quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ESQUECERAM DE... CONVENÇÃO DAS BRUXAS

Hoje a lembrança aqui é um título que continua vivo na memória de muitos espectadores, ou melhor, telespectadores, já que ele fez mais sucesso na TV que nos cinemas e é um super clássico que animou as tardes de muita gente com suas diversas reprises ora na Globo e ora no SBT. Hoje ele não passa com tanta frequência infelizmente, mas o puxão de orelha vai para a sua distribuidora que retirou a produção do seu catálogo de vendas. Aproveitando a proximidade dos festejos do Halloween, ou em bom português, a comemoração do Dia das Bruxas, um filme seria ideal para assistir nesta data, isto se ele estivesse disponível no mercado. Convenção das Bruxas (1990) é uma interessante mistura de mistério, aventura, comédia e fantasia que caiu fácil no gosto popular e hoje faz parte das lembranças de muito marmanjo que quando pequeno podia até sentir medo, mas não resistia em dar uma olhada quando ela passava na televisão ou alugá-la nos saudosos tempos das fitas VHS. Certamente este filme bombava nas locadoras.
 
A história começa com tom melancólico e com passagens de causar calafrios. Helga (Mai Zetterling) gosta muito de contar a seu neto Luke (Jasen Fisher) histórias sobre bruxas. Em uma certa noite, ela conta que uma garota que conheceu quando criança sumiu misteriosamente quando ia fazer compras, mas a própria começou a aparecer depois em um quadro na sala de sua família e tal imagem ia se desenvolvendo como uma garota real até o dia em que desapareceu de vez. Só este início com cenas em tom sombrio já é o bastante para deixar a gurizada roendo unhas e prender a atenção, mas vem muito mais a seguir. Curiosamente esse trecho inicial não é desenvolvido depois, existe apenas uma rápida menção ao episódio mais adiante, porém, nada que estrague a produção. Prosseguindo, a avó ensina o garoto os truques das bruxas para se manterem vivas por tanto tempo e seus planos para atrair as crianças, estas que para elas tem cheiro parecido ao das fezes de cachorros e devem ser exterminadas. Diabolicamente perversas, elas aparentemente são mulheres comuns, mas suas reais e horrendas feições são encobertas por impecáveis máscaras, perucas e vestimentas. Elas na verdade tem a pele bastante enrugada e deteriorada, não possuem dedos nos pés, são carecas e sentem muita coceira na cabeça, tem as mãos muito grandes e seus olhos reluzem uma cor púpura.

Quando os pais de Luke falecem em um acidente de carro, Helga decide ir viajar com ele para espairecerem. Da Noruega eles partem para a Inglaterra e se hospedam em um luxuoso hotel onde irá acontecer uma convenção anual de proteção as crianças, mas as mulheres que chegam para o evento têm outros planos. Sem crianças para brincar, com exceção de Bruno (Charlie Potter), este que só pensa em comer, Luke vai brincar com seus ratinhos de estimação no salão de reuniões do local e acaba ficando preso por lá quando a tal convenção se inicia. O garoto então presencia todas as histórias que sua avó lhe contava tornarem-se realidade. As damas da reunião na realidade são bruxas que vieram para o encontro anual com a líder, a malvada Eva (Anjelica Huston), mais conhecida como Miss Ernst. Durante o encontro, ela se diz insatisfeita com o pouco efeito das ações de suas subordinadas e revela um plano devastador. Ela criou a "Fórmula 86", uma poção capaz de transformar crianças em ratos para assim ser mais fácil exterminá-las. Em pouco tempo, Luke e Bruno são transformados em camundongos e começa um jogo de gato e rato, ou melhor, de bruxa e rato, uma corrida contra o tempo para evitar que as feiticeiras saiam do hotel levando as fórmulas para distribuir pelo mundo todo.


O tom sombrio do início é mantido até o final, porém, o recheio tem algumas doses de humor e bastante aventura, tudo envolto em um clima frio, mas ao mesmo tempo aconchegante. Anjelica Huston parece que nasceu para dar vida a personagens esquisitos ou do lado do mal. Sua altivez, corpo esguio e rosto exótico caem como uma luva para compor a bruxa-mor da história, mas mesmo quando está usando forte e impactante maquiagem ainda é possível sentir a atriz ali destilando seu veneno e ódio. Ela sem dúvida é quem se destaca no elenco e sua interpretação é bem superior ao de sua rival, a sueca Mai Zetterling. É preciso levar em consideração também que os garotos fazem um bom trabalho e é possível se divertir com o ator Rowan Atkinson, o eterno Mr. Bean, em um papel antes da fama. Ele faz o gerente do hotel e já aparecia fazendo suas caras e bocas que o consagraram, ainda que aqui de modo comedido. A direção é de Nicolas Roeg, adepto de esquisitices como O Homem Que Caiu na Terra, e a produção é assinada por Jim Henson, o criador dos Muppets, o que explica o traquejo para lidar com pequenos animais e bonecos em cena e o capricho na maquiagem, ignorada pelo Oscar, mas muito trabalhosa e mais visível na personagem Miss Ernst e que demorava cerca de oito horas para ficar pronta. Porém, poucos sequer desconfiam, mas a maior parte das bruxas em cena são homens travestidos.

Baseado no livro homônimo de terror para crianças escrito por Roald Dahl em 1983 e ganhador de alguns prêmios, Convenção das Bruxas é uma excelente opção para agradar a toda família e com mensagens quase explícitas que auxiliam na educação dos pequenos, como sempre avisar onde vai ou nunca falar com estranhos. Claro que para os cinéfilos que levam a ferro e fogo a idéia de posição intelectual esta obra não deve interessar nem um pouco, mas para nostálgicos e apreciadores de cinemão para se distrair é uma bela pedida. É inexplicável que a Warner, a detentora dos direitos do filme, retirou de seu catálogo esse que poderia ser um de seus produtos mais rentáveis. Em 2001, a produção chegou a ser lançada em DVD no Brasil, apenas com áudio original e legendas, mas depois cessaram a comercialização. Já houve boatos de que existe o projeto de um remake e que os cultuados cineastas Alfonso Cuarón e Guillermo del Toro estariam envolvidos no projeto. Pelo currículo de ambos, filmaço seria. Pena que de boas intenções e idéias de refilmagens o inferno cinematográfico está cheio. Antigo ou novo, o fato é que faz falta boas histórias como essa, assim como ver a grande Anjelica Houston brilhando e não apagada em pequenos papéis coadjuvantes, infelizmente, como seu futuro lhe reservou.

Um comentário:

Ana disse...

Esse filme é ótimo mesmo! Já assisti várias vezes e ainda dou um jeito de conferir novamente qdo passa na TV. xD

Sempre gostei das atuações da Anjelica Huston. Ela é uma atriz que interpreta tão bem os personagens que faz, que parece que está vivenciando cada um. Tbm acho que ela é uma mulher muito elegante. :)

Eu li o livro "As Bruxas" alguns anos atrás e percebi muito do filme. Gostei demais! Roald Dahal escreve muuuuito bem e é fácil imaginar tudo!

Ótimo post!

Bjs ;)

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