quarta-feira, 4 de julho de 2012

FESTIVAL DE FÉRIAS - AMOR A TODA PROVA

O gênero da comédia se divide em diversos subgêneros. Temos as produções de humor adolescentes, as românticas, as inteligentes, as de piadas momentâneas e mais um monte de categorias menores que comumente não são catalogadas. Nos últimos anos tem se tornado corriqueiras as comédias dos homens de meia-idade, lembrando que nos anos 90 as mulheres na idade da menopausa também tiveram seu momento de brilhar no campo humorístico tendo como principais representantes Bette Midler e Diane Keaton. Atualmente, Steve Carell é o grande nome masculino dessa vertente cômica e tem acumulado grandes sucessos na área desde que despontou tardiamente em O Virgem de 40 Anos. Cada vez mais experiente na função do cara maduro que precisa urgentemente de uma companheira, o ator mostra mais uma vez seu talento em Amor a Toda Prova (2011).

Carell vive Cal Weaver, um homem que tem um emprego estável, um casamento duradouro e uma família típica de comercial de margarina. Seu mundo perfeito desmorona quando sua esposa Emily (Julianne Moore) pede o divórcio cansada de tanto tempo vivendo a monotonia a qual seu marido estava habituado. Ou será que ela era a acomodada? Para tirar a prova, o mais novo solteiro da praça começa a sair em busca de encontros rápidos, mas não tem sucesso a começar pelo seu visual sem graça de se vestir e agir. Tudo muda quando ele conhece Jacob Palmer (Ryan Gosling), um rapaz que não passa uma noite sequer sozinho e que ajuda o respeitável corretor de seguros a se tornar um “pegador”. Claro que inicialmente o namorador aproveita a inocência do companheiro para fisgar a mulherada, mas não demora muito e Cal pega as manhas. A partir dessa trama principal, começam a surgir ramificações como o garoto Robbie (Jonah Bobo) que é apaixonado pela babá Jessica (Analiegh Tipton) e esta que é apaixonada pelo patrão. São várias histórias paralelas que se conectam de alguma forma, embora quando todas se encontram no clímax o tom destoe bastante do restante da produção parecendo mais uma cena típica de filmes de Adam Sandler ou de Owen Wilson, mas nada que estrague o conjunto. Nesta altura já estamos tão íntimos de todos os personagens que desfilaram durante mais de uma hora e meia que este deslize passa batido.


É interessante observar que muito do humor da narrativa não se concentra nos diálogos e sim nos gestos e olhares trocados entre os personagens, o que beneficia bastante as atuações de Carell e Gosling. Julianne é uma excelente atriz e faz seu papel com competência, mas no todo digamos que ela fica um pouco apagadinha, afinal o show é mesmo dos protagonistas masculinos. Porém, é preciso destacar a presença de Emma Stone, uma das gratas surpresas da nova geração de atrizes de Hollywood. Ela esbanja simpatia defendendo uma personagem que em um primeiro momento pode parecer tola e perdida no enredo, mas que pouco a pouco vai ganhando força até que se torna uma peça-surpresa para o desfecho dessa teia onde cada um vive um conflito amoroso muito bem explorado. Diferentemente de tantas comédias românticas que forçaram ligações entre um elenco repleto de estrelas nos últimos anos, aqui todos têm chance de aparecer e desenvolver um viés da forma de amar, mesmo que ao final fique a sensação, como já dito, que os homens dominaram a tela. Ponto para eles que geralmente são jogados para escanteio em fitas produzidas para o público feminino. Aliás, outra coisa positiva nesta produção é o fato das platéias masculinas também se envolverem com a história e se divertirem bastante.
Com um elenco razoavelmente grande qualquer diretor poderia facilmente se perder e construir uma narrativa cheia de furos e mal amarrada, mas a dupla Glenn Ficarra e John Requa mostrou competência para alinhavar romance, comédia e drama, além de algumas pitadas de surpresa para o ápice da história. Conhecidos pela polêmica comédia (na época que antecedeu seu lançamento) O Golpista do Ano, os diretores continuam com o timing para o humor, mas desta vez pegaram mais leve optando por uma conclusão mais moralista. Sem nenhum problema nisto. Talvez a expectativa gerada por algumas cenas mais quentes prometidas tenham comprometido a carreira do projeto anterior deles, que no final das contas não rendeu o esperado. Na nova empreitada acertaram ao manter o projeto mais na encolha, embora o nome de Gosling envolvido tenha servido como propaganda extra devido a sua imagem estar em evidência. Porém, até seu personagem que de tão galinha poderia causar repulsa, eles acertaram mostrando sua porção humana no momento exato. Obviamente os créditos das limitações também se devem ao roteirista Dan Fogelman que escreveu situações divertidas e que mesmo tendo erotismo implícito jamais este artifício é usado de forma constrangedora. Ainda assim não é uma opção para todas as idades e até para pré-adolescentes o linguajar pode ser um pouco pesado, mas nada que uma família mais moderninha não dê jeito.

Esquivando-se espertamente de ser apontado como um filme que é a favor da liberdade sexual e que mostra o casamento como uma instituição falida, Amor a Toda Prova dá uma sutil guinada na sua reta final para provar que o amor é que move o ser humano, seja uma paixão de adolescência, um romance que chega inesperadamente ou aquele sentimento que une as pessoas mesmo quando elas estão separadas. Ao término podemos ter a sensação de que acompanhamos por intermédio de três homens estas manifestações de carinho e assim ficamos satisfeitos com mais uma comédia romântica que, apesar de alguns clichês e situações previsíveis, consegue ser original e trazer certo frescor ao gênero. A única ressalva é quanto a presença da atriz Marisa Tomei como a professora Kate, uma amante do tipo “pega osso” de Cal. Com fama de ter o talento limitado, aqui mais uma vez ela faz jus a isso e entrega um personagem estereotipado de uma solteirona desesperada para ter um homem. Mesmo com essa pisada de bola, um detalhe mínimo, este filme vale a pena ser conferido.

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