terça-feira, 26 de outubro de 2010

METRÓPOLIS RESTAURADO

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo sempre consegue trazer verdadeiros tesouros para os cinéfilos e nesta 34º edição resgataram uma obra do fundo do baú. A versão original de Metrópolis (1927), de Fritz Lang, foi exibida de forma inusitada: numa histórica sessão ao ar livre no Auditório Ibirapuera e acompanhada por uma orquestra para dar sonorização a película clássica, um verdadeiro marco cinematográfico.

Foi no final da década de 1920 que este clássico do cinema mudo e marco do gênero ficção científica estreou, mas não ficou muito tempo em cartaz. O filme foi mal recebido pelos espectadores e os produtores resolveram tirar a fita de circuito para modificar algumas coisas. O resultado foi a mutilação de diversas cenas que reduziu o tempo do filme consideravelmente. Assim, a obra voltou aos cinemas com cerca de meia hora a menos.

Por várias décadas acreditava-se que partes importantes do filme estavam para sempre perdidas, mas em 2008 foi encontrado um negativo na Cinemateca de Buenos Aires contendo cenas que não faziam parte da versão até então conhecida de Metrópolis, incluindo aquelas que foram lançadas na época das fitas VHS. Assim, a versão exibida na Mostra pode ser considerada a obra original e restaurada deste grande marco cinematográfico. Pode ser porque ninguém sabe ao certo qual seria realmente a primeira versão. Originalmente, a obra tinha mais de três horas de duração. Ao longo do tempo, a obra foi reproduzida para versões destinadas a exibição em vídeo doméstico e em cinemas para diversos países, mas cada uma apresenta um tempo de gravação diferente. Há cópias que chegaram a ter cerca de 90 minutos apenas.

A história do filme se passa na cidade de Metrópolis no ano de 2026, época em que os poderosos ficam na superfície onde existe o Jardim dos Prazeres destinado aos filhos dos mestres, enquanto os operários, em regime de escravidão, trabalham bem abaixo da superfície, na Cidade dos Operários. A cidade é governada por Joh Fredersen (Alfred Abel), um insensível capitalista cujo único filho, Freder (Gustav Fröhlich), leva uma vida idílica. Quando o jovem conhece Maria (Brigitte Helm), a líder espiritual dos operários e que cuida dos filhos dos escravos, ele conversa com seu pai sobre a situação, que diz que é assim que as coisas devem. Freder passa a se preocupar pelos assuntos referentes ao subsolo. Paralelamente, Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), um inventor louco que está a serviço de Joh, diz ao seu patrão que criou um robô idêntico ao homem e que nunca se cansa ou comete erros. Assim, não haveria mais a necessidade de trabalhadores humanos.


Joh e Rotwang, ao perceberem que Maria exerce uma força de liderança entre os operários, decidem fazer um robô com a aparência da moça para que ele se infiltre entre os operários para semear a discórdia entre eles e destruir a confiança que sentem pela líder. Mas Joh não podia imaginar que seu filho está apaixonado por ela.

Décadas depois, Metrópolis ainda fascina por ser tratar de uma obra muito antiga, mas mesmo assim com um pé nos dias atuais. Muitos humanos já foram substituídos por máquinas e ainda há muita gente que vislumbre essa idéia como algo generalizado para um futuro não muito distante, infelizmente. Os efeitos especiais claro que não se comparam aos de hoje em dia, mas é interessante refletir sobre a ousadia e ineditismo do uso de trucagens nessa época. Vale a pena ver pelo menos uma vez na vida, mas com muita atenção.

Um comentário:

Danilo Otero disse...

Oi Gui,
parabens!
serei seu seguidor assiduo.

Abracao

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