terça-feira, 24 de maio de 2011

OS HOMENS DE PRETO


 
Produções de todos os gêneros já conseguiram marcar época até mesmo quando usam a simplicidade a seu favor, como foi o caso do fenômeno A Bruxa de Blair lançado em 1999 que faturou horrores apoiando-se em uma inteligente e criativa estratégia de marketing que enalteceu um produto com visual paupérrimo. No mesmo ano, mais especificamente alguns meses antes, os holofotes estavam voltados a outro trabalho que também causou frisson, porém, turbinado com um visual arrebatador e uma publicidade que na teoria não seria funcional, mas contrariando expectativas colaborou e muito para sua fama e bilheteria. Matrix chegou ao Brasil envolto a polêmicas fomentadas em outros países por onde já havia estreado, mas ostentando um caixa de dar inveja. O longa ganhou espaço nos noticiários devido as suas fortes cenas de violência e tiroteios. Especialistas em comportamento alegavam que o emprego de tais cenas aliadas ao estilo de vestimentas dos personagens, como se fosse uma gangue cuja marca era os trajes negros e soturnos, poderia gerar problemas na sociedade, principalmente entre o público adolescente que poderia ser influenciado já que essa é uma fase da vida em que eles buscam referenciais e precisam se sentir fazendo parte de algum grupo com o qual se identifiquem. O tempo passou e gangues de jovens surgiram, influenciados ou não, mas o fato é que esse grande marco da ficção científica continua como uma obra ímpar que nem mesmo seus realizadores conseguiram gerar episódios seguintes com o mesmo grau de qualidade e inventividade. Dirigido pelos irmãos Wachowski, dupla de cineastas que viu seus nomes serem catapultados da noite para o dia ao estrelato, o roteiro trouxe à tona questões complexas e existenciais, ainda que a premissa fosse a mesma de tantos outros exemplares do gênero. Os humanos futuramente acabam sendo escravizados por máquinas dotadas de inteligência artificial, o que gera uma guerra sem precedentes. Entre teorias filosóficas e outras apocalípticas, boa parte do público que lotou os cinemas estava mesmo é ávida por inovação e adrenalina.
A cena em destaque reúne diversas características que se tornaram marcas registradas da produção. Com óculos e roupas escuras e vivendo em uma realidade completamente nova e com visual estilizado, Keanu Reeves viu seu prestígio aumentar ainda mais, principalmente entre os jovens, tornando-se um ícone pop ao dar vida ao enigmático personagem Neo. Curiosamente, pouco tempo após o lançamento de Matrix entraria em cartaz o aguardado Star Wars – Episódio 1 – A Ameaça Fantasma. Ambos representantes da ficção científica, cada qual com seu estilo visual peculiar, esta foi uma das raras oportunidades do público conferir quase que simultaneamente duas produções do mesmo gênero, uma categoria que na época necessitava de uma injeção de ânimo após vários projetos fracassados e com aura de filme B. O saldo final do trabalho inovador foi bastante positivo. A ficção se tornou um dos maiores fenômenos cinematográficos de todos os tempos, conquistou quatro merecidos Oscars técnicos e inovações como o congelamento de um personagem no ar enquanto outros se movimentam ao redor foram incorporadas definitivamente aos estilos de filmagem. Claro que paródias surgiram aos montes nos anos seguintes, mas nada que desmerecesse a produção, ao contrário, até serviram para aguçar a curiosidade de quem até então não havia embarcado nessa viagem. Praticamente com um pé na virada do milênio, a época era propícia para uma obra inovadora tanto no emprego da tecnologia quanto em conceitos revolucionários, pena que nem todo mundo que assistiu conseguiu dissecar o roteiro a ponto de captar a mensagem profunda escondida por trás de tantos efeitos especiais. Ficaram na superfície do assunto, mas o suficiente para se satisfazerem, afinal corre-corre e barulho tem de sobra aqui.

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