quinta-feira, 7 de abril de 2011

TRISTE RETRATO DE UMA GERAÇÃO

Um dos assuntos mais comentados da atualidade finalmente ganha um registro cinematográfico digno. Bullying - Provocações Sem Limites (2009) é uma produção espanhola corajosa que coloca o dedo em um ferida da sociedade apresentando um retrato cruel e digno do termo definir uma geração, cujos representantes estão cada vez mais arredios, irracionais, praticamente regredindo aos tempos dos homens das cavernas. Recentemente, muitas notícias de meninas agressoras também têm sido destacadas na imprensa do mundo todo. Não adianta dizer que o problema está longe de seu mundinho. Você pode não ser um agressor, tampouco uma vítima, mas com certeza deve conhecer alguém que sofre com isso, mesmo que em segredo. O longa aponta um caminho para o surgimento deste problema e encaminha ao menos para dois desfechos, porém, é certo que o tema é muito mais amplo e seria impossível trabalhar todas as possibilidade possíveis em um mesmo filme.

Os agressores geralmente são pessoas que por trás de toda a valentia que demonstram, no fundo são seres que buscam se impor na sociedade para encobrir fraquezas e mágoas. Os tipos mais comuns são crias de famílias mal estruturadas ou que não se empenharam na criação dos filhos. Outros guardam sentimentos ruins do passado e transformam isso em violência. Mas é claro que também existem os que praticam as agressões simplesmente por puro prazer, porque são pessoas más mesmo. O problema é que crianças e adolescentes que crescem sem que cortem esse mal pela raiz, podem se tornar adultos problemáticos e de má índole. O mesmo pode acontecer com os agredidos, pois podem manifestar quando adultos o desejo de se vingar por tudo que passaram antes descontando em pessoas mais fracas.

A palavra bullying é designada aos fatos que envolvam agressões físicas, verbais ou até mesmo escrita. Todas são consideradas crimes e se os agressores forem autuados, além de se retratarem publicamente, também devem restituir financeiramente a vítima por danos morais. Atualmente também é muito popular o cyberbullying, feito a partir de mensagens, fotos, gravações, enfim tudo que possa ser publicado na internet com o objetivo de denegrir a imagem de outra pessoa. Um palavrão que seja pode ser considerado um crime.


A produção Bullying - Provocações Sem Limites conquista o espectador com um bom roteiro desenvolvido sem atropelos que chega a mostrar até as últimas e tristes consequências que o bullying pode levar. A história mostra o jovem Jordi (Albert Carró) começando a estudar em uma nova escola. Por ser a novidade da turma e muito quieto, os valentões se aproveitam para agredir, humilhar e enganar o rapaz. O alívio de Jordi é chegar em casa para ficar com a mãe, Julia (Laura Conejero), que logo conhece o líder da gangue, o mau caráter Nacho (Joan Carles Suau), este que finge ser amigo do garoto. Mal sabe ela que abriu a porta de sua casa para propiciar alguns momentos de tortura ao próprio filho.

O estudante também tem contato com um vizinho que leva uma vida estranha. Bruno (Carlos Fuentes), mesmo recebendo apenas desprezo por parte de Jordi, está sempre por perto nos momentos em que o rapaz precisa e parece compreendê-lo, mas Jordi o vê como um saco de pancadas. Tudo o que ele engole de mágoas provocadas pela gangue acaba descarregando no vizinho, pois sabe que ele só quer ajudá-lo e não vai revidar.


As humilhações e agressões exibidas são revoltantes, dá até vontade de entrar no filme para dar um jeito nos valentões, que na verdade são medrosos, pena que o longa só exiba rapidamente umas duas cenas que evidenciam isso. Outro ponto questionável é a rápida palestra dada por um especialista. Claro que não se espera mais que cinco minutos de sua participação, mas sua cena, apesar de muito explicativa, não contou com um debate acalorado com os alunos. Uma Pena. Mas o longa guarda mais pontos positivos que negativos, mostrando inclusive o tipo de ajuda que as escolas oferecem. A diretora apresentada aqui é um modelo de má administração, coisa bem próxima do que deve acontecer nas escolas reais.

Bullying - Provocações Sem Limites deveria se tornar um filme obrigatório para as escolas apresentarem aos alunos, independente da idade, para gerar debates e redações. Essas atividades poderiam inclusive ajudar os educadores a identificarem os perfis de possíveis agressores e vítimas, assim dedicando atenção especial a eles para evitarem problemas futuros. E isso vale até mesmo para as universidades. Infelizmente, todos os anos surgem notícias de óbitos em festas de estudantes do ensino superior, principalmente no início do ano letivo, com os famosos trotes, verdadeira maratona do tipo sobreviva se puder.

Infeliz coincidência

No mesmo dia da publicação deste texto, um triste e chocante fato ocorreu no Realengo, no Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, um ex-estudante de um colégio respeitável invadiu o local passando-se por palestrante e assassinou cerca de onze alunos de deixou muitos outros feridos. O massacre só não foi pior porque algumas crianças conseguiram sair da escola e chamaram um policial na rua que interceptou o meliante e atingiu sua perna com um tiro. Caído no chão, o assassino, totalmente transtornado, se matou.

O criminoso, com toda certeza, é um desequilibrado mental. Por já ter sido aluno do colégio, cogita-se que o jovem de 24 anos seja uma vítima do bullying escolar ou até mesmo um possível agressor quando ainda era criança. Toda a agressão sofrida ou toda a maldade dele que não foi barrada quando necessário podem ter gerado tal ser humano vingativo. Ele foi preparado com diversas armas carregadas para realmente provocar um massacre no local.

Agora, as escolas devem estar preparadas para discutir esse triste fato em sala de aula, incluindo o bullying que pode ter ocasionado tudo isso. Com os indivíduos atingidos são crianças, existe medo que os sobreviventes fiquem traumatizados, depressivos ou com síndrome do pânico.

4 comentários:

renatocinema disse...

Eu trabalho em escola e ao assistir esse filme, cerca de dois meses atrás, indiquei a toda coordenação pedagógica.

Um filme triste, tenso e realista.

Felipe Guasti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Rosa disse...

Realmente Guilherme, este filme parece ser muito bom mesmo, irei providenciá-lo rapidamente.
Porém, sabemos que o Bullying não é necessariamente a causa dos problemas. É mais consequência, ou melhor, reflexo de uma sociedade doente, não que isto seja desculpa para não encararmos este problema, porém devemos saber que sua origem está fora da escola.


___
http://algunsfilmes.blogspot.com/

Guilherme Ziemer disse...

O filme concentra a origem do problema no ambiente escolar, que é um local muito propício, mas realmente ele pode ocorrer em diversos lugares. Acredito que a agressividade dos "vilões" do filme venha de suas próprias casas. Eles descontam em quem consideram mais fraco. A vítima sofre calada e depois desconta a raiva naquela pessoa que sabe que não vai revidar. E aí começa um ciclo de intolerância e violência sem fim.

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