terça-feira, 9 de agosto de 2011

OS SMURFS ESTÃO DE VOLTA

Os grandes personagens do passado do cinema, da TV e dos quadrinhos vêm frequentando cada vez mais as telas grandes nos últimos anos e já não é nenhuma novidade se deparar com as novas gerações curtindo as mesmas atrações que seus pais idolatravam quando eram crianças ou adolescentes. A bola da vez são criaturas pequeninas e de coloração azulada que fizeram a alegria de muito guri na década de 80. Os Smurfs (2011) chega aos cinemas com muito tempo de atraso em relação a sua fase áurea. De origem européia, o desenho criado pelo belga Peyo no final dos anos 50 era simplório em seu visual e ingênuo em suas histórias e durante um bom tempo foi uma das atrações mais aguardadas do extinto "Xou da Xuxa" e se destacava em meio a enxurrada de produções da Hannah-Barbera que eram exibidas dentro do programa. O desinteresse chegou quando as animações americanas baseadas em gibis e jogos de vídeo game passaram a chamar mais a atenção com seu colorido extremo e ritmo ágil. Uma pena. Agora, o lançamento do longa metragem tenta resgatar a imagem dos personagens diretamente do fundo do baú televisivo para uma sobrevida na modernidade.

O enredo nos apresenta ao vilão Gargamel (Hank Azaria) e seu gato Cruel que encontram a pacata vila encantada dos Smurfs e invadem o local, o que provoca uma debandada dos pequeninos habitantes. Entre eles está Desastrado, que segue o caminho errado e, devido a ser noite de lua azul, se vê diante de um portal mágico. Ele, Papai Smurf, Smurfette, Gênio, Ranzinza e Corajoso entram no portal para escapar e acabam parando em plena agitada Nova York, um mundo desconhecido e bem diferente do que estão acostumados. Como Gargamel está seguindo-os, eles acabam se separando e Desastrado vai parar em uma caixa que é levada por Patrick (Neil Patrick Harris) para sua casa. Assim, os outros Smurfs iniciam uma caçada ao amigo e vão viver uma grande aventura. Não é preciso ser adivinho para descobrir certas situações. É claro que as criaturinhas vão aprontar muita confusão na cidade grande e se impressionar com as novidades e o vilão vai se meter em grandes furadas até haver o clímax da história, no qual ele irá triunfar por alguns poucos minutos e no final tudo acabará bem para os representantes do lado do bem.


Como um roteiro esticado de um episódio do antigo desenho, a história tem começo, meio e fim, aventura e comédia em doses certas e alguns efeitos produzidos para o deleite dos maníacos por 3D, mas não espere nada de extraordinário. Divertido e com um bonito visual, o filme não é ruim, porém também não é excelente. É simplesmente uma boa opção para passatempo e que pode marcar a infância de muitas pessoas, assim como a animação fez no passado. O diretor Raja Gosnell não tem um currículo extenso, mas já se envolveu na produção de diversos títulos destinados a agradar toda a família. Além disso, ele tem experiência em lidar com a junção de animação e cenários e pessoas reais. Ele assinou a direção de Scooby-Doo e sua continuação, ambos feitos para cinema. No primeiro ele perdeu a mão e exagerou nos efeitos especiais e no colorido, o que descaracterizou o clima que os desenhos sugeriam, mas acertou na sequência e com Os Smurfs encontrou o equilíbrio certo na montagem do real e do virtual e todos os personagens são de uma veracidade inquestionável.

Outro ponto relevante foi a transição coerente dos personagens da floresta para a cidade grande. Sair do ambiente cativo da animação poderia ser um risco e abrir caminho para que o roteiro se perdesse e fugisse da essência, mas os roteiristas tiveram o cuidado de manter e explorar as características de cada Smurf. Não é preciso se preocupar com quem nunca ouviu falar do desenho. O longa apresenta muito bem cada criatura, até porque o nome de cada uma já revela um pouco de sua personalidade ou posição social. Também foi muito importante apresentar a bucólica vila dos Smurfs logo no início, com suas famosas casas no formato de cogumelos, tal qual na série animada, para depois ocorrer o contraste com o cenário da metrópole, quando já se espera as melhores piadas.


Apesar de a história ser um tanto tradicional e sem grandes momentos, algumas piadas divertem por justamente serem de auto referência, ou seja, são citações que brincam, por exemplo, com a canção tema, um tanto irritante, a definição dos nomes dos personagens e até cutucam o porquê de existir apenas uma mulher na trupe de criaturinhas azuis. Os Smurfs é sem dúvida um grande programa para toda a família e feito com cuidado para não ser um estranho no ninho entre as produções destinadas ao público infantil da atualidade, mas ainda guardando certos resquícios de nostalgia para atrair os marmanjos. Porém, certamente haverá adulto que ficará decepcionado por não ver a transposição completa e literal do desenho animado para as telas grandes. Os tempos mudaram e o cinema atual não comportaria a simplicidade da antiga série, principalmente na questão visual, a não ser que o foco de resultados não fosse exclusivamente financeiro. É ótimo saber que o mundo cinematográfico pode trazer para a época contemporânea tudo que havia de bom outrora. Uma pena saber que voltam com mudanças e que nunca serão a mesma coisa. Mesmo assim a tentativa é válida.

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