domingo, 29 de abril de 2012

BRASIL ESTÁ EM PESO NO FESTIVAL DE CANNES 2012

Na Estrada, novo trabalho do brasileiro Walter Salles, concorre a Palma de Ouro

O Festival de Cannes é um evento cinematográfico mundialmente reconhecido e prestigiado e mantém há 65 anos o status de grande vitrine do cinema mundial. É aqui que muitos produtores, diretores, roteiristas e até mesmo atores tentam conseguir investidores e distribuidores de seus futuros projetos, fato paralelo ao grande chamariz da festa: a exibição de filmes inéditos em competição ou não e reprises em sessões especiais como forma de homenagear nomes importantes da história da sétima arte ou determinado estilo de filmagem. A partir de 16 de maio os olhares dos cinéfilos certamente estarão voltados para um único lugar.
O ano de 2012 ficará marcado pela grande participação de brasileiros no evento. O cineasta Walter Salles irá concorrer a Palma de Ouro com o ainda inédito Na Estrada, longa com elenco internacional. O diretor já havia trabalhado com nomes estrangeiros em Diários de Motocicleta que dirigiu alguns anos após a fama mundial que alcançou com Central do Brasil, um marco que rendeu ao nosso país um Urso de Ouro em Berlim e duas indicações ao Oscar entre outras dezenas de prêmios.
O ator Sam Riley dá vida ao alter ego de Jack Kerouac, o autor de “On The Road”, obra na qual o filme é inspirado. O enredo relata uma viagem do protagonista pelos EUA no fim da década de 1940 acompanhada de aventuras e comportamentos reprováveis para a época. O famoso cineasta Francis Ford Coppola comprou os direitos da adaptação no final dos anos 70 e tentou diversas vezes levar o projeto adiante, mas esbarrou na falta de financiamentos. Foi justamente o estilo “pé na estrada” adotado por Salles em 2004 para narrar uma passagem da vida de um jovem Che Guevara que conquistou o diretor de clássicos como O Poderoso Chefão e o convenceu a entregar ao colega brasileiro o cargo de diretor de um de seus sonhos. No elenco, Viggo Mortensen, Kristen Stewart, Amy Adams, entre outros.
Brasil em destaque
Vez ou outra algum americano ou estrangeiro que ganhou reconhecimento no cinema ianque consegue se destacar em Cannes, mas o forte do evento é mesmo elogiar os esforços de outros países para conseguirem fazer filmes. O ano passado o Egito foi o país homenageado. Em 2012 o Brasil foi escolhido para brilhar. O veterano Nelson Pereira dos Santos frequenta o festival há décadas, mais precisamente desde que ganhou um prêmio da crítica por Vidas Secas em 1964. Depois disso, ele concorreu a Palma de Ouro por quatro vezes, motivo suficiente para ser homenageado este ano. Sua última obra A Música Segundo Tom Jobin também será exibido nesta edição, porém, fora de competição.
Outros títulos de nossa filmografia serão exibidos em uma mostra paralela. Xica da Silva (1976), Cabra Marcado Para Morrer (1984) e Ópera do Malandro (1986) farão parte da homenagem. Por fim, o diretor Cacá Diegues será o presidente do júri na eleição do prêmio Cámera D’Or, categoria destinada aos jovens diretores que estão lançando o primeiro filme tanto no festival quanto mundialmente.
Deixando o Brasil de lado, em Cannes 2012 concorrerão ao prêmio principal figurinhas carimbadas no evento como os cineastas Ken Loach, David Cronenberg, Michael Hanek e Alain Renais. O filme de Wes Anderson Moonrise Kingdom abrirá o festival dividindo as atenções com a premiére mundial de Madagascar 3, mas a animação está fora de competições.  No dia 27 de maio, fechando o festival, Thérèse Desqueyroux do francês Claude Miller será exibido. O diretor faleceu no início de abril pouco depois de concluir sua última produção.
Fechando o pacote, como em todos os anos, Cannes também reserva espaço para relembrar algumas obras de grandes cineastas e desta vez Alfred Hitchcock, David Lean, Sergio Leone, Roman Polanski e Steven Spielberg são alguns dos selecionados. Um filme de cada diretor será exibido na tradicional mostra Cannes Classic.

Um comentário:

Luís disse...

Honestamente eu estou bastante ansioso para conhecer "Na Estrada", deve ser mesmo uma maravilha assisti-lo. E parte do meu anseio se deve também a Amy Adams, sempre muito competente nas suas interpretações.

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