quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ESQUECERAM DE... SUBMERSOS

Existem alguns filmes que não passam nos cinemas, chegam as locadoras timidamente, mas acabam encontrando espaço na TV para serem repetidos aos montes, porém, alguns sofrem com o ostracismo em todos os caminhos que um longa-metragem teoricamente deveria percorrer, como é o caso de Submersos (2002), um eficiente suspense que tinha tudo para agradar uma parcela considerável de público, mas que no final das contas continua quase desconhecido até hoje. A idéia original é do cultuado Darren Aronofsky que desejava unir suspense e aventura de guerra em um mesmo trabalho, este que seria o segundo com sua assinatura como diretor. No final das contas ele passou o cargo para David Twohy, de Eclipse Mortal, outro filme de carreira fracassada. Ambos dividiram os créditos como roteiristas, mas nem o nome de Aronofsky nos créditos salvou a produção de submergir no limbo.
 
Na época de seu lançamento, sem campanha alguma nos EUA e diretamente para locação no Brasil, ainda o público estava extasiado com o fenômeno de obras com conteúdo sobrenatural-psicológico como O Sexto Sentido e Os Outros, e estava na moda filmes sobre conflitos envolvendo submarinos e guerra, como K-19 – The Windowmaker e U-571 – A Batalha do Atlântico, assim o momento parecia propício para aproximar as duas temáticas em uma mesma obra. A trama se passa em meio a Segunda Guerra Mundial, mais especificamente em 1943, quando um submarino americano recebe ordens de mudar o seu curso para resgatar sobreviventes de um navio-hospital inglês que pode ter sido alvo de um ataque de alemães. Apenas três pessoas são resgatadas com vida, entre elas a enfermeira Claire Paige (Olivia Willians), que poderia ser vista pela tripulação de resgate com olhos maliciosos por ser a única mulher a bordo, mas a reação é oposta.
 
 
Segundo a tradição marítima, ter uma mulher a bordo é sinal de mau agouro e coincidência ou não após a chegada de Claire coisas estranhas começam a acontecer dentro do submarino e o pânico toma conta da tripulação. Agora além de tentarem fugir de um navio que parece inimigo, eles precisam enfrentar forças ocultas que a princípio alertam sobre os perigos da viagem, mas não demoram em transformá-la em um pesadelo. Uma vitrola começa a tocar um disco do nada, falhas mecânicas passam a ocorrer, o submarino é atacado por cargas de profundidade e algumas pessoas passam a ter visões estranhas ou morrerem em acidentes misteriosos. Para completar, o submarino não está conseguindo emergir à superfície, o oxigênio está acabando e o gás carbônico gerado pelos motores toma conta do interior do veículo. O oficial Brice (Bruce Greenwood) tenta afastar a idéia de que algo sobrenatural esteja acontecendo, mas ao que tudo indica sabe muito mais do que o esclarecido à tripulação.
Quem pensa que este é um filme que nada mais é que uma variação do que se pode acompanhar em uma trama sobre casa mal-assombrada se engana. Apesar de alguns sustos previsíveis e do clímax do suspense ser dissolvido bem antes do final, a atmosfera claustrofóbica conseguida é única e o grande trunfo da produção. Twohy aproveita muito bem seu espaço cênico limitado usando angulações de câmera inteligentes e aumenta a tensão ao conseguir deixar o mínimo de luz possível iluminando os personagens em boa parte das cenas. Outro ponto de destaque é a condução da história que evita a violência e o sangue explícito. Os elementos sobrenaturais são introduzidos aos poucos e chegam a ser tão sutis que podem às vezes passar despercebidos pelos olhares mais dispersos. Todavia o roteiro, como já dito, derrapa ao revelar boa parte dos segredos ainda com um tempo considerável de narrativa pela frente, assim perde-se a chance de explorar mais a grande dúvida do longa: todos os estranhos acontecimentos tem realmente relação com algo sobrenatural envolvendo o passado do submarino ou de seus tripulantes ou são apenas alucinação provocadas pelo estresse diante de situações de extremas dificuldades?
Mesmo não sendo uma obra-prima do suspense, Submersos cumpre seus objetivos dignamente. Algumas das poucas pessoas que o viram até o tacham como um legítimo filme B, mas fora seu orçamento modesto ele engana bem como produto de primeira, principalmente pelo ar de novidade que carrega em meio a tantas ideias capengas que são requentadas inúmeras vezes. Uma pena que hoje em dia é um título fora de catálogo, mas uma boa locadora deve ter esta pérola em seu acervo com toda a certeza.

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