sábado, 6 de novembro de 2010

BRASIL NO OSCAR 2011?


O filme escolhido para representar o Brasil na próxima cerimônia do Oscar decepcionou muita gente. A Academia Brasileira de Cinema anunciou a escolha, por unanimidade, de Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto, para concorrer uma vaga entre os cinco finalistas na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira.

A produção protagonizada pelos atores Glória Pires e Rui Ricardo Diaz irá concorrer com outros 95 países por uma indicação, mas as chances não são grandes. O filme teria como único atrativo o fato de o presidente Lula ser conhecido internacionalmente. Em termos de bilheteria, foi muito fraco e desapontou as expectativas. Nas locadoras a procura também não refletiu a suposta popularidade do político.

Curioso também a polêmica que o longa provocou quando do seu lançamento em dvd. Muitas locadoras se manifestaram contra a aquisição do título devido a conduta de Lula em relação a pirataria. Na época em que o filme teve uma exibição especial para o presidente e convidados, ele fez uma declaração infeliz dando a entender o seu apoio ao comércio ilegal, o que despertou a ira de quem sobrevive dessa arte.

É questionável que um filme com tão pouca visibilidade tenha conseguido a unanimidade dos votos nessa seleção. Muito esquisito os três principais e mais rentáveis longas nacionais do ano não terem sido lembrados. Chico Xavier, Nosso Lar e Tropa de Elite 2 somam uma das maiores bilheterias e parcela de público dos últimos cinco ou seis anos. Os três também contavam com uma produção mais caprichada e enredos mais universais.

Os filmes espíritas poderiam até fazer carreira nas salas de cinemas internacionais, pois o assunto tem apelo em qualquer parte do mundo. Já Tropa de Elite 2 contaria com a publicidade extra que ganhou com o primeiro filme e a alta performance que está tendo no Brasil.

Os votantes do Oscar na categoria dos filmes estrangeiros geralmente são mais velhos. Talvez por isso Lula, O Filho do Brasil tenha sido escolhido. Apostando na história de lutas e tristezas do ex-sindicalista, nossa comissão optou por um produto que acredita ser o mais correto para a ocasião. Os outros títulos citados poderiam chocar o público alvo do evento. Mas, infelizmente, são remotas as chances do Brasil voltar ao Oscar no próximo ano.

Vale lembrar que a última vez que um filme nacional concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi em 1999, com Central do Brasil. Em 2004, chegamos a dar um passo além com a conquista de quatro indicações para Cidade de Deus, de Fernando Meireles, indicado ao prêmio de Melhor Diretor. Foi um caso atípico. O filme não conquistou a vaga de filme estrangeiro um ano antes, mas por ter sido lançado nos cinemas.

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