quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ROBIN WILLIAMS, UM ATOR QUASE PERFEITO


Ele é um dos atores mais populares do cinema americano. Tem em seu currículo grandes sucessos de bilheteria, personagens marcantes e é muito conhecido pelos papéis cômicos, apesar de sempre ter buscado seu espaço em outros gêneros, muitas vezes com êxito. Também pode ser considerado o grande responsável pela valorização da dublagem, atividade praticamente ignorada por muitos. Robin Williams sem dúvida construiu uma carreira brilhante, mesmo ingressando no mundo cinematográfico quando já era adulto. Se na frente das câmeras ele demonstra entusiasmo e ser bem sucedido, atrás delas as coisas não são bem assim. O ator já passou por problemas graves ligados a vícios e hoje agradece aos céus por estar vivo e ainda lembrado por público, crítica, diretores e produtores.

Nascido na cidade de Chicago em 21 de julho de 1951, ele é filho de uma modelo e de um executivo, ou seja o talento para as artes dramáticas não está no sangue, foi adquirido ao longo dos anos. Apesar de não parecer, ele diz que era uma criança comportada e que a aptidão para fazer imitações e criar vozes surgiu de brincadeiras em família, mas a timidez o levou a se envolver com a área de interpretação apenas quando já estava no ensino médio. Em 1973, foi um dos vinte estudantes aceitos como calouros na renomada Juilliard School e um de apenas dois a serem inseridos no programa avançado da escola. O outro foi o saudoso Christopher Reeve, o eterno Superman. No entanto, o teatro nunca foi o forte de Williams. Sua peça de maior destaque foi "Esperando Godot" dividindo a cena com Steve Martin.

Os primeiros trabalhos de Williams foram para a televisão a partir da segunda metade da década de 1970. Ele alcançou sucesso na pele de Mork, um alienígena na série "Happy Days". Boa parte dos diálogos e das marcações de cenas ele próprio improvisava, além de emprestar um voz aguda e anasalada ao personagem o que contribui para popularizá-lo, assim não demorou muito para que ele ganhasse seu próprio sitcom, "Mork and Mindy" que ficou no ar durante cinco anos. Apesar de interpretar o mesmo papel, esses seriados se passavam em épocas distintas. O primeiro na década de 1950 e o segundo na época contemporânea. Depois disso, o ator ainda fez diversas participações em outras séries e telefilmes e até levou o humor stand-up para a telinha, mas sem o mesmo sucesso. Ainda assim, até hoje, vez ou outra ele invade os lares com seu bom humor, inclusive já até foi o apresentador oficial de uma festa do Oscar.

A popularidade do alienígena da TV transformou Williams em ídolo familiar, tanto que o personagem ganhou uma linha de bugigangas para os fãs tal qual qualquer personagem de desenho animado gera. Certamente tanto sucesso foi determinante para ganhar o papel-título de Popeye (1980), sua estréia nas telonas. Dividindo a cena com a outrora famosa Shirley Duvall, o ator encarnou com muito entusiasmo o astuto herói dos desenhos animados. Não demorou muito e seu talento foi reconhecido pelo cinema. Com Moscou em Nova York (1984) conquistou sua primeira indicação ao Globo de Ouro vivendo um saxofonista. Mais elogiada ainda foi sua performance na comédia  Bom Dia, Vietnã (1987) como um aeronauta convocado pelo governo americano para trabalhar como disc-jóquei  em Saigon, mas que acaba não obedecendo as ordens de seus superiores e fazendo o que quer no programa. Confirmando seu excelente trabalho, ganhou sua primeira indicação ao Oscar e ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia.

O final da década de 1980 e o início da de 1990 marcou a carreira do astro através de elogiados dramas. Vivendo um professor que quebra a rigidez e a disciplina de um tradicional colégio só para meninos em Sociedade dos Poetas Mortos (1989) e um mendigo com problemas psicológicos em O Pescador de Ilusões (1991) foi novamente indicado nas principais premiações. Ainda ganhou um papel de destaque como um neurologista em Tempo de Despertar (1990). Na mesma época amargou o fracasso de seu Peter Pan adulto em Hook - A Volta do Capitão Gancho (1991) e do herdeiro de uma grande fábrica de brinquedos em A Revolta dos Brinquedos (1992). Também emprestou sua voz para a animação politicamente correta e a favor do meio-ambiente Ferngully - As Aventuras de Zak e Crysta na Floresta Tropical que também não rendeu o esperado.

Falando em voz, com a facilidade que tinha para fazer imitações e criar tipos diferenciados é óbvio que Williams não podia deixar de fazer dublagens. Seu trabalho mais célebre nesta área é o Gênio da animação Aladdin (1992) da Disney, atividade que foi crucial para que atores famosos emprestassem suas vozes a personagens de desenhos e até mesmo para que aqueles que viviam só disso obtivessem o reconhecimento merecido. Existem diversas atrações do estúdio do Mickey Mouse que contam com a dublagem do astro, mas a aventura das arábias também rendeu certa dor de cabeça. Por questões contratuais, o nome e a imagem do ator não poderiam ser divulgados nas ações de marketing do longa, mas só o pôster era praticamente ocupado pela metade da imagem do Gênio e todos os outros personagens foram retratados em tamanhos consideravelmente bem menores, até mesmo o protagonista. Assim, toda a expectativa da obra foi jogada nos ombros de Williams, mas seria quase impossível não ser assim. O desenho é sensacional, tem bom enredo e personagens, mas o amalucado habitante da lâmpada mágica só ganhou vida graças ao ator que improvisou  praticamente todas as suas falas. Cogitou-se sua indicação para o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante tamanha sua dedicação, mas ela não foi aceita por se tratar de uma dublagem, conceito que a Academia de Cinema precisa rever ainda mais hoje em dia que a atividade é tão valorizada. As diversas alterações no roteiro também inpediram a inscrição para o prêmio de roteiro adaptado.

As pazes com a Disney foram feitas, apesar de mais um ou outro desentendimento. Assim ele atuou em Jack (1996) e em Flubber - Uma Invenção Desmiolada (1997). No primeiro vive uma criança com uma doença que acelera o envelhecimento e no segundo um cientista as voltas com os problemas gerados por sua mais recente criação. Williams voltou a emprestar sua voz para uma holografia em A.I. - Inteligência Artificial (2001), Robôs (2005) e Happy Feet - O Pinguim (2006) e sua sequência lançada em 2011. Dublou novamente o Gênio no lançamento direto em vídeo Aladdin e os 40 Ladrões (1996) após se acertar com a Disney, mas ficou de fora da série animada para a TV baseada no filme e no segundo filme da trilogia, O Retorno de Jafar (1993). Seus dotes vocais também foram essenciais para O Homem Bicentenário (1999), drama leve no qual pelo menos metade do tempo aparece como um robô feito de lata. Na segunda unidade ainda continua uma criação da tecnologia, mas passa a assumir feições humanas com direito a uma maquiagem especial para envelhecer o ator.



Drama e suspense

O diretor de O Homem Bicentenário é Chris Columbus, um especialista em obras do tipo família. A pareceria dele com o ator já havia rendido uma das comédias mais lucrativas da história. Em Uma Babá Quase Perfeita Williams volta a trocar de voz para encarnar um homem que se traveste como uma respeitável senhora que se candidata a um emprego para poder ficar perto dos filhos. Curiosamente, o ator havia desfeito seu primeiro casamento justamente para se unir a babá de seu primogênito. Juntos tiveram mais dois filhos, mas a relação chegou ao fim em 2008. 

A proximidade com o público infantil era tanta, ainda mais depois de viver a babá dos sonhos de qualquer criança, que seu nome foi cogitado para assumir o papel de Charada em Batman Eternamente (1995), que acabou sendo feito por Jim Carrey. Antes já tinha sido sondado para o Coringa de Batman (1989) e manifestou desejo pelo mesmo papel para Batman - Cavaleiro das Trevas (2008), mas já não tinha idade apropriada. Os intérpretes acabaram sendo Jack Nicholson e o finado Heath Ledger respectivamente.

Williams continuou obtendo sucesso nas comédias como Jumanji (1995) e A Gaiola das Loucas (1996), mas sentia a necessidade de não ficar atrelado a um gênero e ser reconhecido também em dramas, fama que até então havia ficado em seu passado. Assim ele conquistou e emocionou platéias no mundo todo em 1998 como um  médico que acredita que a alegria é o melhor remédio em Patch Adams - O Amor é Contagioso e como um homem em busca de seu grande amor em vida no mundo além em Amor Além da Vida. Porém, antes ele já havia chamado a atenção com sua interpretação mais séria como um psicólogo no elogiadíssimo Gênio Indomável (1997). O papel lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Atuou em outros dramas sendo o último mais bem sucedido O Som do Coração (2007), no qual vive uma espécie de explorador de menores que lucra com o dom para a música deles.

Apesar de nos últimos anos atuar em comédias como Uma Noite no Museu (2006) e Surpresas em Dobro (2009), a primeira década do novo século marcou a carreira do ator pelo seu investimento no campo do suspense, ainda que não tenha conseguido bons resultados. Ele fez um funcionário de um laboratório de revelação de fotografias que fica obcecado por uma família em Retratos de Uma Obsessão (2002), viveu o suspeito de um assassinato em Insônia (2002), interpretou um profissional que realiza edições de imagens do passado na mente das pessoas em Violação de Privacidade (2004) e deu vida a um radialista que tenta ajudar um adolescente problemático em Segredos na Noite (2006). 

Ultimamente o ator tem diminuidp consideravelmente seu ritmo de trabalho. Provavelmente devido a problemas de saúde originados há anos atrás devido ao cosumo de drogas e álcool, aliados ao estresse da profissão, ele desenvolveu problemas cardíacos e já até passou por uma cirurgia para substituir a válvula aorta. Certamente isso não fez com que ele perdesse seu bom humor e veneno destilado em piadas que muitas vezes o coloca em situações complicadas como quando fez uma brincadeira de mau gosto envolvendo o Brasil e seu prestígio junto aos organizadores dos maiores eventos esportivos mundiais. Não há nada em vista para que Robin Williams apareça em breve nos cinema, exceto como dublador, mas Hollywood ainda sabe reconhecer o talento da turma mais velhinha e logo ele deve ter novos convites. Levando o público às lágrimas ou ao riso, o que importa é ter o talento em cena deste ator quase perfeito (isto fica por conta de sua vida louca de outrora). 

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