quinta-feira, 29 de setembro de 2011

AL PACINO, DE CARA LIMPA, MAS COM PERSONALIDADES ÍMPARES


Ele faz parte de uma safra de atores que muitos acreditam que dificilmente haverá outras iguais. Com um currículo extenso, diverso e muitas indicações a prêmios, inclusive alguns que realmente faturou, Al Pacino é um ícone do cinema americano que continua em atividade. Muito marcado por papéis em tramas policiais e de suspense, o ator ainda não entregou aos pontos e continua conquistando papéis principais, mesmo estando em uma idade em que muitos preferem usar apenas o prestígio do seu nome para marcarem presenças rápidas em algumas produções. Ainda bem que ele prefere se manter em evidência e continuar levando adiante o seu talento, ainda que ultimamente suas escolhas de projetos não honram sua respeitável carreira.

Alfredo James Pacino nasceu no Bronx, bairro pobre de Nova Iorque, no dia 25 de abril de 1940. Filho do agente de seguros Salvatore Pacino e da dona de casa Rose, ele teve uma infância simples e com alguns problemas, incluindo o divórcio dos pais. Devido à violência das ruas, o garoto não costumava sair de casa e assim sua maior diversão era assistir filmes pela televisão e imitar os artistas. Assim, conheceu o teatro muito cedo e com dificuldades conseguiu pagar seus estudos de artes cênicas na conceituada Actor's Studio, onde teve como professor Lee Strasberg, criador de um método peculiar de interpretação, o mesmo seguido por atores como Robert De Niro e Dustin Hoffman. Não a toa Pacino está sempre dividindo as opiniões com eles quando o assunto é escolher o melhor ator. Em 1967 já ganhava seu primeiro prêmio, o Tony, o Oscar do teatro americano.

Sua estréia no cinema aconteceu em 1969 com um pequeno papel em Uma Garota Avançada seguida da participação em Os Viciados (1971) na pele de um viciado e traficante de drogas. A pouca experiência diante das câmeras não o impediram de ascender profissionalmente de forma rápida. Pelas mãos de Francis Ford Coppola ele conheceu o sucesso da crítica e do público com o personagem Michael Corleone de O Poderoso Chefão (1972), que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar como ator coadjuvante. Curiosamente, pelo mesmo papel concorreu como melhor ator por O Poderoso Chefão 2 (1974) e voltaria a vivê-lo na última parte da trilogia lançada tardiamente em 1990. Tamanha identificação com o personagem certamente se deve ao fato de ele ser descendente italiano.

Depois da primeira parceira com Coppola, a carreira de Pacino deslanchou conquistando bons papéis e várias indicações a prêmios. Nessa fase atuou em Serpico (1973), onde faz o papel- título, um jovem policial idealista, Um dia de Cão (1975), como um assaltante que deseja conseguir dinheiro para que seu amante faça uma mudança de sexo, Justiça Para Todos (1979), vivendo um advogado de boa índole, e Scarface (1983), vivendo um barão da droga cubano. Esse último é um violento trabalho do cineasta Brian De Palma onde o ator contracenou pela primeira vez com Michelle Pfeiffer. Em 1992, eles voltariam a trabalhar juntos em Frankie e Johnny, sob a batuta de Garry Marshall, diretor acostumado a histórias açucaradas. Aqui ele vive um cozinheiro de uma lanchonete onde vive um triângulo amoroso com duas belas garçonetes.

A boa fase terminou em 1985 com Revolução, um épico passado na época da Guerra de Independência dos Estados Unidos. Muitos consideram sua pior atuação até então e lhe rendeu uma indicação ao Framboesa de Ouro de Pior Ator. Desiludido e com problemas com drogas e álcool, o autor resolveu se dedicar ao teatro nos anos seguintes. Em 1989, regressou aos cinemas com Vítimas de Uma Paixão na pele de um detetive que investiga as mortes de homens após eles responderem a núncios de correios sentimentais.

Nos anos 90, teve atuações elogiadas como um gângster caricato em Dick Tracy (1990) e como um corretor de imóveis em O Sucesso a Qualquer Preço (1992), papel que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de coadjuvante no mesmo ano em que viria a ser premiado como melhor ator após seis indicações perdidas. Vivendo um arrogante oficial aposentado do exército que é deficiente visual em Perfume de Mulher, muitos concordaram com a premiação, mas outros fazem questão até hoje de dizer que a Academia de Cinema só o premiou por peso na consciência pelas outras vezes que ele foi preterido. Bem, o fato é que depois da vitória Pacino jamais voltou ao menos a ser indicado, nem mesmo em outras premiações. Seus últimos troféus vieram por um trabalho em uma série de TV ou pelo conjunto da obra.


Efeito pós-Oscar

Muitos dizem que ganhar o Oscar não é uma benção como a maioria acredita ser. Existe a lenda de que muitos intérpretes que saíram da maior festa do cinema premiados jamais conseguiram repetir o feito e até as propostas de trabalho tendem a cair ou em número ou em qualidade. Bem, Pacino viveu essa má sorte de outra forma. Após colocar as mãos na tão famigerada estatueta, em geral, o ator embarcou em um longo período de projetos até bem avaliados, mas com modesto sucesso comercial quando lançados, mas que com o tempo caíram no gosto do público como Advogado do Diabo (1997) no qual faz o dono de uma empresa de advocacia que parece controlar a vida de seus subalternos. O seu tão esperado encontro com Robert De Niro em Fogo Contra Fogo (1995) se revelou uma decepção, pois eles dividem a cena por pouco tempo. Mais tempo juntos em cena tiveram anos mais tarde em As Duas Faces da Lei (2008) na pele de detetives tentando reverter um erro de um caso, mas o projeto também não se revelou a altura para o talento dos dois.

Ainda nos anos 90, o ator foi para trás das câmeras, escreveu o roteiro e foi elogiado pela direção Ricardo III - Um Ensaio (1996), um projeto interessante em que é contada a famosa história de William Shakespeare paralelamente aos ensaios e conversas dos atores e entrevistas com populares. Também passou raspando pelo Oscar com O Informante (1999), um drama a respeito de uma polêmica verídica envolvendo uma entrevista em um programa de TV que concorreu em sete categorias, mas não a de melhor ator.

Os anos 2000 também não tem sido generosos com Pacino. Os papéis sérios em suspenses e policiais continuam pautando sua carreira e talvez seu projeto mais bem sucedido dos últimos anos seja Treze Homens e Um Novo Segredo (2007), o velho roteiro da trupe de trambiqueiros em meio a mais um plano de ganhar dinheiro fácil. Porém, merece destaque nesta safra os títulos Simone (2002) e O Mercador de Veneza (2004). O primeiro é uma comédia, gênero raríssimo na filmografia do ator, no qual ele faz um homem que monta a estrela de cinema perfeita, mas sua criação cresce além do devido. Já o segundo é um drama épico baseado em um conto clássico de Shakespeare onde vive um agiota. Mudanças de visual e figurino atípicos como usou neste último também não são comuns em sua trajetória.

Analisando a filmografia do astro, nos deparamos com uma extensa lista de títulos que sobrevivem a ação do tempo com a propaganda boca a boca e com as lembranças das premiações, mas é fato que por não sofrer modificações drásticas ou adotar visuais e roupas mais extravagantes na maior parte de seus filmes, ele ficou marcado por alguns papéis que parecem lhe cair como uma luva e que aparentemente não tem brilho ou são extremamente comuns. Porém, mesmo longe de ser uma Meryl Streep de calças, é inegável que Al Pacino escreveu com brilhantismo seu nome na história do cinema e que atuou em algumas das melhores obras já feitas. De cara limpa, ele consegue dar personalidades ímpares a cada um de seus personagens com diferenças sutis. Que bom que ele continua na ativa e assim podendo presentear seus fãs com boas interpretações. Só precisa escolher projetos melhores daqui para frente, pois um bom filme não se faz apenas com nomes famosos no elenco.

2 comentários:

renatocinema disse...

Super ator. um dos melhores. merecia homenagem.

Ana disse...

Sem dúvida, um grande ator.
Lembro que qdo assisti "Perfume de Mulher" fiquei encantada com a atuação dele. Foi incrível!

Ainda estou precisando ver "O Poderoso Chefão" e "Scarface".
Esse último é difícil de achar nas locadoras por aqui. Já tentei e não acho. O jeito é comprar qualquer dia desses. Gostara de vê-lo atuando ao lado da Michelle Pfeiffer.

Bjs ;)

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