a dividir sua atenção entre o bandido que escapa e o sofrimento da esposa. Demora um pouco para perceber que ele está na Terra apenas presente em espírito agora, mas rapidamente ele descobre que o assalto não foi uma triste coincidência. Carl (Tony Goldwyn) era um colega de trabalho a quem Sam confidenciou suas suspeitas de fraude sem saber que o próprio é quem estava por traz dos negócios ilícitos e que agora quer conquistar o amor de Molly assediando-a constantemente. A premissa é bastante interessante, mas as coisas melhoram ainda mais quando entra em cena Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma vigarista que dizia poder falar com os mortos e lucrava com a farsa. Porém, desta vez ela não está mentindo. Realmente ela consegue falar com Sam e tenta prevenir a esposa do rapaz passando os recados e orientações dele. Obviamente ela não acredita na charlatã até que ela lhe dá uma prova crível de que o desencarnado está tentando fazer contato.
O diretor Jerry Zucker, especialista em comédias, surpreendeu ao decidir trabalhar com um material dramático, bem alinhavado e com bons momentos, principalmente os que mostram a veia cômica misturada a de drama da hilariante Whoopi que só aceitou o papel graças a insistência do protagonista. Santo Patrick Swayze! Graças a eles fomos premiados com uma das atuações femininas mais famosas da história do cinema, tanto é que a atriz faturou praticamente todos os prêmios coadjuvantes da temporada. Também vale destacar as sequências românticas do longa que parecem talhadas com muito esmero para levar o público às lágrimas, como a cena destacada acima. A mulher de carne e osso conseguindo tocar seus lábios nos de seu grande amor que se apresenta como um ectoplasma é a materialização de um sonho para muitas pessoas, ainda mais naqueles tempos em que os conceitos espíritas ainda não eram muito difundidos e viviam atrelados aos filmes de terror. Podemos creditar o sucesso da obra muito a este fato, mas colaborou também a história de fácil assimilação e muito romântica, a escalação de dois carismáticos atores para os papéis principais e a música tema “Unchained Melody”, uma das canções mais executadas em todo o mundo durante a década de 1990 e que até hoje é presença obrigatória a noite nas paradas românticas das rádios, ao menos no Brasil. O passar dos anos, porém, não fez muito bem a esta produção. Tanto a música quanto o filme em si hoje são considerados por muitos como ultrapassados, pura baboseira. A superexposição de ambos os produtos ajudou na formação desta opinião, tornando-se lembranças cultivadas com carinho por pessoas mais velhas, mas alvo de chacotas por novas gerações. Ainda bem que sempre tem gente nova nascendo e com sensibilidade para apreciar Ghost – Do Outro lado da Vida e perceber a diferença deste romance com letras garrafais para as melosas e frouxas histórias românticas que o cinema investe atualmente. São elas que ainda procuram o título nas locadoras, compram o DVD ou ficam na torcida para que ele passe a tarde na TV. Clássico nostálgico absoluto!

Um comentário:

Luís disse...

Tenho simpatia por "Ghost", decerto é um drama com traços cômicos que soube bem como apresentar essa história de amor.

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