Os gênios incompreendidos sempre intrigaram a ciência e
fascinaram cineastas que enxergaram em diversas histórias verídicas um material
fértil para ser transformado em filmes. Curiosamente, um dos trabalhos mais
lembrados do tipo nasceu das mentes de dois jovens completamente sadios, mas
que se achavam verdadeiros peixes fora d’água no mundo em que viviam. Os hoje
mundialmente famosos Matt Damon e Ben Affleck já se conheciam desde a infância
e batalharam paralelamente pelos seus espaços no mundo do cinema, mas até
meados dos anos 90 só recebiam convites para produções convencionais e na
maioria das vezes nas quais os jovens eram retratados de modo estereotipado ou
debochado. Juntos eles resolveram criar o próprio roteiro dos sonhos, onde
teriam a chance de retratar a geração a qual pertenciam de maneira mais
realista, uma turma que tem sonhos, dúvidas, raiva, amor e inteligência, mas
que nem sempre encontra apoio para mostrar seus talentos ou ser o que gostaria.
O destino ajudou e os escritos chegaram às mãos do ator Robin Williams que fez
a ponte para transformar o sonho dos dois rapazes em realidade. Assim começou a
trajetória de sucesso de Gênio Indomável (1997), longa que enfrentou com
bravura a pressão do Titanic nas principais premiações do período chegando a
ser apontado como um forte candidato as principais categorias do Oscar.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - SOBRE MENINOS E LOBOS
Um filme que trabalha com temas espinhosos
como assassinato, pedofilia e traição e que deseja manter a tensão em alta do
início ao fim precisa obrigatoriamente conter tiroteios, sangue, cenas fortes,
muito palavrão e quem sabe o ato corajoso de colocar um ator-mirim para dar
mais credibilidade ao assunto do abuso sexual infantil. Bem, essa é a receita
básica dos diretores que se aventuram no mundo do suspense, mas quem tem um
currículo repleto de sucessos com certeza procura de todas as formas fugir do
lugar comum e surpreender às avessas. Investindo em uma excepcional mescla dos
gêneros drama e policial, Clint Eastwood construiu Sobre Meninos e Lobos (2003),
um dos filmes mais comentados da temporada de premiações de 2004 sem precisar
chocar o público com imagens, mas sim com um roteiro forte e interpretações
idem. Lançado em uma época em que o cinema estava no auge da invasão de magos,
duendes e outras criaturas fantásticas, obviamente este trabalho não fez
fortuna e até hoje muitos não tiveram coragem em assisti-lo. Não é a toa que a
carga pesada de sentimentos contida no enredo seja a grande marca desta obra,
agindo de forma negativa e ao mesmo tempo positiva para a vida útil do mesmo.
De qualquer jeito, este é um daqueles títulos que ficam martelando em nossa
cabeça até que arriscamos a sobreviver a esta imersão triste e angustiante
proporcionada por um filme reflexivo e relativamente de difícil digestão.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - OS DESCENDENTES
Todos os anos ao menos uma produção pequena e que
possivelmente passaria pelos cinemas em brancas nuvens é acolhida pela alta
temporada das premiações e ganha um gás em sua campanha de divulgação. Ter
George Clooney como protagonista é um bônus a mais em Os Descendentes (2011),
mas o que chama a atenção em seus créditos é o nome Alexander Payne, diretor e
roteirista que ainda pode vir a ser conhecido como uma grife cinematográfica
tal qual Woody Allen ou os irmãos Coen. Este profissional teve uma ascensão
rápida na carreira, embora em pouco mais de uma década tenha se envolvido em
apenas quatro projetos. Para ele vale mais qualidade que quantidade. Seu nome
ganhou a atenção dos holofotes timidamente com a pequena projeção que tiveram A
Eleição e As Confissões de Schmidt, mas ganhou brilho quando Sideways – Entre
Umas e Outras conquistou indicações importantes para o Oscar, embora muitos
considerem que os críticos ficaram embriagados com a tal viagem etílica
proporcionada pelo cineasta. Na realidade, enquanto muitos quebram a cabeça
buscando a fama através do emprego cada vez maior de tecnologias nas filmagens,
Payne segue o caminho inverso. Minimalista e emotivo, histórias e personagens
são suas matérias-primas e talvez esses sejam também os empecilhos de seus
projetos que acabam encontrando injustamente resistência por certa parte do
público que ainda liga a idéia de prêmios apenas as superproduções.
domingo, 15 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - OS PRODUTORES
Os musicais ressurgiram com fôlego renovado nos anos 2000 e o público foi apresentado a um novo estilo do gênero que une as características tradicionais a certas inovações. Tivemos o amor cantado em prosa e verso de Moulin Rouge, a crítica e o sarcasmo implícito de Chicago e Hairspray e ainda o apelo popular das canções famosas e nostálgicas que embalam Mamma Mia!. A dica neste domingo é dar um pouco de atenção a um representante da categoria que tem toda a pompa e requinte necessários para agradar aos fãs cativos do gênero e novos espectadores, mas que infelizmente não fez o sucesso esperado. Os Produtores (2005) é a refilmagem de Primavera Para Hitler, uma comédia dos anos 60 dirigida por Mel Brooks e vencedora do Oscar de roteiro original. Bem, a produção assinada por Susan Stroman foi bastante elogiada e concorreu a alguns prêmios, mas foi totalmente desprezada pela Academia de Cinema e consequentemente pelo público que preferiu ir ao cinema ver os longas oscarizáveis da temporada. Uma pena, mas uma falha que felizmente pode ser corrigida nestas férias caso ainda não tenham assistido. E mesmo quem já viu poderá se divertir novamente.
sábado, 14 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - CONTÁGIO
Hollywood já destruiu o mundo através de
catástrofes naturais, invasões alienígenas, choque entre a Terra e gigantescos
meteoros, eventos inexplicáveis e até conseguiu imaginar a extinção da
humanidade em um futuro bem distante quando o Sol se apagar definitivamente. O
apocalipse também pode vir através das ações e reações desmedidas dos seres
humanos e é isso que nos mostra Contágio um suspense que bebe na
fonte das guerras epidemiológicas, um tema que foi bastante usado entre os anos
80 e 90, épocas em que a ciência e a medicina conseguiram grandes avanços no
combate de doenças que eram fatais, mas em contrapartida novos vírus e
bactérias surgiram para aterrorizar a população mundial. Quem já está na casa
dos vinte anos hoje em dia certamente lembra, por exemplo, o pânico que foi
causado pela descoberta do vírus Ebola e os produtores americanos correram para
lançar filmes medíocres a toque de caixa explorando o filão, o que colaborou
para que esse tipo de produção fosse tachada de trash e sobrevivesse no mercado
de vídeo apenas. Até hoje uma ou outra bomba é lançada diretamente em DVD, mas
felizmente ainda há mentes brilhantes no cinemão ianque que podem dar um sopro
de vida aos gêneros combalidos.sexta-feira, 13 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA
O programa oficial de qualquer sexta-feira 13 é curtir um
bom filme de terror e a dica de hoje é um trabalho que não é excepcional, mas
também está longe de ser o lixo que a crítica tratou de propagar, mas fazer o
quê se a própria distribuidora tratou de manchar a imagem do seu produto
postergando sua estréia no Brasil pro quase dois anos. O Massacre da Serra
Elétrica (2003) é uma refilmagem que ao mesmo tempo em que é um caça-níquel
também presta uma homenagem e não mancha a imagem da obra original lançada em
meados dos anos 70, um dos filmes de terror mais viscerais de todos os tempos.
O produtor Michael Bay, especialista em lançar blockbusters, bateu o pé até
conseguir fazer um remake digno da produção homônima assinada por Tobe Hooper. Antes, ao
menos outros dois títulos tentaram lucrar em cima do assassino Leatherface
(cara de couro), inclusive uma dirigida pelo próprio Hooper se divertindo
tirando um sarro do próprio trabalho que criou investido no estilo trash.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
Ser piegas é um
grande problema no mundo do cinema e mesmo quando um filme não termina com um
felizes para sempre não escapa de ser criticado negativamente de abusar dos
clichês em sua narrativa. É curioso observar a repulsa que sofreu O
Menino do Pijama Listrado (2008) quando estreou. O diretor e roteirista Mark Herman, de Hope Springs – Um Lugar Para Sonhar, adaptou o best-seller homônimo
de John Boyne com o desafio de equilibrar a emoção e a crueldade contidas nas
páginas do livro e conseguiu um resultado para partir os corações até dos mais
insensíveis e deve ser neste objetivo que encontramos as explicações para seu
relativo fracasso. Para o espectador de fim de semana, sair do cinema
entristecido é coisa para metidos a intelectual e estes, por sua vez, colocaram
expectativas demais em cima das adaptações literárias e se geralmente se decepcionam.
É sempre bom lembrar que quando lemos um livro criamos a nossa própria visão da
história em nossa mente, mas quando os escritos se tornam imagens reais estamos
acompanhando a versão sonhada por um diretor que também não realiza tudo da
forma como deseja tendo que adequar seu projeto a questões de orçamento,
publicidade, produção entre outras coisas. Todavia, Herman concluiu um belo
trabalho que ainda muitos precisam tomar coragem para encarar e outros devem
rever para esclarecer certos pontos.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - ANTES DE PARTIR
É curioso como alguns filmes
conseguem equilibrar perfeitamente humor e drama na mesma receita. Mais curioso
ainda é terminar de assistir a uma obra que no fundo é triste e ainda assim se
sentir com o espírito elevado. É no significado dos velhos clichês do viva a
vida intensamente ou de aproveite cada dia como se fosse o último que está o
segredo do sucesso de Antes de Partir (2007), longa que
não ganhou prêmios e teve uma passagem modesta nos cinemas, mas que acabou se
tornando um título grandioso conforme o tempo passou daqueles cujo nome está
sempre na ponta da língua quando se deseja indicar um bom programa no aconchego
do lar. O diretor Rob Reiner já trazia em seu currículo outro trabalho que se
tornou um clássico entre populares, Conta
Comigo, e que guarda certas semelhanças com esta produção protagonizada por
Jack Nicholson e Morgan Freeman. Em ambos ele trabalha com as temáticas da
amizade e da morte e consegue uma excelente mistura entre diversão e reflexão.
terça-feira, 10 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA
O cinema sempre encontrou
na vida de artistas plásticos uma rica fonte de inspiração, afinal são vários
os casos de pintores que viveram de forma excêntrica, embebidos em um clima
boêmio, sofrendo decepções amorosas ou com doenças e até mesmo tendo uma morte
um tanto dolorosa ou curiosa. A dica de hoje é nessa linha, mas guarda certas
particularidades que a destacam. Moça com Brinco de Pérola (2003)
recria a vida, ainda que enfocando determinado período, do pintor holandês
Johannes Vermeer a partir de uma de suas obras que dá título ao filme. Ele não
é um dos mais famosos artistas da área, aliás, pouco conhecido ao menos no
Brasil, mas essa ausência de informação torna a experiência de assistir esta
produção ainda mais interessante.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
FESTIVAL DE FÉRIAS - JAMES E O PÊSSEGO GIGANTE
Quando falamos em animação em stop-motion logo nos lembramos dos famosos A Noiva Cadáver e A Fuga das Galinhas e até do sombrio O Estranho Mundo de Jack, mas poucos conhecem James e o Pêssego Gigante (1996), uma bela animação utilizando esta antiga e eficiente técnica que foi lançada pela Walt Disney que já considerava a obra como o novo Toy Story. O filme foi lançado cerca de um ano depois da aventura dos brinquedos e era aguardada com ansiedade pelos executivos da empresa, mas acabaram se decepcionando. Fracasso nas bilheterias, o longa não recuperou sua saúde financeira e prestígio nem mesmo com as vendas de fitas VHS e DVDs. Bem, realmente seria difícil dispensar a atenção com um produto como este quando os desenhos computadorizados com seus personagens cheios de energia e piadas na ponta da língua tomam conta do mercado. Mas sempre é tempo de corrigir as injustiças.
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