terça-feira, 27 de março de 2012

ABOCANHANDO GERAÇÕES


 
A primeira vista a imagem acima pode parecer pertencer ao anúncio de algum biscoito. Olhando com mais atenção, podemos pensar que faz parte da publicidade de alguma marca de cereal matinal. Porém, forçando um pouco mais a cabeça podemos conseguir resgatar lá do fundo do baú da nossa memória a lembrança de que esta é uma das cenas emblemáticas de Querida Encolhi as Crianças, um tremendo sucesso filmado em 1989 que se tornou mais um clássico das sessões da tarde que conquista geração após geração com seu humor e aventura nostálgicos e inocentes. O longa se divide em dois mundos, o dos adultos e o das crianças e adolescentes, digamos assim. O sumido Rick Moranis, praticamente um símbolo dos anos 80, interpreta o cientista amador Wayne Szalinski que vive inventando traquitanas que se revelam bobagens sem função alguma. Tudo muda quando ele consegue montar um miniaturizador que testa com sucesso com frutas e se alegra com seu invento. O que ele não contava é que acidentes acontecem e por um acaso a máquina acaba deixando bem pequenininhos seus filhos, Amy (Amy O’Neil) e Nick (Robert Oliveri), e os filhos do vizinho, Russ (Thomas Wilson Brown) e Ron (Jared Rushton). A partir daí a aventura toma conta do enredo com os diversos perigos que essa turma minúscula irá enfrentar para conseguir sobreviver, principalmente as armadilhas escondidas no jardim como o esguicho de água, uma formiga, um escorpião e o cortador de gramas. Enquanto isso, Wayne tenta desesperadamente reencontras as crianças e passa a ter um comportamento que chama a atenção por sua estranheza como se pendurar no varal e usar uma lupa para verificar cada centímetro do gramado. Para lidar com esse enredo fantasioso nada melhor que um cineasta que entende do assunto e que sabe fazer esse tipo de produção com qualidade, assim Joe Johnston, de Jumanji e Jurassic Park 3, foi convocado.
Um dos grandes destaques desta produção são os excelentes efeitos especiais e cenários. O gramado da casa dos Szalinskis quando fotografado como pela ótica de um adulto parece um belo e felpudo tapete verde, mas quando observado pelos olhos das crianças minúsculas ganha contornos de uma gigantesca floresta onde a cada canto uma novidade pode surgir. Na hora da fome, como é bom encontrar aquele biscoito que caiu do pacote. Para se abrigar, nada melhor que um brinquedo esquecido no jardim. As gotas d’água parecem formar um rio e podem assustar muito mais que uma gigantesca formiga que antes qualquer um deles pisoteava sem dó. A grande mensagem deste trabalho produzido pelos estúdios Disney está atrelada justamente ao fato do amadurecimento, do vencer desafios e enfrentar medos. É essa jornada de percorrer o longínquo caminho do jardim até a casa que prende a atenção de crianças, mas também conquista adultos, principalmente os nostálgicos. Sem apelar para bruxos, elfos, gnomos e afins e tampouco utilizando piadas imbecis que possam ofender a inteligência de qualquer um independente da idade, Querida Encolhi as Crianças é um misto de aventura e comédia que dificilmente pode ser copiado, é único. Nem mesmo as suas continuações, como o filme do bebê esticado lançado pouco tempo depois, conseguiram atingir o mesmo grau de criatividade e perfeição por um simples motivo: deram mais atenção aos efeitos especiais do que a história em si. Vale a pena resgatar mais esse tesouro do passado que certamente é uma tremenda bomba para os críticos, mas para o público é uma das melhores produções do cinema para entreter toda a família. Fica a dica para ver se a molecada de hoje aprende o que é se divertir de verdade e passe a enxergar além do videogame e da internet.

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