quinta-feira, 3 de novembro de 2011

VINCENT PRICE, O SENHOR TERROR


 
Quando estamos na época do Halloween, é comum os cinéfilos e curiosos recorrerem a títulos de terror do passado para festejarem e curtirem a data. Quando se fala neste tipo de produção existe um nome que automaticamente lembramos. Vicent Price foi um dos maiores atores que o cinema já teve e construiu uma carreira sólida e com uma extensa filmografia com quase cem títulos que perdurou praticamente até o seu falecimento em 25 de outubro de 1993, curiosamente data bem próxima a época em que seu nome vinha a tona junto com grandes clássicos do cinema de horror. Mas se engana quem acha que ele viveu para lidar com monstros e coisas do além. Participou também de grandes obras dramáticas e até teve como um de seus últimos trabalhos bem sucedidos a participação em um singelo filme para agradar a todo tipo de público, dos pequenos aos idosos.

Nascido em 27 de maio de 1911, em St. Louis, no Missouri, Vicent Leonard Price Jr. nasceu em uma família bem sucedida. Seu pai era um próspero empresário do mercado de doces e conseguiu oferecer ao filho os melhores colégios particulares e uma criação baseada em tradições antigas da Europa, o que proporcionou ao futuro ator o contato com um ambiente acima dos padrões e impregnado de arte e cultura Estudou nas universidades de Yale, de Londres e de Nuremberg, concluindo os cursos de História da Arte, Inglês e Belas-Artes. Depois, ganhou a vida escrevendo livros, dando palestras e escrevendo uma coluna para um jornal, tudo a respeito das artes, é claro.

Foi nos tempos de estudante em Londres que Price demonstrou aptidão e interesse para a carreira de ator. Mesmo contra a vontade da família, ele foi estudar artes dramáticas em um pequeno teatro graças a uma bolsa de estudos. Quando integrava o Mercury Theater, grupo experimental dirigido por Orson Welles, decidiu largar os palcos para tentar a carreira em Hollywood. Foi fazer testes, mas não passou, porém, entrou para o elenco de Serviço de Luxo (1938), sua estréia no cinema.

Não demorou muito para que Price conseguisse sua primeira grande chance de brilhar. Em Meu Reino Por Um Amor (1939), uma história passada nos tempos da Rainha Elizabeth I da Inglaterra, ele ganhou o papel coadjuvante de Sir Walter Raleigh, mas pôde mostrar seu talento, atuar ao lado dos lendários Bette Davis e Errol Flynn e ganhar um contrato longo com a produtora Universal, a casa dos famosos filmes de terror de antigamente. Porém, antes de se tornar ícone deste filão a partir da década de 1950, ele interpretou diversos personagens históricos, alguns com boa dose de carga dramática, em mais de vinte filmes. Entre os destaques desta fase, viveu o rei inglês Carlos II de O Renegado (1940), um promotor em A Canção de Bernadette (1943), foi um gigolô em Laura (1944), um aristocrata suicida em O Solar de Dragonwyck (1946) e o cardeal Richelieu em Os Três Mosqueteiros (1948).


De caso com o terror

A virada na carreira aconteceu quando aceitou o convite para atuar em Museu de Cera (1953 para viver o escultor que, após queimar suas mãos em um incêndio, passa a assassinar pessoas para depois transformá-las em bonecos no primeiro filme realizado em três dimensões. Apesar de já ter atuado em produções de suspense antes, foi esta obra que selou a imagem do ator com o gênero do horror, ainda que vez ou outra ele atuasse em outros estilos de filmes, participando inclusive da obra megalomaníaca de Cecil B. DeMille Os Dez Mandamentos (1956).

Nos anos seguintes, destacam-se na sua filmografia os títulos A Mosca da Cabeça Branca (1958) e A Casa dos Maus Espíritos (1959). O primeiro trata da história de um homem que entra em uma câmara de teletransporte sem perceber que lá dentro existe uma mosca e o resultado é que inseto e humano sofrem mutações. O outro título é a respeito de um excêntrico milionário que convida um grupo de pessoas para passar uma noite em uma casa assombrada e quem aguentar até o fim ganhará uma bela quantia de dinheiro.

Na década de 1960, Price e o diretor Roger Corman formaram uma pareceria e tanto. Fanático pelas obras do escritor Edgar Allan Poe, o cineasta adaptou várias de suas histórias para seu intérprete preferido protagonizar. Assim foram realizados O Solar Maldito (1960), A Mansão do Terror (1961), Muralhas do Pavor (1962), A Torre de Londres (1962), O Corvo (1963), O Castelo Assombrado (1963), A Orgia da Morte (1964) e O Túmulo Sinistro (1965).

Nos anos seguintes, o ator começou a diversificar suas atividades colaborando em produções atípicas para ele até então como participar do mundo da música a convite dos cantores Alice Cooper e Michael Jackson, servir de inspiração para um personagem do seriado de animação Os Treze Fantasmas do Scooby-Doo, dublar o vilão Professor Ratagão de O Ratinho Detetive (1986), hoje conhecido com As Peripécias do Ratinho Detetive, e ainda participar para a série de TV Contos de Fadas, programa em que deu vida ao espelho mágico na história de Branca de Neve e os Sete Anõese narrou o episódio O Menino Que Saiu de Casa Para Saber o Que Era o Medo”. Esses trabalhos surgiram obviamente por causa da aura sinistra que criou durante boa parte de sua carreira. Ainda foi o narrador do curta Vincent”, animação em stop-motion dirigida por Tim Burton, uma clara homenagem ao ator que certamente influenciou as preferências cinematográficas do então cineasta em início de carreira.

O final da carreira de Price foi marcado pela elogiada atuação em Baleias de Agosto (1987), como um idoso que se instala na residência de duas irmãs também idosas interpretadas pelas saudosas Bette Davis e Lilian Gish, mas uma delas que está cega teme que este homem queira apenas usufruir do pouco dinheiro que lhes restam. Curiosamente, seu último trabalho de sucesso foi em parceria com o cineasta Burton, o mesmo do curta-metragem em homenagem ao astro. Em Edward Mãos de Tesouras (1990) ele vive o inventor que criou o estranho ser com lâminas nas mãos, isso porque faleceu antes de terminar sua criação.

Com olhar diabolicamente sedutor, gestos elegantes e com a educação de um lorde inglês, apesar de ser norte-americano, Price solidificou a imagem do vilão clássico. Criticado por muitos por optar se dedicar mais a um gênero considerado menor e até depreciativo, o ator nunca ligou para essas coisas e ainda afirmava que adorava representar o lado do mal nas histórias e nunca considerou que esse apreço o rebaixasse perante outros atores consagrados da época, ou melhor, das épocas, já que viveu intensamente o mundo do cinema durante várias décadas e trabalhou praticamente até o fim da vida. É uma pena que apenas uma pequena parte de sua filmografia possui registros para pesquisas hoje em dia, assim de muitas das produções que participou não é possível saber que tipo de papel ele fez e nem mesmo o conteúdo das obras. Uma bela história cinematográfica perdida.

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