quinta-feira, 25 de agosto de 2011

JULIANNE MOORE, TALENTO E EMOÇÃO A FLOR DA PELE


Existem atores que conseguem transitar muito bem entre o cinema comercial e o mais artístico e ainda seus nomes se tornam sinônimo de qualidade e excelência. Alguns levam essa fama muito a sério e acabam se dedicando a projetos para públicos muito restritos, mas outros têm a sorte de receberem convites tanto para trabalhos que podem ter características mais alternativas quanto para aqueles que têm atrativos para interessar grandes platéias. Julianne Moore é uma das atrizes que conseguem se equilibrar muito bem nessa corda bamba cinematográfica. Muito versátil, sua filmografia inclui comédias, romances, dramas, suspenses e muitos dramas, principalmente nos primeiros anos deste novo milênio período em que vem se dedicando a interpretar mulheres fortes e com conflitos psicológicos ou familiares. A cada novo trabalho ela se supera, até mesmo nos mais simples, e nos faz acreditar sem sombra de dúvidas em suas criações que transbordam emoção, principalmente quando seus olhos expressam todos seus sentimentos sem precisar mencionar uma única palavra. Não é a toa que é uma das intérpretes mais respeitadas e requisitadas atualmente.

Julie Anne Smith nasceu na cidade de Fayeteville, nos EUA, no dia 03 de dezembro de 1960 e é filha de um juiz militar e de uma psicóloga. Seus irmãos também não seguiram carreiras artísticas, assim os famosos ditados "talento vem de berço" ou "filho de peixe, peixinho é" não se aplicam. Julianne tem um talento natural para a interpretação e adotou seu nome artístico nos anos 80 quando começou a batalhar pela carreira de atriz. Em 1983, concluiu o curso de arte dramática pela Universidade de Boston e imediatamente mudou-se para Nova York, onde atuou em algumas produções teatrais e começou a batalhar pela carreira de atriz. Estreou na televisão em 1985, na série "As the World Turns", que durou três anos. Com o término do seriado, passou a se dedicar ao cinema, para variar em produções modestas e esquecíveis como a maioria dos atores. A primeira grande chance na tela grande foi em um papel secundário em A Mão Que Balança o Berço (1992), mas poucos se lembram de sua participação, apesar do filme ainda ser muito famoso até hoje.

Em 1993, dois projetos distintos ajudaram na projeção de sua imagem. O blockbuster O Fugitivo, mesmo ocupando papel de coadjuvante, e Short Cuts - Cenas da Vida, produção do famoso e saudoso cineasta Robert Altman que conseguiu reunir um elenco de estrelas em um filme que não tem um protagonista específico. Com um campeão de bilheteria e um trabalho com a assinatura de um cultuado diretor, a carreira de Julianne agora só iria deslanchar. Bem, não foi exatamente isso que aconteceu, pois continuou se envolvendo em filmes fracos ou com pouca publicidade. Seus filmes relevantes nos anos seguintes são Nove Meses (1995), no qual divide as emoções do período de gestação com o galã Hugh Grant que na época passava por um escândalo na sua vida pessoal o que ajudou na propaganda do longa, e Assassinos (1995), em que está na mira para ser a próxima vítima fatal de Sylvester Stallone. A moça de pele clara e cabelos ruivos conseguiu emplacar um arrasa quarteirão em seu currículo em 1997, quando viveu uma paleontóloga em O Mundo Perdido - Jurassic Park. Junto com Jeff Goldblum e Vince Vaughn, ela protagonizou uma das cenas mais tensas do gênero aventura de todos os tempos: o ataque de dois tiranossauros a um trailer onde estava a equipe de pesquisadores.

O ano de 1997 foi realmente um divisor de águas na carreira de Julianne. Além de participar de um dos filmes com maior bilheteria de todos os tempos, ela também se dedicou a um projeto mais sério e polêmico que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e para outras premiações na mesma categoria. Boogie Nights - Prazer Sem Limites fala da indústria do conteúdo pornográfico nos anos 70 e ela faz o papel de uma estrela de filmes para adultos. Em 1999, atuou no cultuado Magnólia como uma mulher que se casa por dinheiro e que descobre que está realmente apaixonada quando o marido está a beira da morte. No mesmo ano foi indicada a muitos prêmios de Melhor Atriz por sua interpretação em Fim de Caso, onde passa a ser investigada pelo ex-amante vivido por Ralph Fiennes.


Fracassos e sucessos

Nos últimos anos da década de 90, Julianne conseguiu alternar produções cultuadas como O Grande Lebowski (1998), dos irmãos Ethan e Joel Coen, ou pouco vistas como A Fortuna de Cookie (1999), mais uma vez sob a batuta de Robert Altman, com fracassos como a refilmagem de Psicose (1998), um dos clássicos de Alfred Hitchcock reinventado ou talvez copiado desnecessariamente por Gus Van Sant.

A sequência de erros predominou também 2001. Começou com as más críticas para Hannibal, continuação do grande sucesso O Silêncio dos Inocentes (1991). Julianne assumiu o papel que era de Jodie Foster, o de uma investigadora que acaba tendo uma relação peculiar com o assassino que persegue. O que para uma rendeu um Oscar, para a outra quase rendeu um Framboesa de Ouro (prêmio para os priores do cinema). Depois veio Chegadas e Partidas no qual vive uma mulher misteriosa que encanta o personagem de Kevin Spacey. Mesmo com a grife do cineasta Lasse Hallstrom, sueco conhecido por fazer belos dramas, a recepção do longa foi tão fria quanto o clima da ambientação da produção. Para finalizar, ela fez a besteira de estrelar a aventura estilo filme B de monstros Evolução no papel de uma cientista enfrentando uma invasão alienígena.

Se as coisas vão mal no ano que passou, vale a pena fazer simpatias na virada. Deve ter sido isso que Julianne fez para ter um 2002 excepcional. Ela conseguiu o feito raríssimo de obter duas indicações ao Oscar e para outras premiações na mesma edição do prêmio. Recebeu muitos elogios pela mulher exemplar dos anos 50 que fez em Longe do Paraíso. O mundo perfeito da personagem começa ruir quando descobre que seu marido a trai com um homem. Também colheu boas críticas por seu desempenho em As Horas, um sensível drama sobre mulheres diferentes, mas que estão passando por momentos de reflexão e descobertas. Aqui, ela dividiu as honras com a sempre excepcional Meryl Streep e com a sempre em evidência Nicole Kidman.

Após quatro indicações para o prêmio máximo do cinema, e nenhuma vitória, Julianne tem sido esnobada pela Academia apesar de excelentes trabalhos como a amiga e confidente do amigo gay vivido por Colin Firth em Direito de Amar (2009) e como a lésbica que tenta levar uma vida normal em família com a companheira interpretada por Annette Bening em Minhas Mães e Meu Pai (2010). Aliás, falando em homossexuais, parece que a atriz tem certa inclinação a aceitar viver papéis em que precisa beijar outra mulher. Seu último affair feminino foi Amanda Seyfried em O Preço da Traição (2010) em que vive uma quarentona que contrata uma moça para testar a fidelidade do marido, mas acaba colocando em xeque seus próprios sentimentos e perdendo a razão.

Entre um blockbuster aqui ou ali, como Os Esquecidos (2004) e O Vidente (2007), e uma comédia água com açúcar como Leis da Atração (2004) ou Totalmente Apaixonados (2006), a atriz não deixa de lado projetos mais cabeças como o apocalíptico Filhos da Esperança (2006). Não foi por acaso que o cineasta brasileiro Fernando Meirelles a chamou para protagonizar Ensaio Sobre a Cegueira (2008), em que vive a única humana a ter o dom da visão em um período em que uma misteriosa doença está fechando os olhos de todos e despertando os instintos mais primitivos e cruéis de cada um. Julianne Moore é sem dúvida uma das atrizes mais talentosas do momento e que não vê barreiras para realizar seus trabalhos. Seja enfrentando dinossauros, vivendo dilemas amorosos ou em família, sendo uma mulher com desejos reprimidos ou mesmo precisando fazer cenas mais íntimas com outra mulher, ela se entrega completamente as suas personagens e nos brinda com interpretações memoráveis e fortes, algo que só realmente quem ama o que faz consegue.

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