quinta-feira, 15 de março de 2012

MICHELLE WILLIAMS, UM ORGULHO DO CINEMA INDEPENDENTE


Existem atrizes que durante muitos anos batalham pelo reconhecimento do público e crítica, mas muitas acabam tendo a frustração de jamais experimentarem o gostinho da fama de forma plena. Outras têm sorte e logo nos primeiros trabalhos surpreendem e constroem uma carreira invejável como Meryl Streep que praticamente desde sua estréia já passava para uma lista seleta de intérpretes em Hollywood e hoje ela ocupa um papel de destaque absoluto no mundo do cinema. Suas substitutas naturais dentro de alguns anos podem ser Kate Winslet ou Julianne Moore devido a mesma entrega que estas mulheres dedicam aos seus papéis, sempre buscando a perfeição e o realismo. Porém, nos últimos anos, podemos observar o surgimento de uma nova candidata para ocupar a futura vaga. Michelle Williams também demonstra muito cuidado para criar suas personagens e cada vez mais ela parece onipresente nas premiações. A diferença é que a jovem prefere se dedicar as produções independentes e tem conquistado sucesso na área, podendo ostentar com orgulho o título de atriz com letras garrafais.
Michelle Ingrid Williams nasceu em Kalispell no estado americano de Montana no dia 09 de setembro de 1980 e é filha do casal Carla e Larry Williams, respectivamente uma dona de casa e um autor de ações que chegou duas vezes a concorrer a eleição de Senador dos EUA. Mesmo não fazendo parte de uma família de vertente artística, a garota desde pequena já demonstrava apreço pelas artes dramáticas, sendo que ainda criança conseguiu algumas participações especiais em séries de TV. Sua estréia em filmes foi aos 14 anos em mais uma refilmagem do clássico infantil Lassie (1994). No ano seguinte conseguiu um papel de destaque em um filme de grande repercussão. Interpretou uma jovem que sofre uma mutação em A Experiência, papel que depois é vivido em sua fase adulta por Natasha Henstridge.
Quando completou 15 anos de idade, Michelle já estava certa de que queria seguir a carreira de atriz de forma séria e diante da desaprovação de seus pais ela decidiu emancipar-se deles, ou seja, adquiriu legalmente o direito de responder por seus atos e assim mergulhar de vez no mundo da interpretação. Após pequenos filmes de pouca repercussão, o ano de 1998 foi marcante para a atriz. Viveu um papel de destaque no seriado de TV “Dawson’s Creek”, um sucesso internacional que marcou a adolescência de muita gente. Interpretando uma personagem problemática que teve muita repercussão entre as platéias jovens é natural que convites para produções visando este público fossem encaminhados para Michelle que no mesmo ano da série atuou no longa Halloween H20. Como boa parte dos astros que hoje estão na casa dos 30 anos, a atriz também teve que fugir de um assassino psicótico para conseguir subir os primeiros degraus da escadaria da fama.
Paralelamente ao seu trabalho na televisão, em 1999, Michelle aproveitou uma de suas poucas oportunidades de mostrar seu talento para o humor. Em Todas as Garotas do Presidente, ela se uniu a outra futura grande estrela, Kirsten Dunst, para encenarem uma paródia dos eventos que envolveram o Caso Watergate, famoso episódio da história americana que levou nos anos 70 o então presidente Richard Nixon a renunciar seu cargo.

Cinema independente
Mesmo estando em evidência graças a “Dawson’s Creek”, do qual fez parte do elenco até sua última temporada exibida em 2003, Michelle não quis aproveitar a exposição e participar de filmes comerciais que poderiam lhe render muito dinheiro e ainda mais fama. Preferiu investir seu tempo e talento em produções menores, como quando interpretou uma lésbica em Desejo Proibido (2000) e atuou em Geração Prozac (2003), longa baseado em fatos reais envolvendo vítimas de depressão.
Seguiram-se vários filmes menores que fracassaram nas bilheterias e alguns deles até foram criticados negativamente por especialistas, até que finalmente Michelle encontrou um projeto que fica no meio termo entre o comercial e o artístico e que marcaria sua vida tanto profissional quanto pessoal. Em O Segredo de Brokeback Mountain (2005) ela viveu a esposa do personagem de Heath Ledger, que mais tarde revelaria ser homossexual. A química entre os dois extrapolou os limites da tela e acabou gerando um romance na vida real que durou aproximadamente três anos. O casal teve uma filha, Matilda, e acabou o relacionamento amigavelmente em 2007, pouco tempo antes da morte de Ledger.
O papel da esposa do caubói gay rendeu à atriz sua primeira indicação ao Oscar como coadjuvante, mas mesmo com esta projeção ela não decidiu embarcar em grandes projetos, continuando a privilegiar os filmes mais intimistas e modestos.  Fez um papel pequeno no drama Um Amor Jovem (2006), dirigido pelo ator Ethan Hawke, participou da excêntrica cinebiografia sobre o músico Bob Dylan Não Estou Lá (2007) e protagonizou Incendiário (2008) ao lado de Ewan McGregor, filme reflexivo que toca nas feridas provocadas pelas ações terroristas. Com o mesmo ator e no mesmo ano ainda fez o suspense A Lista – Você Está livre Hoje?, trabalho com pinta comercial que não vingou. Melhor sorte ela teve ao ser dirigida por Martin Scorsese que a convidou para viver a esposa morta que perturba os sonhos do marido vivido por Leonardo DiCaprio em Ilha do Medo (2010), projeto muito aguardado e que rendeu boas bilheterias.
As grandes premiações do cinema voltaram a mirar Michelle quando houve o lançamento de Namorados Para Sempre (2010), drama que trabalha de forma diferenciada a velha fórmula do casal que discute a relação do início ao fim do longa. Mostrando muita química junto ao companheiro de cena Ryan Gosling, a atriz colheu elogios e conquistou sua segunda indicação ao Oscar. A dupla já havia trabalhado junto em 2003 em O Mundo de Leland, no qual o rapaz vive um criminoso e ela faz o papel de sua irmã que tenta compreender quais foram os motivos que o levaram a esfaquear um menino até a morte. O curioso é que para o segundo encontro destes grandes talentos da nova geração, o recrutamento deles foi feito quase uma década antes de as filmagens começarem. Michelle e Gosling chegaram até viver um tempo juntos para criarem maior intimidade e demonstrar isso na tela. Com tal atitude, a atriz prova que realmente não tem gana de lançar um filme atrás do outro. Sabiamente ela preza muito mais a qualidade que a quantidade.
Em 2011, a loirinha novamente surpreendeu com mais uma grande interpretação em um filme fadado a ter repercussão apenas entre platéias mais seletas. Em Sete Dias com Marilyn ela encarna a famosa e sedutora atriz Marilyn Monroe, embora não pareça fisicamente com a estrela, mas recebeu o apoio da equipe de maquiagem. Muito elogiada pela crítica pelo papel, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia ou Musical e mais uma vez ocupou uma cadeira de prestígio na festa do Oscar. Para os próximos anos, ela já tem engatilhado um projeto que mescla drama e comédia com o ator Seth Rogen e um prelúdio do clássico O Mágico de OZ a ser lançado pela Disney. Bem, talentosa, simpática e com um currículo muito interessante, embora não muito extenso, só poderia mesmo chover propostas de trabalho para Michelle Williams, uma das atrizes mais requisitadas do momento. Com passe livre nas premiações e a maior parte de seus trabalhos bastante elogiados, será que realmente estamos acompanhando o surgimento de uma nova Meryl Streep?

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