A primeira vista a imagem acima pode parecer pertencer ao anúncio de algum biscoito. Olhando com mais atenção, podemos pensar que faz parte da publicidade de alguma marca de cereal matinal. Porém, forçando um pouco mais a cabeça podemos conseguir resgatar lá do fundo do baú da nossa memória a lembrança de que esta é uma das cenas emblemáticas de Querida Encolhi as Crianças, um tremendo sucesso filmado em 1989 que se tornou mais um clássico das sessões da tarde que conquista geração após geração com seu humor e aventura nostálgicos e inocentes. O longa se divide em dois mundos, o dos adultos e o das crianças e adolescentes, digamos assim. O sumido Rick Moranis, praticamente um símbolo dos anos 80, interpreta o cientista amador Wayne Szalinski que vive inventando traquitanas que se revelam bobagens sem função alguma. Tudo muda quando ele consegue montar um miniaturizador que testa com sucesso com frutas e se alegra com seu invento. O que ele não contava é que acidentes acontecem e por um acaso a máquina acaba deixando bem pequenininhos seus filhos, Amy (Amy O’Neil) e Nick (Robert Oliveri), e os filhos do vizinho, Russ (Thomas Wilson Brown) e Ron (Jared Rushton). A partir daí a aventura toma conta do enredo com os diversos perigos que essa turma minúscula irá enfrentar para conseguir sobreviver, principalmente as armadilhas escondidas no jardim como o esguicho de água, uma formiga, um escorpião e o cortador de gramas. Enquanto isso, Wayne tenta desesperadamente reencontras as crianças e passa a ter um comportamento que chama a atenção por sua estranheza como se pendurar no varal e usar uma lupa para verificar cada centímetro do gramado. Para lidar com esse enredo fantasioso nada melhor que um cineasta que entende do assunto e que sabe fazer esse tipo de produção com qualidade, assim Joe Johnston, de Jumanji e Jurassic Park 3, foi convocado.
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terça-feira, 27 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
ORAR, CANTAR E SE DIVERTIR
Igreja é um lugar aonde você vai para rezar, idolatrar o Senhor, fazer caridades e até se lamentar ou se entristecer dependendo das circunstâncias que o levam à missa ou a uma passada rápida para acender uma vela para algum santo, mas para Whoopi Goldberg esse templo do louvor provavelmente deve ser sinônimo de muita felicidade e dinheiro no bolso, ou melhor, na conta bancária. Seria impossível ela carregar a fortuna que fez com a comédia Mudança de Hábito lançado em 1992, um estrondoso sucesso no mundo todo. Hoje o longa pode não passar de mais um título que abastece as sessões da tarde da TV e que é repetido à exaustão, mas na época foi um dos filmes mais comentados e muita gente o tem como uma grata lembrança do tempo da infância ou da adolescência. A expectativa deste lançamento era grande justamente por causa de sua protagonista que pouco tempo antes havia ganhado o Oscar de atriz coadjuvante por Ghost – Do Outro Lado da Vida, assim entrando para o primeiro time de estrelas de Hollywood. Realmente a atriz estava em ótimo momento profissional, mas a maré boa durou pouco, somente até a sequência desta comédia lançada um ano depois. Desde então, Whoopi tem se envolvido em projetos menores, sem muita projeção. Mesmo assim ela deixou sua marca como se pode ver na cena em destaque. A espalhafatosa intérprete precisou se habituar a usar o hábito (olha o trocadilho), segurar a língua para não deixar palavrões escaparem e ainda ensaiar um coral de freiras um tanto desafinado e desmotivado. Tais cenas são antológicas e o ápice do filme dirigido pelo já falecido Emile Ardolino que já acumulava em seu currículo mais dois clássicos das sessões da tarde, Dirty Dancing – Ritmo Quente e Três Solteirões e Uma Pequena Dama.
terça-feira, 13 de março de 2012
MÃOS TALENTOSAS
Tim Burton é um cineasta que escreveu sua trajetória no cinema na base de bizarrices e estilo gótico predominante. Ele próprio tem um visual um tanto excêntrico e por suas predileções o campo do terror e do suspense poderia ser seu habitat natural, mas não é bem assim. Apesar de já ter trabalhado com histórias de arrepiar, o que ele mais gosta mesmo é de fazer as platéias sonharem de forma diferenciada. Com muita sinceridade e sensibilidade o diretor já conseguiu construir verdadeiros clássicos das sessões da tarde que agradam a todas as idades, desde crianças bem pequenas até os idosos, e sempre imprimindo suas marcas. Dificilmente alguém com mais de vinte anos não tem a lembrança de ao menos uma vez na vida ter esperado com ansiedade a exibição na TV ou ter entrado na fila de espera da locadora para assistir Edward Mãos de Tesoura, um daqueles filmes que marcam época mesmo contando uma singela e até certo ponto conhecida história. É óbvio que aqui também faz diferença o apuro visual, mas esqueçam os efeitos especiais mirabolantes. A magia desta produção se concentra em seu aspecto artesanal, parece que tudo realmente foi feito por mãos talentosas e precisas, como podemos observar na cena em destaque. Nela podemos ver o protagonista caminhando pelo jardim que ele próprio mantém há anos podando cada árvore ou planta em formato de esculturas, uma febre que tomou conta dos jardins de muitas residências na década de 1990. O detalhe é que as tesouras que o rapaz usa estão substituindo suas mãos. Este era apenas um dos primeiros trabalhos de Burton como diretor em uma grande produção, mas já imprimia alguns elementos que se tornariam a marca registrada de sua filmografia. Além do apreço pelo bizarro e o gótico, aqui ele também mostra criatividade para mesclar a fantasia e referências cinematográficas e literárias de forma que até o público infantil se sentisse atraído para entrar nesse misterioso e fascinante mundo. A história de Edward, vivido por Johnny Depp em sua primeira parceria com o cineasta, lembra um pouco o conto do “Frankenstein”. Seu criador, o lorde dos filmes antigos de horror Vicent Price, vivia isolado em um castelo no alto de uma montanha e passava seu tempo inventando coisas. Sua obsessão era criar um ser humano praticamente perfeito, mas acabou falecendo antes de completar seu último projeto, assim Edward foi obrigado a aprender a conviver com afiadas lâminas no lugar de suas mãos.
terça-feira, 6 de março de 2012
UM SUCESSO DE OUTRO MUNDO
Há muitos anos os filmes com temática espírita chamam a atenção dos espectadores, afinal as discussões e dúvidas sobre a existência ou não de vida após a morte acabam chamando a atenção das mais distintas platéias e religiões. Não é a toa que Ghost – Do Outro lado da Vida acabou se tornando um fenômeno mundial em 1990 e até o Oscar se rendeu ao seu apelo irresistível. Dando um baita de um empurrão nas carreiras de Demi Moore, na época mais conhecida como a esposa de Bruce Willis, e do saudoso Patrick Swayze, o longa na época fez milhões de pessoas se emocionarem e derrubarem baldes de lágrimas com a história de um amor que foi interrompido por um fato inesperado e covarde. Sam (Swayze) é um jovem bancário que descobre que na empresa em que trabalha algumas fraudes estão ocorrendo. Decidido a investigar o caso, o rapaz acaba sofrendo uma tentativa de assalto junto com sua mulher, Molly (Demi), mas ele é atingido por um tiro e não resiste. Porém, Sam passa no mesmo instante a dividir sua atenção entre o bandido que escapa e o sofrimento da esposa. Demora um pouco para perceber que ele está na Terra apenas presente em espírito agora, mas rapidamente ele descobre que o assalto não foi uma triste coincidência. Carl (Tony Goldwyn) era um colega de trabalho a quem Sam confidenciou suas suspeitas de fraude sem saber que o próprio é quem estava por traz dos negócios ilícitos e que agora quer conquistar o amor de Molly assediando-a constantemente. A premissa é bastante interessante, mas as coisas melhoram ainda mais quando entra em cena Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma vigarista que dizia poder falar com os mortos e lucrava com a farsa. Porém, desta vez ela não está mentindo. Realmente ela consegue falar com Sam e tenta prevenir a esposa do rapaz passando os recados e orientações dele. Obviamente ela não acredita na charlatã até que ela lhe dá uma prova crível de que o desencarnado está tentando fazer contato.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
REALIZANDO UM SONHO
Para alguns filmes quanto mais o tempo passa melhores eles ficam e as animações da Disney se beneficiam muito disso. Muitos trabalhos orientados de perto ou apenas idealizados por Walt Disney entre as décadas de 1930 e 1960 hoje em dia são verdadeiros clássicos, mas quando lançados foram considerados verdadeiras loucuras e não fizeram sucesso. Depois da boa recepção e repercussão de Branca de Neve e os Sete Anões, em 1940 a equipe de desenhistas do estúdio deu mais um grande salto no campo da criação investindo em cenários e personagens bem detalhados e tomando maiores liberdades para contar a história de Pinóquio, baseado no livro “As Aventuras de Pinóquio” de Carlo Collodi. No aspecto visual o longa mantém seu colorido vivo, mas o enredo pode ser considerado um tanto simplório e ingênuo se comparado a produções mais modernas, porém, leva vantagem pelo fato dos personagens serem extremamente simpáticos e logo ganharem a simpatia do público. A trama é bem popular em todo o mundo, mas não custa relembrar. O velho artesão Geppetto consegue adquirir um pedaço de madeira que considera muito especial e decide fazer algo inesquecível: um boneco que fosse o mais próximo possível de um ser humano, como o filho que ele nunca teve. O senhor que vivia sozinho nem desconfiava que assim ganharia um companheiro de verdade. Graças a Fada Azul, Pinóquio, como o Geppetto batizou sua criação, poderia se tornar um menino de verdade, desde que provasse sua lealdade e coragem, virtudes que ele deveria compreender por conta própria. Nessa jornada de aprendizados, o garoto conta com a ajuda do esperto Grilo Falante, mas nem assim ele deixa de arrumar confusão ou cair em armadilhas. Para piorar, sempre que mentisse seu nariz cresceria denunciando sua desobediência e diminuindo as chances de se tornar uma pessoa de carne e osso. É óbvio que ele irá entrar nos eixos, demonstrando sua bravura no clímax do conto em um fatídico acidente em alto mar, mas essa parte é melhor deixar de lado para que os poucos que nunca assistiram se surpreendam. Só se pode adiantar que a sequência realça a coloração obtida através das pinturas das cenas realizadas a base de tinta a óleo e que muitas técnicas inovadoras foram utilizadas para fazer o efeito da água do mar revolto.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
FACE A FACE COM A INOCÊNCIA
Os horrores da guerra vistos através do olhar inocente das crianças é algo comum no cinema. São vários os exemplos de filmes que emocionaram o mundo com essa fórmula, mas aparentemente as obras que misturam tempos difíceis com o universo infantil passaram a não ser bem vistas pela crítica que as consideram produções manipuladoras feitas sob medida para levarem os espectadores ao choro fácil, recheadas de clichês e que não acrescentam nada de novo em relação a tantos outros títulos que se dedicam a falar sobre guerrilhas. O período do Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial, quando milhares de inocentes foram mortos e muitos sem saber ao menos o motivo, tornou-se uma fonte inesgotável de matéria-prima para a indústria cinematográfica e o tema já foi exposto de diversas maneiras e enfocando o seu impacto em várias partes do mundo. Em 2008, O Menino do Pijama Listrado apostou em viés semelhante ao de A Vida é Bela: uma criança em meio a um mundo em conflito, mas sem desconfiar de todas as atrocidades que ocorrem a sua volta. Na Alemanha de meados da década de 1940, um oficial nazista (David Thewlis) assume um cargo em um campo de concentração e isto faz com que sua família deixe Berlim e se mude para uma área desolada onde uma criança pequena não tem muito que fazer para se divertir. Ao explorar o local, Bruno (Asa Butterfield) conhece Shmuel (Jack Scanlon), um garoto judeu aproximadamente de sua idade que sempre está com uma roupa listrada e isolado do outro lado de uma cerca. Bruno passa a visitá-lo frequentemente, surgindo entre eles uma amizade, mas o alemãozinho nem imagina o que se passa naquele local e muito menos dentro de sua própria casa. Sua mãe (Vera Farmiga) faz de tudo para esconder a verdade do filho, mas seu pai não se importa em ser cruel com as pessoas que cercam a casa deles e não pensa nas consequências de seus atos. Porém, como diz o ditado, aqui se faz, aqui se paga.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
QUERIDA CHEGUEI!
O título deste texto é retirado de um seriado de muito sucesso da década de 1990 protagonizado por uma família de dinossauros bonzinhos, mas cai como uma luva para explicitar o espírito da imagem em destaque, do filme em si e até para apresentar seu criador. The Evil Dead ou em bom português A Morte do Demônio (no Brasil os dois títulos estão sempre lado a lado) se tornou o cartão de visitas do diretor Sam Raimi. Atualmente ele é um profissional muito competente que Hollywood tratou de abrigar com toda a pompa e conforto possível, principalmente depois do mega sucesso da franquia Homem-Aranha nos anos 2000, mas seu início de carreira foi bem diferente. Ele não nasceu em berço cinematográfico, mas sempre gostou muito da sétima arte e desejava fazer parte desse mundo onde tudo é possível, inclusive ressuscitar mortos e falar com o coisa ruim em pessoa (ou quase isso). Ainda adolescente, ele se uniu ao colega Bruce Campbell, que interpreta o protagonista Ash na fita, e juntos escreveram o roteiro, trataram da produção e de levantar dinheiro para fazer um filme de terror. Em 1981, após cerca de quatro anos de contratempos, o longa finalmente ficou pronto, mas os dois jovens talvez nem desconfiavam que tinham acabado de realizar um marco na história do cinema, um legítimo trash movie com qualidades. Sim isso mesmo. Existem coisas positivas nesta produção, embora o roteiro não seja nada criativo. Um grupo de jovens aluga uma casa de campo para curtir um final de semana, mas quando chegam ao local descobrem que escolheram uma cabana bem capenga no meio do mato, porém, decidiram ficar. Para passar o tempo, eles começam a explorar a casa e acabam encontrando um livro macabro escrito com sangue chamado “Necronomicon” junto com uma fita de áudio (as novas gerações nem devem conhecer isso) com a gravação de um historiador que leu um dos trechos da publicação. As portas do inferno então se abrem e um por um os jovens vão sendo possuídos, a matança começa e só um deles sobreviverá. Esta premissa gerou um perturbador produto que garimpou seu espaço graças aos festivais dedicados a produções amadoras, de terror e afins, assim chamando a atenção de grandes produtores e distribuidores que decidiram lutar para colocar o projeto em circuito comercial e investir no promissor cineasta, tanto que o longa gerou outras duas continuações tão toscas quanto o original, embora nelas já existisse capital hollywoodiano inserido.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
UM JANTAR INESQUECÍVEL
A Disney construiu sua imagem de maior produtora de animação do século 20 e consolidou-se como sinônimo de cinema livre e familiar não só apoiada nas histórias clássicas de princesas, mas os animais também tiveram papel importante nesta trajetória de sucesso. Bichinhos fofinhos sempre fizeram parte das produções da empresa, como os animais da floresta que fazem amizade com a Branca de Neve ou o Grilo Falante que ajuda o boneco de madeira Pinóquio, mas como naqueles tempos o cinema ainda era algo muito recente causou frisson a idéia deles virarem o centro das atenções em filmes. Se para adestrar um bichano demoraria muito tempo e os resultados insatisfatórios, nada melhor que essas histórias fossem contadas por intermédio de desenhos animados, um campo onde nada é impossível. Já com ampla experiência em animar bichos e tendo no currículo o sucesso Bambi, o estúdio lança em 1955 mais um eterno clássico. A Dama e o Vagabundo pode ser visto apenas como um conto romântico e ingênuo para agradar crianças, mas com um olhar mais atento podemos encontrar caminhos mais interessantes na narrativa e as famosas lições para o público infantil, como lidar com o sentimento de rejeição e lidar com responsabilidades e a tão sonhada liberdade. O enredo é sobre uma cachorrinha de raça que é acolhida por um casal de aristocratas e vira o seu xodó. Acostumada a sempre ganhar carinho, atenção e mordomias em casa, Lady, como é chamada, se sente rejeitada quando seus donos têm um bebê. Outros cachorros já haviam a alertado que quando chega uma criança no lar o animal de estimação fica em segundo plano. Enquanto isso, Vagabundo é um cachorro de rua que teve uma vida bem diferente e sempre precisou vencer uma batalha por dia para sobreviver. Os dois se encontram quando a cadelinha foge de Tia Sarah, uma senhora que cuida do bebê na ausência dos seus pais e que acredita que Lady poderia fazer algum mal ao pequeno. Vagabundo então a ajuda a conhecer o mundo que existe fora da confortável casa em que Lady vivia ao mesmo tempo em que tenta convencê-la a dar a volta por cima e reconquistar seu espaço junto a família que a adotou.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
JOGOS MACABROS E LUCRATIVOS
Dois estranhos, interpretados pelos desconhecidos Cary Elwes e Leigh Whannell, este último também é responsável pelo roteiro, despertando dentro de um banheiro imundo e cheio de sangue. Ambos acorrentados e sem a menor idéia de onde estão e do que aconteceu. Entre eles existe um cadáver e para saírem de lá descobrem que a automutilação é o caminho e que os dois não poderiam ficar vivos. Esta cena não é o ápice de Jogos Mortais, pelo contrário, é só a primeira sequência torturante entre tantas outras que virão a seguir. O impacto desta introdução felizmente é mantido durante todo o longa-metragem construído em cima de uma história macabra e insana que foi produzido em 2004 com o intuito de saciar a sede de sangue dos adeptos dos filmes de terror que não aguentavam mais o catchup expelido por adolescentes bobocas sendo massacrados por sádicos mascarados. O roteiro tem como proposta mostrar até que ponto um indivíduo pode chegar para garantir sua sobrevivência, mas não espere um material para uma tese. Quem comanda os tais jogos mortais é o assassino Jigsaw, vivido por Tobin Bell. Seu nome significa enigma. Ele é chamado assim por causa de uma cicatriz em forma de quebra-cabeças que ele deixa na pele de suas vítimas, assim obrigando-as a cometerem verdadeiras atrocidades não só nos corpos dos outros, mas também em seus próprios. Na mente psicótica desse criminoso, a tortura é a melhor forma de fazer uma pessoa compreender o valor da vida. Se ela consegue escapar da armadilha que ele monta, ela é uma vitoriosa e começa a ver as coisas com outros olhos ou, em outras palavras, fica tão cheia de ódio dentro de si que passa a perpetuar a onda de violência. No elenco, o único nome mais famoso é o de Danny Glover escalado para viver o tenente que conduz as investigações e que acaba criando uma obsessão enlouquecida para encontrar o assassino. O espectador acompanha a história ora em tempo real, ora em flashback, roendo as unhas de tanta tensão graças a eficiente direção de James Wan que capricha nos takes escatológicos e para captar o sofrimento dos torturados. Apesar de toda a inovação na narrativa e no visual, o longa não escapa do clichê do criminoso mascarado, mas ainda assim surpreende. Ele conduz seus jogos através de uma televisão e aparece como um sinistro boneco com voz disfarçada.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
UM DISFARCE PRA LÁ DE PERFEITO
Esta simpática senhora da foto era o sonho de qualquer família na década de 1990. Prendada, organizada, exímia cozinheira, rígida e defensora dos bons costumes, esta babá também sabia recompensar os pequenos com alguns momentos de lazer inusitados, como passeios de bicicletas e jogos de futebol. Ela é uma mistura da funcionária exemplar com a rebeldia e alegria espontânea de um homem disposto a tudo para poder ficar perto dos filhos. Esta figura acabou se tornando uma das personagens mais famosas do cinema e uma das mais significativas no extenso currículo do ator Robin Williams que virou ídolo do público infantil com a comédia Uma Babá Quase Perfeita, um clássico das sessões da tarde lançado em 1993. Dirigida por Chris Columbus, especialista em obras açucaradas e com apelo para as crianças, a história começa com um casal se desentendendo pela enésima vez. A gota d'água para Miranda, interpretada por Sally Field, foi ver sua casa ser transformada em uma bagunça total durante uma festa de aniversário promovida por seu marido, um ator desempregado que leva sua vida com muito bom humor e garante a diversão de seus três filhos. Com a separação, ele fica desesperado e ao descobrir que a ex procura alguém para cuidar das crianças não pensa duas vezes e arquiteta um plano para ficar junto delas. Após testar as vozes e perfis de algumas mulheres ele chega no modelo ideal: a senhora Doubtfire, uma idosa com um sotaque diferente proveniente da Irlanda, voz mansa, cara de anjo, mas que sabe impor a disciplina como ninguém. A partir de então o espectador acompanha as peripécias de um homem que nunca teve jeito para os afazeres da casa aprendendo na marra desde cuidar dos estudos dos rebentos até limpar a casa, se bem que na parte da comida recorrer as entregas de um restaurante é inevitável.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
UM ELEFANTE INCOMODA MUITA GENTE
Hoje em dia, as humilhações vividas por qualquer um em seu ambiente escolar, profissional, familiar ou até mesmo na rua estão no foco dos noticiários e debates em diversas instituições. Qualquer deslize ou algo diferente em seu aspecto físico pode virar alvo de chacota. Inicialmente pode até ser divertida a brincadeira, mas conforme ela se torna constante e ofensiva pode se transformar em um ato criminoso, o popular bullying, palavra estrangeira empregada para denominar tais práticas provenientes de pessoas sem o mínimo de respeito ao seu semelhante. Porém, o problema não é uma novidade do mundo moderno. Sem o título americano, esse inconveniente já ocorre há muitos anos, talvez desde os primórdios do homem na Terra, e é um conflito muito explorado pelo cinema, enfocando na maioria das vezes o público infantil, faixa etária em que a discriminação acontece em proporções assustadoras. Tal tema foi utilizado com sucesso na animação Dumbo, uma produção de Walt Disney lançada em 1941 e baseada na obra homônima de Helen Aberson e Harold Perl. Este é o quarto longa de animação do estúdio e é considerado um dos maiores clássicos do gênero de todos os tempos, tanto é que foi relançado em cinemas e em home vídeo diversas vezes, já que seu conteúdo é universal e atemporal. É impossível encontrar alguém que pelo menos uma vez na vida não se sentiu excluído. A história gira em torno de um elefantinho chamado Jumbo Jr. que, além de nascer com orelhas desproporcionais ao seu corpo, tem a fama de ser desengonçado, por isso ele recebeu o apelido de Dumbo, palavra que em inglês significa estúpido. Vivendo desde pequeno em um circo, ele sempre foi ridicularizado pelos outros elefantes que levavam a sério a frase da canção "um elefante incomoda muita gente", mas tudo por pura maldade. Dumbo só contava com o amor e carinho de sua mãe até que ele faz amizade com o prestativo ratinho Timóteo que vai ajudá-lo a enfrentar esses problemas e mostrar seu valor. Essa amizade é uma clara paródia ao medo que esses grandes mamíferos têm de roedores.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
LINDOS, TALENTOSOS E... SANGUINÁRIOS
Antes da metade da década de 1990, Tom Cruise já era uma estrela com nome e valor de mercado em alta. Já Brad Pitt estava em plena ascensão após uma sequência de filmes bem avaliados por público e crítica e já ameaçava tomar o posto de galã do cinema da época do então marido de Nicole Kidman. Colocar os dois juntos em um mesmo filme poderia significar uma união de sucesso ou uma verdadeira guerra entre egos inflados. A primeira opção venceu. Hoje, quase duas década depois, Entrevista Com o Vampiro, lançado em 1994, é um título de fama no mundo todo e considerado um clássico do terror com estilo próprio. Porém, se voltarmos ao período em que a produção foi iniciada até a sua estréia, podemos encontrar histórias de bastidores que bem desenvolvidas poderiam render um outro roteiro de cinema. A escritora Anne Rice vendeu os direitos de seu best-seller homônimo cerca de dezessete anos antes dele finalmente ganhar sua versão em celulóide. Nesse período, diversas tentativas de adaptá-lo fracassaram até que o cineasta Neil Jordan, colocou as mãos no projeto. Vivendo um período de glórias depois de ter causado frisson nas premiações dois anos antes com seu então inovador e ácido Traídos Pelo Desejo, parecia que finalmente a história polêmica e com teor homoerótico chegaria aos cinemas, mas a escalação do elenco foi problemática. Eram necessários atores com apelo junto ao público e com aspecto jovem principalmente para viver Lestat, papel de Cruise. A própria autora do livro repugnou publicamente a escalação do astro, este que sofria preconceito. Muito bonito e considerado um artista com talento limitado, duvidava-se que ele poderia dar vida a um personagem dúbio que flerta entre o herói e o vilão com total desenvoltura, mas com a ajuda do cineasta acostumado a desbravar fronteiras ainda desconhecidas, o ator surpreendeu com sua interpretação ora dramática e ora perversa, mas em ambos os casos impregnadas de sensualismo. Anne foi obrigada a dar o braço a torcer, se desculpar e assumir que gostou do que viu.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
DE OLHOS BEM ABERTOS
Algumas obras marcam época, mas ficam no imaginário coletivo em tom de nostalgia, porém, outras permanecem vivas por causa dos temas e conflitos que expõem e que continuam em evidência mesmo muito tempo depois do seu lançamento. Em 1971, o cineasta Stanley Kubrick surpreendeu o mundo com um trabalho violento e chocante, um contundente e perturbador retrato de uma sociedade que vive em uma época não identificada, porém muito próxima do que se vivia naquela década, na seguinte e até hoje em dia quando os povos de todo o mundo parecem viver o ápice do individualismo, do egoísmo e da avareza. Laranja Mecânica é fruto de uma mente genial e criativa que conseguiu construir uma obra atemporal cuja mensagem consegue perfeitamente ecoar por anos e anos e ainda com fôlego para ser perpetuada por outros tantos. Claro que a percepção deste clássico na atualidade é bem diferente, os tempos são outros. Após tantos filmes que exploraram o filão de mortes com requintes de crueldade e atrocidades contra seres humanos e animais, talvez a obra não se revele tão impactante. Isso se você for um espectador desligado. Para quem curte cinema de verdade e tem sensibilidade suficiente para dissecar as almas dos personagens, este filme é um prato cheio. Não a toa é um título muito recomendado por profissionais do ramo da psicologia, sociologia, filosofia, enfim praticamente de todas as áreas humanas de atuação. A violência dá a tônica desta produção tanto de forma física quanto psicológica e não espere um final ameno. Ambientado na Inglaterra em um futuro indeterminado, talvez a própria expectativa do que seriam os primeiros anos do século 21, o filme acompanha o cotidiano questionável do jovem Alexander DeLarge, vivido com vontade e perfeição por Malcolm McDowell, com um olhar de frieza que chega ora a intimidar e ora a suscitar o ódio no espectador. O rapaz aparentemente é um apreciador das artes, bem de vida e muito inteligente, já que um de seus hobbies favoritos é ouvir músicas como as de Beethoven ou cantarolar a famosa composição "Singing in the Rain". Ao mesmo tempo, ele é adepto de práticas violentas, como estupros e furtos. Tais atos violentos ele comete com a ajuda de um grupo de baderneiros, os "droogs", do qual ele é o líder. Eles só se preocupam em se divertir e sentir prazer através de atos masoquistas cometidos com pessoas desconhecidas e inocentes. Situações próximas do que hoje chamamos de bullying misturadas ao simples fato desses jovens não terem o que fazer na vida. É a velha história de que quando está em grupo o adolescente se sente o maioral e faz o que quer, mas sozinho pode se revelar um medíocre que a qualquer momento pode passar a ser vítima. E é isso mesmo que acontece na história.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
VÁ DE RETRO SATANÁS
Uma jovem aparentemente inocente, mas com andar e gestos estranhos, caminhando em direção a uma árvore seca em meio a um clima enevoado. Esta cena simplória acabou se tornando uma marca registrada de um filme de terror, ou melhor, vendido como uma produção de horror, mas que no fundo tem um aspecto dramático bem mais profundo e característico. Tal cena ganhou tanto destaque que acabou sendo usada para ilustrar o material publicitário de O Exorcismo de Emily Rose, do diretor Scott Derrickson lançado em 2005. Apesar de muitos jurarem que ficaram impressionados e mal conseguiram pregar os olhos por uma ou algumas noites, este longa deixou outros tantos espectadores decepcionados. Por causa do título, muitos esperavam ver algo tão impactante quanto O Exorcista dos anos 70 ou embarcar em uma montanha russa de sustos e gritos. Bem, cenas apavorantes e carregadas de tensão existem aqui em doses homeopáticas, porém, o cineasta foi esperto ao dar uma linha narrativa diferenciada a sua obra, assim seu período de esforços neste trabalho não foi em vão e ele injetou um pouco de ânimo no estagnado gênero de terror e suspense que talvez desde 1999, quando foi lançado O Sexto Sentido, não se via inovações. O fio condutor da trama é o julgamento do padre Richard Moore vivido por Tom Wilkinson. Ele é acusado da morte da jovem Emily Rose, a estreante Jennifer Carpenter. Submetida a tratamentos médicos, constata-se que a jovem sofre de um distúrbio em que o indivíduo tem ao mesmo tempo surtos de esquizofrenia, psicose e epilepsia. A medicação prescrita seriam entorpecentes e sedativos que poderiam agravar ainda mais o quadro. A certa altura dos acontecimentos, Moore está convencido que o caso trata-se de possessão demoníaca e a aconselha a deixar de lado o tratamento clínico e se submeter a uma sessão de exorcismo. Infelizmente, a cerimônia de expulsão do demônio falha e logo em seguida ela vem a falecer e o padre então é levado à corte sob as acusações de negligência e homicídio doloso.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
FAZ DE CONTA MODERNO
Os contos de fadas foram espalhados pelo mundo há mais de um século, ganharam inúmeras edições publicadas e várias versões para o cinema, teatro e TV. Já houve tantas mudanças desde a publicação dos textos originais que hoje em dia ninguém mais sabe dizer quais versões são as mais fiéis, inclusive muitos afirma que os verdadeiros contos têm conteúdo impróprio para os menores. Tais dúvidas acerca das histórias infantis se tornaram uma excelente matéria-prima para as produtoras de filmes do mundo todo que deixam a imaginação rolar solta tentando ser fiéis as obras ou seguindo a linha do escracho. Foi nessa segunda opção que vários desenhos animados nos últimos anos têm investido principalmente a série protagonizada pelo famoso ogro Shrek. Na cola do sucesso do monstrengo verde, muitas outras animações e filmes com atores reais seguiram a risca a fórmula consagrada. Assim, teve uma hora que a própria Disney, o estúdio de cinema que mais enriqueceu às custas das princesas, fadas e bruxas, precisou ceder e se entregar ao deboche. Em 2007, a empresa fez humor rindo de seu próprio acervo de trabalho ou talvez se auto-homenageou dependendo do ponto de vista. Encantada é uma divertida comédia romântica protagonizada por Amy Adams, James Marsden e Patrick Dempsey, respectivamente a princesa Giselle, o príncipe Edward e o advogado Robert, um pai solteiro. Um personagem contemporâneo em meio a uma história que parece ser escrita pelos famosos irmãos Grimm? Sim, os habitantes do fictício mundo de Andalásia caem no mundo real e moderno graças a uma armação da Rainha Narissa, vivida com entusiasmo pela sempre talentosa Susan Sarandon, diga-se de passagem, mais bem apresentável fisicamente no papel de bruxa do que quando está de cara limpa. Completando o time de personagens temos a carismática garotinha Idina Menzel e o fiel escudeiro da rainha interpretado com ingenuidade quase infantil pelo excelente Timothy Spall. Ah, e claro que não falta um bichinho simpático, no caso um esquilo, que é mais inteligente que um humano para arrematar o enredo.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
CENTRAL DE EMOÇÕES
O cinema nacional passou muitos anos no limbo, mas seu renascimento foi glorioso com direito a indicação ao Oscar logo em um dos primeiros projetos da nova fase. Não demorou muito e mais uma indicação veio. A nossa indústria cinematográfica caminhava a passos largos e finalmente em 1998 deu um passo maior que a perna, no bom sentido. O cineasta Walter Salles presenteou o Brasil como uma das obras mais famosas e reverenciadas de nossa filmografia, Central do Brasil, um drama profundamente emocionante e humano que apresentou aos próprios brasileiros um aspecto do país que nem eles mesmos conheciam principalmente os que vivem nas grandes metrópoles. Acostumados a falta de respeito, intolerância e o excesso de violência presentes nos cotidianos das cidades grandes, poucos se lembram que existem pessoas solidárias e humildes espalhadas por aí que vivem seus dramas em silêncio e praticamente sem assistência. Claro que os aproveitadores estão a solta também, mas todos merecem uma chance de redenção e é nesse ponto que o roteiro de Marcos Bernstein e do hoje novelista João Emanuel Carneiro toca. Na Central do Brasil, uma famosa estação ferroviária localizada no Rio de Janeiro, Dora (Fernanda Montenegro) ganha dinheiro escrevendo cartas para pessoas analfabetas, porém as mensagens nunca chegavam a seus respectivos destinos e ficavam guardadas na casa dela. Um dia, Ana (Soia Lira) aparece com o filho Josué (Vinícius de Oliveira) pedindo que escrevesse uma carta para o pai dele dizendo que o menino quer visitá-lo. Saindo da estação, Ana morre atropelada por um ônibus e o pequeno Josué fica sem ter para onde ir e se vê forçado a morar na estação. Com pena do garoto, Dora decide ajudá-lo e levá-lo até seu pai que mora no sertão nordestino. Inicialmente os dois se estranham e trocam farpas, mas os obstáculos e descobertas da viagem fazem com que os dois se aproximem e passem a ter uma relação de amizade muito forte.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
FALSA BELEZA
Muitas vezes ficamos encantados quando vemos em filmes aquelas casas bonitas, com jardins vistosos e localizadas em ruas tranquilas longe dos caóticos centros das cidades americanas e sonhamos em levar uma vida igual a das pessoas quem ali vivem. Porém, o que parece tão perfeito, da porta de casa para dentro é bem diferente. Elas parecem ricas, ter sucesso e bem-estar, mas seriam plenamente satisfeitas? Arruinar a imagem da família modelo americana é até um tema comum no cinema nos últimos anos, de forma branda ou agressiva, mas talvez o precursor dessa fase tenha sido o premiado Beleza Americana. Lançado em 1999, naquela época parecia que Hollywood queria retratar a realidade de forma nua e crua e sem direito a verniz. Temas espinhosos foram levados as telas pelos principais concorrentes a prêmios da temporada, mas o longa do então estreante diretor Sam Mendes levou a melhor e recebeu muitas láureas, incluindo cinco Oscars, sendo apenas um da parte técnica, os outros todos principais. Curiosamente, esta obra que mexe em feridas da sociedade norte-americana, mas com situações corriqueiramente encontradas em diversas partes do mundo, não foi bancada por produtoras independentes ou estrangeiras. A empresa de Steven Spielberg, a Dreamworks, bancou o projeto que não só conquistou a crítica como também o público, que provavelmente se identificou com os dramas de personagens comuns. Aliás, para estudos de personalidades, esta obra é um item obrigatório com seu farto painel de tipos e conflitos. Traição, crise de meia-idade, drogas, homossexualismo entre outros temas espinhosos são enfocados nesta história que traz Kevin Spacey como protagonista. O ator arrancou elogios na pele de Lester Burnham, um cinquentão reprimido e infeliz que consegue ganhar um novo ânimo para viver quando se apaixona pela personagem de Mena Suvari, a amiga de sua única filha, vivida por Thora Birch, esta uma moça que tem baixa auto-estima e vive reclusa em um mundinho particular. As cenas de nudez das duas atrizes não chegaram a causar grandes burburinhos, mas dizem que ambas eram menores de idade durante as filmagens e nem mesmo o relacionamento, mesmo fictício, de um homem mais velho com uma adolescente deu sinal vermelho a produção nos órgãos de censura.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
DUELO DE GIGANTES
Em 1933, ele surgiu em versão stop-motion e em preto e branco e é considerado o pai dos filmes estilo arrasa-quarteirão. Em 1976, ganhou uma super produção, desta vez em cores, o que realçou seu impacto em tela grande. Além destes longas, surgiu em outras dezenas de pequenas produções que levavam seu nome e totalmente esquecíveis. Até já passou por um combate com o famoso monstro oriental Godzilla em mais uma das pérolas que tentaram obter fama às suas custas. Tantas aparições poderiam ter desgastado sua imagem, mas o diretor Peter Kackson acreditava que ainda poderia recriar a história de uma das obras mais famosas do cinema e assim em 2005 ele estreou sua versão de King Kong, um filme declaradamente feito para entretenimento, o que gerou muitas críticas. A história basicamente é a mesma do original. Também passado na década de 30, época em que os EUA viviam a Grande Depressão, período em que milhares de pessoas tentavam sobreviver como podiam em meio a uma violenta crise financeira, o longa começa mostrando Ann Darrow, vivida por Naomi Watts, uma atriz que procura emprego em um cabaré. Por um acaso do destino, eis que entra Jack Black em cena na pele do cineasta Carl Denham e com uma excelente proposta de trabalho para a moça. Quando ela embarca em um navio rumo a uma misteriosa ilha onde serão feitas as filmagens, ela conhece o conceituado roteirista Jack Driscoll, papel de Adrien Brody, e ambos se apaixonam, mas viver esse amor durante essa viagem será algo impossível. Mal sabem eles os perigos que a tal ilha esconde. Não precisa ser adivinho para saber o que acontecerá, mas o diretor criou um verdadeiro local fantástico onde tudo é possível e caprichou nas sequências de ação e efeitos especiais, suas especialidades então devido a experiência grandiosa que teve com a trilogia O Senhor dos Anéis.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
CORRIDA AO SUCESSO
Um elenco praticamente desconhecido. Um diretor sem fama. Um tema que poderia interessar apenas aos amantes de esportes. Os predicados de Carruagens de Fogo (1981) não eram dos mais atraentes, mas o filme que parecia pequeno cresceu inesperadamente e se tornou o azarão da temporada de premiações da época. Quando o diretor inglês Hugh Hudson lançou esta mistura de épico e drama talvez não esperasse o que iria acontecer. Quase que instantaneamente o longa caiu nas graças do público e da crítica. A história se passa durante o período que antecede os Jogos Olímpicos de 1924 a serem realizados em Paris. O filme acompanha a trajetória de dois jovens que pretendem entrar na disputa, cada um seguindo um caminho distinto, mas com desejos idênticos a serem conquistados através de coragem e determinação: escreverem seus nomes na história. Eric Liddell (Ian Charleson) é um missionário que ficou conhecido como "escocês voador" e que corre em devoção a Deus e tem um talento especial para o esporte, algo que considera uma dádiva divina. Já Harold Abrahams (Ben Cross) é filho de um judeu que enriqueceu recentemente e deseja provar sua capacidade e valor para a preconceituosa sociedade de Cambridge e para conseguir vencer a disputa contrata um treinador pessoal. Ambos seguem as eliminatórias sem problemas, até que em uma das classificatórias de Liddell é marcada para um domingo. Ele se recusa a competir por ser este um dia santo para sua religião. Percebendo a situação, um nobre oferece ao rapaz sua vaga na disputa dos 400 metros. Na mesma prova está inscrito Abrahams que por se sentir inferiorizado por sua origem semita não medirá esforços para sair vitorioso. O final é extremamente previsível, mas nada que desmereça a obra, até por se tratar de uma história real com valiosos ensinamentos.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
INSANIDADE ESTAMPADA NO ROSTO
Depois que O Exorcista foi lançado em meados dos anos 70, parecia que o ápice do gênero terror havia chegado e que nada mais poderia causar tanto impacto e calafrios. Porém, sempre há uma mente criativa de plantão tentando surpreender e quem sabe tomar tal status para si. O cineasta Stanley Kubrick, figura célebre da história do cinema, teve sua carreira marcada por obras de diferentes estilos, mas sempre com um perfeccionismo impressionante. Depois de sair dos EUA e realizar alguns trabalhos importantes na Inglaterra, ele inovou e optou por uma temática que até então não fazia parte de sua filmografia: o suspense sobrenatural. A iniciativa gerou controvérsias que persistem até hoje. O Iluminado (1980) foi criticado por especialistas e público e até o próprio autor do livro no qual a história se baseia, Stephen King, duvidava da capacidade do diretor em adaptar a obra. O fato é que tanto o livro quanto o filme despertam reações negativas e positivas, mas em uma visão geral, ambos conseguiram reconhecimento como grandes obras com o passar dos anos. A produção acabou inaugurando uma nova vertente ao cinema de horror que agradou aqueles que já naqueles tempos não aguentavam mais os já batidos clichês do gênero. O roteiro nos apresenta a Jack Torrance, um dos personagens mais famosos de Jack Nicholson. Durante um rigoroso inverno, ele é contratado para ser vigia de um hotel que fica inativo durante a temporada e leva junto sua esposa (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). O isolamento total acaba se tornando um martírio para essas três pessoas. Aos poucos, acontecimentos inexplicáveis começam a ocorrer e tirar o sossego da família, principalmente quando o garoto passa a ter visões assombrosas com pessoas que também passaram pela experiência de ficarem isolados naquele local e o pai de família passa a agir de modo completamente estranho e agressivo.
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