terça-feira, 13 de setembro de 2011

DUELO DE GIGANTES


Em 1933, ele surgiu em versão stop-motion e em preto e branco e é considerado o pai dos filmes estilo arrasa-quarteirão. Em 1976, ganhou uma super produção, desta vez em cores, o que realçou seu impacto em tela grande. Além destes longas, surgiu em outras dezenas de pequenas produções que levavam seu nome e totalmente esquecíveis. Até já passou por um combate com o famoso monstro oriental Godzilla em mais uma das pérolas que tentaram obter fama às suas custas. Tantas aparições poderiam ter desgastado sua imagem, mas o diretor Peter Kackson acreditava que ainda poderia recriar a história de uma das obras mais famosas do cinema e assim em 2005 ele estreou sua versão de King Kong, um filme declaradamente feito para entretenimento, o que gerou muitas críticas. A história basicamente é a mesma do original. Também passado na década de 30, época em que os EUA viviam a Grande Depressão, período em que milhares de pessoas tentavam sobreviver como podiam em meio a uma violenta crise financeira, o longa começa mostrando Ann Darrow, vivida por Naomi Watts, uma atriz que procura emprego em um cabaré. Por um acaso do destino, eis que entra Jack Black em cena na pele do cineasta Carl Denham e com uma excelente proposta de trabalho para a moça. Quando ela embarca em um navio rumo a uma misteriosa ilha onde serão feitas as filmagens, ela conhece o conceituado roteirista Jack Driscoll, papel de Adrien Brody, e ambos se apaixonam, mas viver esse amor durante essa viagem será algo impossível. Mal sabem eles os perigos que a tal ilha esconde. Não precisa ser adivinho para saber o que acontecerá, mas o diretor criou um verdadeiro local fantástico onde tudo é possível e caprichou nas sequências de ação e efeitos especiais, suas especialidades então devido a experiência grandiosa que teve com a trilogia O Senhor dos Anéis.

Como qualquer filme que seja cultuado, é claro que uma refilmagem é motivo de deixar muita gente com o pé atrás, mas a crítica pegou pesado na análise desta surreal reinvenção do clássico, assim como também a versão dos anos 70 não é muito bem vista, salvo pelo fato de ter apresentado ao mundo a loiríssima atriz Jessica Lange. O que eles esperavam ver de uma obra feita para divertir? Filosofia, estudos sobre comportamentos de um gorilão ou análise do caráter duvidoso do personagem de Black? É claro que a obra original é repleta de significados e idéias inseridas no contexto para entreter o público daquela época que sofria com pressões externas e mal tinham dinheiro para comprar comida. Hoje os tempos são outros e Jackson resolveu soltar a imaginação e ao mesmo tempo homenagear o filme clássico. Manteve a história na década de 30, apresentou um pouco do contexto histórico e manteve diversas passagens, além de fazer algumas citações relevantes ao original como se lembrar do nome da atriz e do diretor. Assim, o cineasta fez uma bela homenagem para aqueles que abriram caminho para o cinema escapista que ele tanto preza e com o qual fez fama. Comédia, drama, ação e suspense se misturam ao longo das três horas de duração de forma excepcional e sem perder o foco nas histórias dos personagens. A primeira hora é todinha dedicada a apresentação deles, assim criando uma empatia com o espectador que mais para frente vai sofrer com as mortes de algum e a vibrar com a mocinha conseguindo se entender com o macacão, figura criada digitalmente em cima dos movimentos corporais e faciais do ator Andy Serkis, um especialistas nesse tipo de trabalho. Uma das cenas mais famosas desta obra, seja ela qualquer uma das três versões, é a sequência em que Kong está no alto de um edifício segurando a bela Ann em sua enorme mão enquanto é alvejado por tiros disparados de aviões, uma parte emocionante e eletrizante do roteiro. Porém, dizer que esta cena é a mais marcante é chover no molhado. Na obra de Jackson, vale ressaltar a grande sequência em que Ann é perseguida por tiranossauros e é salva por Kong. Impossível não sentir a adrenalina criada pelos eficientes movimentos de câmera potencializados pelos efeitos sonoros de primeira. Quando resta apenas um dinossauro e ele se confronta com o gorilão, como na cena acima, chegamos a um momento-chave: o grande símio é superior ao gigantesco réptil e mostra sua força. Um verdadeiro duelo de gigantes. Se você ainda não assistiu essa versão de King Kong (acredite ainda há quem nunca assistiu e talvez você possa ser um), esqueça a opinião dos críticos, salvo um ou outro, e se entregue a este espetáculo que alia texto e imagens de primeira, proporciona pura diversão do início ao fim e de quebra nos oferece um clima nostálgico irresistível. Curiosidade: muita gente pensa que os dinossauros da trama foram invenções do diretor neozelandês em meio a tantas outras coisas criadas para esta refilmagem, mas os extintos seres também existiam na primeira versão. Sem eles talvez  o resultado final não fosse tão excepcional.

Um comentário:

renatocinema disse...

Amo a versão original.

A segunda, da década de 70 acho apenas razoável.


A versão nova não me agradou. Acho que criei muita expectativa, talvez, pela tecnologia atual. E fiquei um pouco decepcionado.

Mas, ainda vale como comparação analisar as duas obras realizadas em períodos tão distantes.

Você também pode gostar de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...