sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

RELEMBRANDO O OSCAR 2012

Assista nesta postagem um vídeo especial com os vencedores do Oscar 2012

A 84º edição do prêmio foi marcada pela modernidade dividindo espaço com a nostalgia. Grande parte dos indicados faziam referências a própria História do cinema, a começar pelo grande vencedor da noite, O Artista, uma original aposta da França em resgatar o valor da sétima arte. O longa venceu concorrentes de peso como A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, que também reverencia os primórdios do cinema aliando o enredo às inovações dos efeitos 3D, e Cavalo de Guerra, de Steven Spileberg, um épico que reúne as principais características dos filmes que marcaram a era de ouro de Hollywood. O contraste entre o passado e o futuro também causou efeitos nos bastidores da festa. Como boa parte dos cineastas está optando pelas câmeras digitais e o público já abandonou os rolinhos fotográficos há anos, a empresa que patrocinava o espaço onde acontecia o evento, a Kodak, pediu concordata e encerrou um ciclo tanto em sua trajetória quanto para o cinema.

Entre as estrelas da festa também foi estabelecido o duelo entre o passado e o futuro. A revelação Octavia Spencer confirmou seu favoritismo e após ganhar tudo quanto é prêmio de coadjuvante só faltava mesmo o Oscar em sua coleção. Em contrapartida, o veterano Christopher Plummer por incrível que pareça não é detentor de uma grande coleção de prêmios, mas sua chance de ter a famigerada estatueta dourada veio com o modesto Toda Forma de Amor. O Melhor Ator do ano foi o francês Jean Dujardin que se tornou popular por O Artista, mas já era detentor de respeitável currículo em seu país natal. Por fim, a grande Meryl Streep foi surpreendida ao ser chamada ao palco para receber o troféu de Melhor Atriz por A Dama de Ferro. Após 14 derrotas provavelmente ela esperava receber da Academia em um futuro próximo um Oscar honorário, o que certamente ainda deverá ocorrer.

E o Brasil novamente saiu de mãos abanando da festa. Havia muita esperança de que o Oscar de Melhor Canção viria pela animação Rio, mas novamente a nostalgia falou mais alto. Os simpáticos e velhinhos bichinhos de Os Muppets levaram a melhor na categoria com a música “Man or Muppet”, mas alguém a ouviu tocar nas rádios ou seu videoclipe bombou na internet? Há muito tempo nenhuma canção vencedora do prêmio se torna um sucesso, sendo composições que funciona bem dentro do filme e olhe lá. 

Não deixe de assistir o vídeo especial com os vencedores do Oscar 2012. Basta clicar na imagem abaixo.

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O Oscar acertou premiando...

O Artista – Filme preto e branco e sem diálogos em pleno século 21 e ainda por cima super premiado?  Não os críticos e votantes da Academia de Cinema não enlouqueceram e quem tomou coragem e encarou essa viagem ao passado não se arrependeu. A produção francesa que relembrou a Hollywood da transição da década de 1920 para 1930, período do advento do som no cinema, venceu além do prêmio máximo da noite também as categorias de ator (Jean Dujardin) e diretor (Michel Hazanavicius). Há muitos anos o grande vencedor do Oscar não reunia tantas características para torná-lo marcante, fora o fato da França ter superado os concorrentes americanos.

A Invenção de Hugo Cabret – Se o Oscar tivesse dado o prêmio de Melhor Filme e Melhor Diretor para Martin Scorsese não estaria cometendo nenhum erro. A bela homenagem ao cineasta George Méliés, aliada a um bom drama com toques de fantasia, poderia ter vencido facilmente em todas as categorias as quais foi indicado, mas os cinco prêmios conquistados pela equipe técnica e de direção de arte já fazem jus ao porte da produção. A primeira incursão do cineasta no mundo da tecnologia e no universo infantil pode ter uma narrativa um pouco arrastada, mas é compensada por um visual arrebatador.

Meia-Noite em Paris – Woody Allen é um tanto avesso às premiações da Academia de Cinema. Só esteve na festa uma única vez como apresentador de um vídeo especial e não compareceu nem mesmo quando um de seus filmes foi consagrado. No entanto, os votantes deixam as picuinhas de lado e sabem reconhecer uma boa história. Entre tantos roteiros repetitivos e sem graça, vez ou outra o cineasta tem um lampejo de criatividade e nos presenteia com narrativas inteligentes como esta que une o contemporâneo e o antigo através dos devaneios da protagonista que consegue entrar em contato com grandes nomes do cenário cultural e artístico dos anos 20.

Rango – A seleção de animações desta edição foi fraca em termos de repercussão e bilheteria, mas entre continuações que não repetiram o sucesso dos originais e projetos mais destinados aos adultos que às crianças, salvou-se este desenho do cineasta Gore Verbinski protagonizado por um camaleão. Mais uma vez a nostalgia e o tom de homenagem se fazem presente. Os elementos diferenciados desta produção fazem alusão aos clássicos do gênero western e alguns sucessos da história mais recente do cinema. Embora a história não seja das melhores, o visual criativo e colorido compensa.

A Separação – Não foi surpresa o Irã vencer na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, afinal o longa a respeito de um recém-separado que contrata uma jovem para cuidar de seu pai sem saber que ela está trabalhando sem o consentimento do marido faturou todos os prêmios da temporada. Além de premiar um excelente filme, a Academia de cinema provou ter coragem e voz ativa oferecendo o Oscar a um país que há anos está em guerra com os EUA, mas tais questões felizmente não influenciaram os votantes.

Meryl Streep – Muitos dizem que ela não deveria mais ser indicada ao Oscar, porém, enquanto se tem disposição e talento para trabalhar com cinema e entregar ao público atuações memoráveis nada mais justo que recompensá-las. Certamente ao longo de três décadas não foram todos os papéis de Meryl que realmente mereciam as indicações a prêmios, mas também a Academia de Cinema por várias vezes deixou de fazer justiça para fazer política de boa vizinhança. Em 2012 não teve jeito. O perfeccionismo para retratar uma personagem real e ainda viva, com o auxílio de uma caprichada maquiagem, levou a todos a crer que Margaret Tatcher estava realmente em cena em A Dama de Ferro e finalmente a veterana atriz faturou sua terceira estatueta dourada.

Merecia ter ganhado...

Cavalo de Guerra – Entre dois concorrentes de peso que homenageavam a História do cinema, cada qual a sua maneira, esta produção grandiosa de Steven Spielberg ironicamente acabou parecendo pequena demais na festa. Indicado em nove categorias, incluindo Melhor Filme, o conto do adolescente que criou laços de amizade com um cavalo e que foram afastados por causa de uma guerra não comoveu completamente os votantes que nem mesmo na área técnica contemplaram a produção.

Glenn Close – Ela é um dos ícones do cinema dos anos 80. Indicada naquela época cinco vezes ao Oscar, mas sem nunca ter ganhado, durante as duas décadas seguintes a atriz passou a se dedicar ao teatro e a séries e filmes feitos para a TV. Seu retorno às telas grandes não poderia ser melhor. Interpretando um texto que ela mesma já havia trabalho nos palcos anos antes, em Albert Nobbs Glenn deu vida a uma mulher que em busca de sua independência nos difíceis anos do século 19 passou a se vestir e agir como um homem, uma farsa que tomou preciosos anos de sua vida e que poderia jamais ter fim. Pelo histórico do Oscar, ela era certeza que venceria o prêmio, mas as premiações que antecederam o evento já provavam que mais uma vez ela só esquentaria lugar na festa.

Michelle Williams – Pela terceira vez sendo indicada ao Oscar, a jovem atriz também poderia ser uma escolha certeira da Academia. Em Sete Dias com Marilyn, mais uma produção enfocando tempos áureos de Hollywood, a intérprete deu vida à estrela platinada, embora não fosse dotada de semelhanças físicas com ela. Porém, com muito talento e se apoiando nos trejeitos e caras e bocas de Marilyn Monroe ela conseguiu trazer o mito de volta às telas em um filme que enfoca uma semana da vida atriz sob a ótica de um fã apaixonado que descobriu que por trás da sedutora mulher existia também uma insegura jovem dependente de atenção e remédios.

Estava perdido na festa...

Tão Forte e Tão Perto – Quando o trágico episódio de 11 de setembro completou uma década o diretor Stephen Daldry, especialista em dramas, também quis fazer um registro daquele dia e optou por contar a história de um garoto problemático que perde o pai no ataque. Seguindo a trilha de charadas que ele sempre deixava, o  menino parte em uma jornada por Nova York em busca de pessoas com o mesmo sobrenome e que possam ter alguma mensagem de seu pai. Foi indicado apenas como Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante para o veterano Max Von Sydow, o suficiente para garantir ao título certa publicidade.

O Homem Que Mudou o Jogo – O próprio título nacional já deixa explícito o enredo. Baseado em fatos reais, Brad Pitt interpreta o treinador de um time de beisebol que usou um sofisticado software de análises para conseguir reunir uma equipe de qualidade sem gastar muito. O longa não ganhou nenhum prêmio. Filmes sobre esporte até tem seu público cativo, mas as histórias costumam ser repetitivas e quando o esporte é muito enraizado à cultura americana, como neste caso, a repercussão mundial costuma ficar aquém do esperado.

Missão Madrinha de Casamento – Uma noiva vai se casar e chama algumas amigas para serem suas madrinhas. Uma delas tem complexo com seu corpo, é insatisfeita com o trabalho e não tem namorado fixo, o que lhe leva a sentir uma inveja do bem da amiga. Raiva mesmo ela sente de uma pretensa “nova melhor amiga da noiva” que faz o tipo madrinha perfeita e quer desbancar as demais. Típica comédia romântica, o longa teve tanta repercussão nos EUA que o Oscar se rendeu ao popular e conferiu ao longa as indicações de roteiro original e atriz coadjuvante para Melissa McCarthy, mas o filme foi um estranho no ninho na premiação.

O Oscar esnobou...

Rio – Devido a ótima repercussão em solo americano, era esperado que este longa do diretor brasileiro Carlos Saldanha finalmente nos daria o prazer de ter um Oscar, mas nem ao menos concorremos na categoria de Melhor Filme de Animação. O longa que enfoca as belezas do Rio de Janeiro e abre espaço para a discussão a respeito do contrabando de animais silvestres foi indicado à Melhor Canção, mas não foi desta vez que fomos premiados, nem mesmo disputando o prêmio com um único concorrente.

Planeta dos Macacos – A Origem – O título pode não animar muito parecendo uma produção oportunista, mas esta aventura da guerra entre símios versus humanos merecia maior atenção. Além da história contundente, a parte técnica é impecável com bons efeitos especiais que nos passam a impressão de que macacos de verdade estão em cena. Mais uma vez o Oscar pagou mico e não contemplou quem merecia.

Ryan Gosling – Ele é um dos atores mais respeitados e talentosos de sua geração e entre 2010 e 2011 participou de quatro filmes e em todos apresentou interpretações formidáveis, mas o Oscar o esnobou descaradamente. Poderia ter concorrido por Drive, no qual vive um dublê de filmes de ação que nas horas vagas faz serviços para criminosos, ou então por Tudo Pelo Poder, onde vive um assessor de imprensa que precisa abrir mão de conceitos éticos para poder eleger seu candidato à presidência.

Tudo Pelo Poder – George Clooney produziu, escreveu, dirigiu e ainda interpretou um dos papéis principais deste drama político inteligente e realista que era apontado como forte candidato ao Oscar. A decepção veio com uma única indicação, a de roteiro adaptado. O ator se fez presente na festa indicado também como Melhor Ator por Os Descendentes, mas não levou nenhum troféu para casa.

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