quarta-feira, 18 de maio de 2011

O MERCADÃO DE CANNES

Meryl Streep como Margaret Thatcher em longa comercializado em Cannes

Quem pensa que o Festival de Cannes é apenas uma mostra de filmes e uma passarela luxuosa para estilistas exporem seus modelitos está enganado. O evento também recebe muitos visitantes para fechar negócios. Todos os anos dezenas de filmes de arte que poderiam ficar restritos aos circuitos de premiações ganham a chance de serem adquiridos por distribuidoras do mundo todo. Existem histórias até de obras que foram negociadas com apenas uma breve sinopse ou com um bom elenco garantido ou ainda por terem o nome de um diretor respeitável atrelado ao projeto. Distribuidoras majors (que também produzem conteúdo próprio) e independentes (que compram de produtoras os longas que distribuem) participam em busca de bons negócios.

Os irmãos Weinstein são famosos por fecharem bons acordos durante a temporada do festival. Responsáveis pela The Weinstein Company, eles adquiriram os direitos para lançar nos EUA The Iron Lady, no qual a premiada Meryl Streep interpreta a ativista política Margaret Thatcher. O longa já é aguardado como um dos grandes títulos do Oscar 2012 e deve render mais uma indicação a recordista atriz.

Durante alguns anos entre a década de 90 e meados dos anos 2000, os irmãos Weinstein ficaram conhecidos por conseguirem levar diversos filmes que tinham adquirido até a festa do Oscar. Muitos deles inclusive saíram premiados como o musical Chicago. Porém, nem tudo que é premiado rende dinheiro, por isso também eles investem em projetos para atingirem platéias maiores.

A Sony Pictures também fez negócios no festival e adquiriu os direitos de Great Hope Springs, uma comédia com Steve Carrell, Tommy Lee Jones e novamente Meryl Streep. Especializada em filmes mais selecionados, o outro braço da companhia, a Sony Classics, levará aos cinemas americanos o drama Footnote, título na disputa à Palma de Ouro.

As distribuidoras brasileiras também vão a Cannes em busca de bons negócios, já que os contratos para divulgação para cada país são fechados individualmente e podem não serem as mesmas distribuidoras que levarão o título aos EUA (no caso das majors que atuam em diversos locais pelo mundo todo). No Brasil, as independentes que mais buscam oportunidades na Riviera Francesa são Paris, Europa, Califórnia e Imagem. Geralmente as estréias dos longas adquiridos ocorrem a partir do final do ano vigente, já que os filmes, em sua maioria, são exibidos nos festivais de cinema do Rio e São Paulo entre setembro e novembro.

Um comentário:

renatocinema disse...

Tudo hoje, na globalização, envolve dinheiro e sucesso.

Não temos como fugir disso. Com o cinema e a arte não tem como ser diferente.

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