quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ESQUECERAM DE... ELVIRA, A RAINHA DAS TREVAS

Hoje é a noite em que se comemora o Halloween, popular festa americana que acabou sendo abraçada em outros países, como o Brasil. Tradicionalmente as pessoas festejam a data se fantasiando, principalmente de figuras assustadoras e folclóricas, mas como não somos patriotas ao extremo ninguém até hoje elegeu o Saci, a Mula Sem Cabeça ou o E.T. de Varginha como símbolo de nossa festa das bruxas. Na falta de uma imagem representativa, os saudosistas podem eleger como figura-chave a protagonista do longa Elvira, A Rainha das Trevas (1998), um clássico das sessões da tarde que virou uma tradição da Rede Globo em exibi-lo todo 31 de outubro. Pena que nos últimos anos a fita do filme foi engavetada pela emissora e DVD dele nem sinal.
 
A trama é uma comédia com toques de horror protagonizada por Elvira (Cassandra Peterson), apresentadora de um programa de baixo orçamento que exibe filmes de terror, algo típico para entreter adolescentes nos anos 80. A sua vida tediosa pode mudar completamente ao saber que herdou da tia Morgana (também vivada por Cassandra) uma mansão em uma pequena cidade em Massachusetts. Ela pretende vender a casa e ir viver com todo o glamour possível de Las Vegas, mas quando vai visitar a propriedade para tomar providências encontra certos problemas. A população provinciana fica espantada com o modo de agir e de se vestir de Elvira e passa a protestar contra a sua presença, movimento liderado pela intrometida Chastity Pariah (Edie McClurg). Outro empecilho é Vincent Talbot (William Morgan Sheppard), um parente que não herdou nada, mas deseja obter um livro que também foi herdado por Elvira no qual estão anotadas receitas de feitiços que podem transformá-lo em um poderoso bruxo.
Pelo enredo dá para perceber o seu potencial para clássico da tarde, mas só vendo para crer como uma produção assumidamente trash e debochada pode ser deliciosa. Os efeitos especiais são péssimos, as atuações idem e a direção de James Signorelli é um tanto desorientada. Porém, o longa conta com uma protagonista cheia de carisma, divertida e com uma visual um tanto extravagante que conquista a atenção. Não há como não reparar em sua cabeleira no melhor estilo roqueira, seu vestido versão Mortícia Addams de sex shop e em seus fartos seios que quase pulam do decote a cada movimento que ela faz. Aliás, seu par de peitos são os responsáveis por uma cena hilariante e icônica da produção. É quando Elvira se apresenta em um número musical e literalmente coloca os seios para dançar. Outra cena clássica é a da receita que ela tenta fazer para alguns convidados e acaba originando um monstrinho que a todo momento tenta dar o ar da graça levantando a tampa com a cabeça. Bizarro, mas totalmente no clima da produção. 
O roteiro é da própria Cassandra em parceria como John Paragon e Sam Egan, mas a personagem principal não foi criada exclusivamente para o filme. Elvira é uma criação da própria protagonista no final dos anos 70 justamente para apresentar filmes de terror na TV. Sua inspiração certamente foi Vampira, mulher que ficou conhecida na década de 1950 realizando a mesma atividade. O que poderia ser uma homenagem acabou indo parar nos tribunais, caso relatado rapidamente no final do filme Ed Wood, de Tim Burton. Vampira não conseguiu sucesso na carreira e não gostou nada de ver outra se tornando sensação usando os mesmos artifícios.
Elvira, A Rainha das Trevas foi lançado na carona do sucesso da apresentadora e poderia ser algo totalmente dispensável nos dias atuais, ainda que Cassandra esteja viva, mantendo o mesmo corpo de outrora e vez ou outra dando pinta trajada como a personagem. Bem, ao que tudo indica a produção não significa nada mesmo para as distribuidoras de filmes, só assim para explicar sua ausência no mercado. Estão perdendo tempo e dinheiro. Certamente o DVD venderia horrores, afinal esta comédia marcou a infância e a adolescência de muito marmanjo. Justamente por suas partes técnicas e artísticas assumidamente de gosto duvidoso é o que o filme é tão bom. Claro que ninguém pode esperar acrescentar algo de intelectual à sua vida com tal produto, mas os momentos divertidos que ele proporciona compensam. As opiniões sobre o humor oferecido podem ser diversas, mas uma coisa é unânime: a experiência de acompanhar este produto é incomparável até hoje, ainda mais com os aspectos e características típicos da década de 1980 acentuados pelo passar dos anos e que dão um charme envelhecido irresistível à obra. Alguma empresa do ramo tem um chefe que reúne coração e cérebro em iguais e boas proporções? Então por favor, movam montanhas se for possível, mas coloquem Elvira e suas maluquices em um DVD urgentemente para a alegria dos saudosistas!

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